O técnico Hélio dos Anjos exigiu mais intensidade física e mental do elenco alvirrubro.
(Imagem: gerado por IA)
O clima nos vestiários do Náutico após a derrota por 2 a 0 para o Sport, no primeiro Clássico dos Clássicos desta edição da Série B, foi de tudo, menos de conformismo. Em uma entrevista coletiva marcada pela crueza nas palavras, o técnico Hélio dos Anjos não apenas lamentou o resultado negativo deste sábado (30), mas promoveu um verdadeiro choque de realidade no elenco alvirrubro.
Apesar de o Timbu ter apresentado uma melhora considerável de volume no segundo tempo, chegando a ser aplaudido por uma parcela da torcida na Ilha do Retiro, Hélio foi categórico ao rejeitar qualquer tipo de condescendência. Para o treinador, a postura apresentada, especialmente na etapa inicial, foi incompatível com a grandeza da instituição e as pretensões do clube na competição nacional.
A ditadura dos números: a falta de intensidade física
Para sustentar sua insatisfação, o comandante alvirrubro recorreu ao monitoramento de desempenho dos atletas. Hélio revelou que os dados de GPS confirmaram o que seus olhos viram da beira do gramado: uma equipe apática e com baixa mobilidade. O diagnóstico foi preciso e doloroso para o grupo.
"Nós tivemos um jogador acima de 11 km de volume, apenas um. Normalmente, em nossos padrões, temos três ou quatro jogadores atingindo essa marca. Eu não gostei. Eu acho que nos tornamos um pouco pequenos no primeiro tempo. E os atletas sabem disso, sabem da luta que é para equilibrar a grandeza do Náutico com a entrega em campo", detalhou o treinador, expondo a fragilidade física da equipe nos primeiros 45 minutos.
Guerra contra o preciosismo e as "firulas"
Outro ponto que gerou forte irritação em Hélio dos Anjos foi a falta de objetividade. Em um momento de desabafo sobre a estética do jogo em detrimento da eficiência, o técnico revelou ter dado uma bronca pesada no vestiário sobre lances de efeito que não resultam em progressão ou perigo real ao adversário.
"Não gosto da firula que o meu jogador fez. Podem dizer que o futebol é bonito, que é legal... Deixa fazer p@## nenhuma! Não faça. Sinal de grandeza é você fazer o gol. Não é ficar com bobagem e acabar criando um problema para nós mesmos", disparou o treinador, deixando claro que o futebol ornamental não terá espaço sob o seu comando se não houver efetividade.
Blindagem contra desculpas externas
Antes mesmo do apito inicial, o Náutico enfrentou problemas logísticos. Por questões de segurança determinadas pela Polícia Militar, o ônibus da delegação precisou alterar a rota, o que gerou um atraso de 20 minutos. Os jogadores precisaram desembarcar longe da entrada principal e caminhar até o estádio. Além disso, uma fumaça preta na área destinada aos visitantes causou desconforto aos torcedores e profissionais.
No entanto, Hélio se recusou a usar os incidentes como muleta para o desempenho técnico. "Nada disso, na minha visão, interferiu no jogo. O jogo nosso foi péssimo no primeiro tempo. Os números foram horríveis. O grupo sabe disso e não vamos nos esconder atrás de fatores externos", pontuou com firmeza.
Foco no Fortaleza e a busca pela mentalidade vencedora
Sem tempo para remoer o clássico, o Náutico já se prepara para um desafio de peso na próxima terça-feira (9). O compromisso será contra o Fortaleza, às 19h, no estádio Esportes da Sorte Aflitos. Para Hélio, o confronto é a oportunidade ideal para provar que a lição foi aprendida.
O treinador encerrou sua fala projetando um nível de exigência ainda maior para a sequência da temporada. "O Fortaleza vai dar a vida nesse jogo porque pensa grande, e é exatamente isso que eu quero que o Náutico faça. Quero que pense grande, que se comporte como gigante. Não há terra arrasada, mas não aceitarei menos do que a excelência", concluiu o técnico, sinalizando que mudanças na postura e possivelmente na escalação, podem ocorrer nos próximos dias.