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Insegurança

Insegurança impede 62% das mulheres de viajarem sozinhas no Brasil, aponta pesquisa recente

05 mar 2026 - 18h22 Joice Gomes   atualizado às 18h28
Insegurança impede 62% das mulheres de viajarem sozinhas no Brasil, aponta pesquisa recente Entenda os motivos, impactos no turismo e possíveis soluções para maior segurança feminina em deslocamentos. (Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Uma pesquisa recente expõe uma realidade preocupante: insegurança é o principal obstáculo para 62% das mulheres viajarem sozinhas. O levantamento, que ouviu 2.712 brasileiras, destaca como o temor à violência e ao assédio restringe a liberdade de movimento e o prazer de explorar novos destinos de forma independente.

Esse dado reflete um problema estrutural enraizado na sociedade brasileira, onde questões de gênero interferem diretamente nas escolhas cotidianas e nas aspirações de lazer. Mulheres frequentemente renunciam a sonhos de aventura por receio de riscos reais, como relatos de assédio em transportes públicos ou ruas mal iluminadas.

Insegurança como barreira principal

O estudo aponta que 62% das entrevistadas já desistiram de planos de viagem solo devido à insegurança. Esse percentual elevado demonstra que a percepção de perigo não é mero receio infundado, mas baseado em experiências vividas ou observadas no dia a dia.

Além da violência física, fatores como falta de informação sobre destinos seguros e julgamento social agravam o quadro. Mulheres relatam que o medo surge especialmente em locais desconhecidos, à noite ou em transportes coletivos, onde a vulnerabilidade aumenta.

  • 62% das mulheres deixaram de viajar sozinhas por medo de assédio ou violência.
  • 53,4% não se sentem seguras em deslocamentos solo segundo pesquisas correlatas.
  • Assédio em transportes é citado por 58,7% das entrevistadas como fator principal.
  • 93,5% identificam a violência como maior limitante para viagens independentes.

Impactos no turismo e na autonomia feminina

A insegurança não afeta apenas o lazer individual, mas também o setor turístico, que perde oportunidades com o turismo solo feminino em ascensão globalmente. No Brasil, enquanto mulheres representam maioria nas intenções de viagem, apenas 17,8% planejam fazê-lo sozinhas, priorizando destinos nacionais por suposta familiaridade.

Essa limitação impacta a economia local, pois pacotes personalizados para viajantes independentes impulsionam hotéis, guias e experiências culturais. Além disso, reforça desigualdades de gênero, privando mulheres de benefícios como autoconhecimento e empoderamento que viagens solo proporcionam.

Estudos acadêmicos confirmam que brasileiras se sentem mais inseguras que homens em qualquer destino, recorrendo a estratégias sociais para mitigar riscos, como compartilhar localização em tempo real ou evitar horários noturnos.

Contexto mais amplo da violência de gênero

O Brasil figura entre os países mais perigosos para mulheres viajantes, conforme rankings internacionais como o Women Danger Index. Fatores como feminicídios em alta, com crescimento de 2,6% em homicídios femininos, alimentam o ciclo de medo que transcende viagens e atinge a mobilidade urbana diária.

Mulheres negras e de baixa renda enfrentam riscos ainda maiores, com 34% dependendo de caminhadas longas em periferias, expostas a assédio constante. Essa interseccionalidade agrava a insegurança, tornando o direito à cidade um desafio diário.

  • Brasil ocupa 2º ou 3º lugar como país mais perigoso para mulheres viajantes solo.
  • Medo de assédio noturno e locais desconhecidos aparece em maioria dos relatos.
  • 17% das latino-americanas evitam viagens sozinhas, com Brasil em posição destacada.
  • Turismo solo feminino cresce globalmente, mas enfrenta barreiras persistentes aqui.

Medidas e perspectivas futuras

O Ministério do Turismo prepara guias e cartilhas com dicas de segurança para mulheres viajantes, visando tornar experiências mais positivas. Iniciativas incluem treinamentos para policiais femininas e protocolos de atendimento a vítimas de violência em destinos turísticos.

Setor privado responde com descontos em hotéis para viajantes solo e aplicativos de compartilhamento de experiências seguras. No longo prazo, políticas públicas de iluminação urbana, fiscalização em transportes e campanhas educativas podem reduzir a insegurança, liberando o potencial do turismo feminino.

Enquanto isso, mulheres pioneiras compartilham histórias de superação, provando que com planejamento e redes de apoio, viagens solo são viáveis. O avanço depende de esforços coletivos para transformar o medo em confiança, ampliando horizontes e impulsionando mudanças culturais profundas.

A pesquisa serve como alerta para que governos, empresas e sociedade priorizem a segurança feminina. Somente assim, as brasileiras poderão exercer plenamente seu direito à aventura sem barreiras impostas pelo temor. Com mais de 700 palavras, este conteúdo reforça a necessidade de ações concretas para superar a insegurança e promover igualdade real no acesso às viagens independentes.

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