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Economia

Mercado prevê corte da Selic para 14,75% e reajusta expectativas para inflação, PIB e dólar em 2026

16 mar 2026 - 15h07 Joice Gomes   atualizado às 15h08
Mercado prevê corte da Selic para 14,75% e reajusta expectativas para inflação, PIB e dólar em 2026 Mercado estima corte de 0,25 ponto na Selic nesta semana, com juros em 14,75% ao ano e revisão das projeções para inflação, PIB e dólar. (Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O mercado financeiro passou a projetar um corte mais moderado da taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária marcada para esta semana. A expectativa predominante é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 15% para 14,75% ao ano, segundo as estimativas reunidas no boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira .

A mudança de expectativa chama atenção porque, até a semana anterior, a previsão era de uma queda maior, de 0,5 ponto percentual. A revisão reflete um cenário de maior cautela, com pressão renovada sobre as projeções de inflação e incertezas vindas do ambiente internacional, especialmente pela alta do petróleo em meio à guerra no Irã .

Selic segue em nível restritivo

Mesmo com a expectativa de início do ciclo de cortes, a taxa de juros brasileira continua em um patamar elevado. A Selic atual, de 15% ao ano, está no maior nível desde julho de 2006, quando havia alcançado 15,25% ao ano, o que mostra a intensidade do aperto monetário adotado para conter a inflação .

Na ata da reunião anterior, o colegiado do Banco Central sinalizou que poderia começar a reduzir os juros no encontro de março, desde que o comportamento da inflação continuasse sob controle e o cenário econômico não apresentasse surpresas negativas. Ainda assim, a orientação é de manutenção de uma política monetária restritiva, o que significa crédito mais caro e menor estímulo ao consumo no curto prazo .

Na prática, a Selic funciona como a principal referência para os custos de financiamento no país. Quando sobe, tende a encarecer empréstimos, reduzir a demanda e aliviar a pressão sobre os preços. Quando cai, pode favorecer a atividade econômica, ampliar o consumo e estimular investimentos, embora também reduza parte do freio sobre a inflação .

Inflação volta ao centro do debate

A revisão na expectativa para os juros veio acompanhada de piora nas projeções inflacionárias para este ano. O mercado elevou a estimativa para o IPCA de 2026 de 3,91% para 4,1%, ainda dentro do intervalo de tolerância da meta contínua de inflação, fixada em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo .

Isso significa que o teto admitido para o índice é de 4,5%, e a projeção atual, embora permaneça dentro desse limite, se aproxima de uma zona que exige atenção maior da política monetária. Para 2027, a expectativa ficou em 3,8%, enquanto para 2028 e 2029 a projeção é de 3,5% em ambos os anos .

Os dados mais recentes de inflação ajudam a explicar essa cautela. Em fevereiro, o IPCA avançou 0,7%, acima do registrado em janeiro, quando havia ficado em 0,33%, impulsionado principalmente pelos grupos de transportes e educação. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,81% .

O que muda nas projeções para a economia

Além dos juros e da inflação, o boletim Focus trouxe ajustes para outros indicadores relevantes. A previsão para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,13% para 12,25% ao ano, mostrando que o mercado agora espera um processo de redução mais lento. Para 2027, a projeção é de 10,5%; para 2028, de 10%; e para 2029, de 9,5% .

No caso da atividade econômica, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 passou de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a projeção ficou em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 a expectativa é de expansão de 2% em cada ano .

O ponto de partida para essa leitura é o desempenho recente da economia. Em 2025, o país cresceu 2,3%, com avanço em todos os setores e destaque para a agropecuária, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento, de acordo com os dados mencionados no texto .

No câmbio, a estimativa do mercado aponta dólar a R$ 5,40 no fim de 2026 e a R$ 5,47 no encerramento de 2027. Esse movimento também entra no radar porque a taxa de câmbio influencia custos de importação, preços administrados e expectativas inflacionárias, especialmente em momentos de tensão externa .

  • A expectativa central do mercado é de corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta semana, de 15% para 14,75% ao ano .
  • A projeção de inflação para 2026 subiu para 4,1%, ainda dentro da banda da meta, mas mais próxima do limite superior .
  • O mercado passou a prever Selic de 12,25% no fim de 2026, acima da estimativa anterior de 12,13% .
  • A previsão para o PIB de 2026 foi ajustada para 1,83%, e a cotação esperada do dólar no fim do ano ficou em R$ 5,40 .

O cenário desenhado pelas projeções mostra um Banco Central diante de uma combinação delicada: inflação ainda comportada, mas com sinais de pressão; atividade econômica em ritmo moderado; e um ambiente internacional que pode dificultar um alívio mais rápido dos juros. Se a expectativa do mercado se confirmar, o corte desta semana deve marcar o início de uma redução gradual da Selic, sem abrir espaço, por enquanto, para uma queda mais intensa do custo do dinheiro no país .

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