Novo Desenrola Brasil permite uso do FGTS e oferece descontos agressivos para quem ganha até 5 salários mínimos.
(Imagem: gerado por IA)
Começa a valer nesta terça-feira a nova fase do Desenrola Brasil, programa do Governo Federal focado em tirar milhões de brasileiros da inadimplência. Batizada de Desenrola 2.0, a iniciativa chega com condições agressivas de renegociação, incluindo descontos que podem chegar a 90% do valor total do débito e uma novidade aguardada: a possibilidade de utilizar o saldo do FGTS para abater as parcelas.
O objetivo central da medida é reduzir o comprometimento da renda das famílias, que hoje atinge níveis alarmantes. Segundo dados do Banco Central, quase 30% do orçamento médio do brasileiro é consumido apenas pelo pagamento de juros e prestações, o maior patamar desde 2005. Com o novo fôlego, o Ministério da Fazenda estima que o desconto médio aplicado nas negociações gire em torno de 65%.
Quem pode participar e quais dívidas são aceitas?
O programa é voltado para brasileiros com renda de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105). Podem ser renegociadas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, que estejam em atraso por um período entre 90 dias e dois anos. Estão no radar débitos com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
As condições são facilitadas: a taxa de juros máxima foi fixada em 1,99% ao mês, com prazo de parcelamento em até 48 meses. Além disso, o consumidor tem até 35 dias para pagar a primeira parcela após o fechamento do acordo. O limite para a nova dívida, já com os descontos aplicados, é de R$ 15 mil por pessoa em cada instituição financeira.
Uso do FGTS e restrição a apostas: as novidades do programa
Uma das grandes inovações desta etapa é a permissão para que o trabalhador utilize sua poupança do FGTS para reduzir o endividamento. O cidadão poderá sacar 20% do saldo de sua conta ou até R$ 1 mil (o que for maior) para quitar dívidas de forma parcial ou integral. A regra, porém, exige que a renegociação seja feita dentro do Desenrola, garantindo que o banco aplique os descontos obrigatórios antes de receber o recurso do fundo.
Outro ponto que chama a atenção é a contrapartida social e financeira. Quem aderir ao Desenrola 2.0 terá o CPF bloqueado para uso em casas de apostas online (bets) por um período de 12 meses. A medida visa proteger o orçamento familiar e garantir que o alívio financeiro não seja drenado pelo jogo. Paralelamente, as instituições financeiras são obrigadas a limpar o nome de quem possui dívidas de até R$ 100 imediatamente.
Renegociação para estudantes, produtores rurais e empresas
O Desenrola 2.0 não se limita apenas ao crédito bancário tradicional. O programa traz condições especiais para outros setores:
- Fies: Estudantes inadimplentes podem conseguir descontos de até 99% no valor total da dívida, caso estejam no CadÚnico e com atrasos superiores a 360 dias. Para os demais, o desconto chega a 77%.
- Desenrola Rural: Focado na agricultura familiar, o programa permite a regularização de dívidas antigas até dezembro de 2026, visando reintegrar o pequeno produtor ao mercado de crédito.
- Microempresas (Pronampe e Procred): O prazo para pagamento subiu de 72 para 96 meses, com carência estendida para até 24 meses. Empresas lideradas por mulheres ganharam limites de crédito ainda maiores.
Para o setor público e aposentados, as regras de consignado também mudaram. A margem consignável total foi ajustada para 40%, limitando o peso de cartões de benefício e estendendo os prazos de pagamento para até 120 meses no caso de servidores federais.
Como renegociar com segurança?
A orientação oficial é que os interessados busquem diretamente os canais oficiais dos bancos onde possuem a dívida. É fundamental evitar links de terceiros ou intermediários que cobram taxas para fazer a negociação. O processo é gratuito e deve ser realizado preferencialmente pelos aplicativos e sites das instituições financeiras que aderiram ao programa.
O impacto esperado é uma melhora significativa no consumo interno, já que o governo diagnostica que a economia tem crescido, mas o brasileiro médio ainda não sente o benefício no bolso devido ao peso dos juros acumulados no passado.