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Copom decide Selic sob pressão do petróleo e mercado espera primeiro corte de juros em dois anos

18 mar 2026 - 08h53 Joice Gomes   atualizado às 08h55
Copom decide Selic sob pressão do petróleo e mercado espera primeiro corte de juros em dois anos Copom se reúne nesta quarta com Selic em 15% ao ano, inflação ainda sob atenção e pressão do petróleo no cenário externo. (Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne nesta quarta-feira para definir a taxa básica de juros em um ambiente mais tenso no cenário internacional, marcado pela pressão sobre o preço do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio. Ainda assim, a expectativa predominante no mercado financeiro é de que a Selic tenha o primeiro corte em dois anos, com redução de 0,25 ponto percentual, saindo de 15% para 14,75% ao ano.

A decisão ganha peso extra porque ocorre num momento em que a política monetária tenta equilibrar sinais mistos. De um lado, a inflação em 12 meses perdeu força e ficou abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. De outro, o conflito externo elevou incertezas sobre combustíveis, expectativas inflacionárias e o ritmo mais adequado para começar a flexibilização dos juros.

Expectativa foi reduzida após agravamento externo

Na ata da reunião de janeiro, o Copom havia indicado a intenção de iniciar os cortes da Selic em março. O avanço do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, porém, alterou a percepção do mercado sobre a intensidade desse movimento e levou parte das instituições financeiras a considerar até mesmo um adiamento do início da redução.

Segundo a edição mais recente do boletim Focus, a projeção central passou a ser de corte de 0,25 ponto percentual. Antes do início da crise geopolítica, a aposta predominante era de uma redução maior, de 0,5 ponto, o que mostra como o cenário internacional voltou a influenciar de forma direta as expectativas para a política monetária brasileira.

O encontro também chama atenção por ocorrer com a composição do colegiado incompleta. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, terminaram no fim de 2025, e as indicações dos substitutos ainda devem ser encaminhadas ao Congresso nas próximas semanas.

Inflação continua no centro da decisão

Os dados mais recentes mostram um quadro que exige cautela. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, acelerou para 0,7% em fevereiro, pressionada principalmente pelos gastos com educação. Apesar disso, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, sinalizando alguma acomodação em relação aos meses anteriores.

Ao mesmo tempo, as projeções para 2026 já começaram a refletir os riscos do novo choque externo. O boletim Focus elevou a estimativa de inflação de 3,8% para 4,1%, patamar ainda abaixo do teto da meta contínua, mas mais próximo do limite de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional.

Pelo sistema em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, isso significa que a inflação pode oscilar entre 1,5% e 4,5%, e a apuração passou a ser feita mês a mês com base no acumulado em 12 meses, em vez de considerar apenas o índice fechado de dezembro.

O que está em jogo para crédito, consumo e atividade

A Selic é a principal referência para os juros da economia e influencia desde o custo do crédito até decisões de consumo, investimento e poupança. Quando sobe, tende a esfriar a demanda e ajudar no controle de preços; quando cai, abre espaço para crédito mais barato, maior circulação de recursos e estímulo à atividade econômica, embora com menor rigidez sobre a inflação.

Isso não significa, porém, uma transmissão imediata e automática para o bolso do consumidor. Os bancos também consideram fatores como inadimplência, custos administrativos e margem de lucro para definir as taxas cobradas em empréstimos e financiamentos, o que faz com que os efeitos da política monetária sejam graduais.

Neste momento, o Banco Central precisa calibrar sua decisão entre dois vetores. Um deles é o enfraquecimento parcial da inflação acumulada. O outro é o risco de que a alta do petróleo e dos combustíveis volte a contaminar preços e expectativas, dificultando um ciclo mais rápido de cortes nos juros.

  • A Selic está em 15% ao ano, maior nível desde julho de 2006, quando a taxa era de 15,25%.
  • De setembro de 2024 a junho de 2025, houve sete altas seguidas da taxa básica, seguidas de quatro reuniões sem alteração.
  • O mercado espera corte de 0,25 ponto nesta quarta, para 14,75% ao ano.
  • A inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,81%, enquanto a projeção para 2026 subiu para 4,1%.
  • O teto da meta contínua é de 4,5%, dentro de um centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

A sinalização que sair da reunião deve ser tão importante quanto a decisão em si. Se o Copom confirmar o corte e mantiver uma comunicação cautelosa, a leitura tende a ser de início de afrouxamento monetário sob forte vigilância inflacionária. Se optar por um tom mais duro, o mercado pode entender que o espaço para novas reduções seguirá limitado enquanto o cenário externo continuar pressionando os preços de energia.

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