Novo programa de renegociação do Fies deve beneficiar mais de 1 milhão de estudantes inadimplentes em todo o país.
(Imagem: gerado por IA)
O Governo Federal anunciou uma medida aguardada por milhões de brasileiros que sofrem com o peso das mensalidades atrasadas do ensino superior: a inclusão das dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) no programa Desenrola Brasil 2026. A iniciativa, confirmada nesta segunda-feira, traz condições agressivas de quitação, com abatimentos que podem chegar a 99% do valor consolidado do débito, oferecendo uma rota de fuga para quem está com o nome sujo e o orçamento comprometido.
A decisão de incluir o crédito universitário no pacote de renegociações partiu de uma diretriz direta da presidência, visando reduzir o estrangulamento financeiro de jovens recém-formados ou que interromperam os estudos. Atualmente, o cenário é crítico: dos R$ 89,9 bilhões que compõem a carteira total do Fies, cerca de R$ 57,9 bilhões referem-se a contratos em situação de inadimplência. Na prática, isso significa que mais da metade do valor emprestado pelo programa não está sendo devolvido aos cofres públicos no prazo estipulado.
Regras e faixas de desconto
Para quem deseja limpar o nome, o programa foi dividido de acordo com o tempo de atraso e o perfil do devedor. A maior vantagem é destinada aos cidadãos inscritos no Cadastro Único para Benefícios Sociais (CadÚnico). Nestes casos, para dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias, o desconto é de 99% sobre o valor total (incluindo principal, juros e multas), permitindo a liquidação integral do saldo devedor por uma fração mínima do custo original.
Para os estudantes que também possuem atrasos superiores a um ano, mas que não fazem parte do CadÚnico, o abatimento ainda é significativo, chegando a 77% do valor total da dívida. Já para os casos de inadimplência mais recente, entre 90 e 360 dias, o governo oferece duas opções principais: o pagamento à vista com desconto de 12% sobre o valor principal (além do perdão total de juros e multas) ou o parcelamento em até 150 vezes, mantendo a isenção de encargos extras.
O impacto no bolso do estudante
Os números mostram a gravidade da situação para o brasileiro médio. Segundo dados do Ministério da Educação, o saldo devedor médio para contratos com atraso superior a um ano gira em torno de R$ 51 mil. Sem o programa, muitos desses beneficiários enfrentariam décadas de restrição de crédito. Com a aplicação do desconto de 99% via Desenrola, uma dívida de R$ 50 mil poderia ser liquidada com apenas R$ 500, representando uma chance real de reintegração econômica para mais de 1 milhão de pessoas.
Como realizar a renegociação
O processo de adesão será realizado de forma majoritariamente digital para garantir agilidade. O interessado deverá acessar o portal oficial do Ministério da Educação (MEC) ou utilizar os canais de atendimento dos bancos agentes financeiros do programa, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. É fundamental que o estudante verifique se seus dados estão atualizados, especialmente se houver direito ao benefício via CadÚnico, o que garante o teto máximo de desconto.
A expectativa é que o mutirão de renegociações comece nos próximos dias, logo após a publicação da regulamentação detalhada no Diário Oficial. Além de recuperar parte da liquidez do fundo, o governo espera que a medida ajude a aquecer a economia, devolvendo o poder de consumo e a capacidade de investimento a uma parcela jovem e produtiva da população que hoje se encontra travada por débitos estudantis.