Trabalho doméstico formal no Brasil apresenta valorização salarial e mudanças no perfil das ocupações em 2025.
(Imagem: gerado por IA)
O mercado de trabalho doméstico no Brasil encerrou 2025 com um marco importante para a categoria: a remuneração média real superou a barreira dos R$ 2 mil. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), extraídos do painel do eSocial, o valor médio saltou de R$ 1.949,06 em 2024 para R$ 2.047,92 em dezembro do último ano.
Equilíbrio entre formalização e ganhos reais
Embora o número total de vínculos formais tenha registrado uma leve oscilação negativa — passando de 1,34 milhão para 1,30 milhão de registros ativos —, a valorização financeira demonstra um amadurecimento do setor. Esse movimento reflete a adaptação das famílias às novas exigências do mercado e uma busca por maior estabilidade na contratação de profissionais domésticos.
Quais funções ganham mais no setor doméstico?
A disparidade salarial dentro da categoria é acentuada pelo nível de especialização. Enquanto a maior parte dos trabalhadores atua em serviços gerais com média de R$ 1.952,44, funções específicas têm puxado os índices para cima. Cuidadores de idosos, por exemplo, recebem em média R$ 2.281,78, enquanto motoristas particulares alcançam a marca de R$ 3.142,17.
O destaque absoluto em termos de remuneração fica para os enfermeiros domésticos. Embora o grupo conte com menos de 500 vínculos formais, a média salarial da ocupação chega a R$ 4.813,10, evidenciando a alta valorização de profissionais com formação técnica no ambiente domiciliar.
Perfil do trabalhador e desigualdades regionais
As mulheres continuam sendo a base do setor, representando 88,64% dos postos de trabalho. Os dados também revelam um amadurecimento da força de trabalho, com a maior concentração de vínculos na faixa etária entre 50 e 59 anos. Quanto à escolaridade, a maioria dos profissionais já possui o ensino médio completo.
Geograficamente, os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro lideram o volume de contratações. No entanto, o MTE alerta para a manutenção de desigualdades regionais: os estados do Sul e Sudeste mantêm médias salariais superiores, enquanto o Norte e Nordeste ainda apresentam valores mais baixos, acompanhando as dinâmicas econômicas locais.
A tendência para o futuro próximo é que a demanda por cuidadores continue pressionando os salários para cima, acompanhando o envelhecimento da população brasileira e a necessidade de serviços especializados em domicílio.