Suspeito usava CNPJ de outra empresa para criar clínica falsa de acolhimento a idosos na internet. Polícia Civil encontrou um corpo.
(Imagem: Reprodução/Polícia Civil de SP)
A Polícia Civil de São Paulo prendeu na quinta-feira (15) um homem suspeito de montar uma falsa clínica de acolhimento para idosos na internet. A prisão ocorreu na região do Jardim Herculano, zona sul da capital paulista, por ordem da Justiça. O caso envolve a investigação da morte de um homem cuja família acreditava ter contratado um serviço especializado de cuidados.
O investigado foi identificado como Mário de Oliveira Nunes. As autoridades apuram as circunstâncias do desaparecimento e da morte de Francisco Rex Faustino. Há informação sobre a localização de um corpo em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, mas a identificação e as conclusões periciais ainda dependem dos procedimentos oficiais. A prisão não representa condenação.
Família contratou serviço de acolhimento pela internet
Conforme o registro policial, familiares procuraram um estabelecimento que pudesse oferecer cuidados especiais a Francisco, que apresentava problemas relacionados ao consumo de álcool e conflitos familiares. A escolha foi feita por meio de um anúncio na internet de um local apresentado como Clínica de Idosas Viva Nova Vida.
O endereço eletrônico utilizava um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) vinculado a outra empresa. A suspeita é de que a identificação empresarial tenha sido empregada indevidamente para transmitir aparência de regularidade ao suposto serviço de acolhimento. A titular do cadastro negou vínculo com o investigado e registrou ocorrência por possível uso indevido dos dados da empresa.
O que despertou a desconfiança?
De acordo com o relato registrado pela família, durante aproximadamente seis meses o responsável pelo atendimento enviava fotografias e vídeos do idoso, enquanto os pagamentos eram feitos regularmente com recursos de sua aposentadoria. A situação mudou quando houve uma solicitação de acréscimo de R$ 500 e as atualizações sobre Francisco deixaram de ser encaminhadas.
Um familiar decidiu então visitar o endereço indicado na contratação, sem aviso prévio. Ao chegar ao local, constatou que a clínica anunciada não funcionava ali. Ao ser questionado, o responsável forneceu outro endereço, associado à própria residência. Em uma nova tentativa de localizar Francisco, os familiares não conseguiram encontrá-lo.
A sequência de informações divergentes levou a família a procurar a polícia. O caso passou a ser tratado como investigação criminal, com diligências destinadas a esclarecer o paradeiro do idoso, o funcionamento do suposto estabelecimento e a responsabilidade de cada envolvido.
Prisão e perícia
Os policiais cumpriram o mandado judicial e apreenderam o telefone celular do suspeito, que poderá ser submetido à análise para identificar contatos, conversas e outros elementos úteis à apuração. A perícia do corpo localizado também é uma etapa fundamental para confirmar a identidade da vítima e esclarecer a causa da morte.
Até a conclusão desses exames, não é possível afirmar de forma definitiva como ocorreu o óbito ou estabelecer a dinâmica dos fatos. O investigado tem direito à defesa e à presunção de inocência. Não havia manifestação da defesa disponível nas informações consultadas para esta reportagem.
Como conferir uma instituição para idosos antes de contratar?
O episódio reforça a importância de verificar pessoalmente as instalações e a documentação de estabelecimentos de longa permanência ou acolhimento. Antes de transferir um familiar, é recomendável confirmar se o endereço corresponde ao local de atendimento, conferir a identificação jurídica, verificar as licenças exigidas e solicitar contrato que descreva serviços, responsáveis, valores e condições de visita.
Também é prudente manter contato direto e regular com a pessoa acolhida e desconfiar de mudanças frequentes de endereço, restrições injustificadas a visitas e interrupções de informações sobre seu estado de saúde. Havendo suspeita de desaparecimento, maus-tratos ou fraude, familiares devem procurar a Polícia Civil e os órgãos competentes de proteção à pessoa idosa.
A investigação segue em andamento, e novas conclusões dependem dos resultados da perícia e das diligências policiais.