Representação editorial do sistema elétrico com fontes renováveis; o ONS acionou plano emergencial para reduzir geração excedente e preservar a segurança do SIN.
(Imagem: gerado por IA)
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou no domingo (23) uma medida emergencial para reduzir temporariamente a geração de energia elétrica e evitar excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional (SIN). Foi a segunda vez em 2026 que esse tipo de ação precisou ser adotado.
A restrição ocorreu entre 11h e 13h30, período em que a demanda estava mais baixa e a produção de fontes renováveis permanecia elevada. Segundo o ONS, a medida foi necessária para preservar o equilíbrio entre geração e consumo e manter a segurança operacional do sistema.
A ação não provocou interrupção no fornecimento de energia aos consumidores. O procedimento consistiu em reduzir parte da produção excedente, principalmente de agentes conectados às redes de distribuição, até que as condições do sistema voltassem a níveis seguros.
Por que o ONS precisou reduzir a geração
O sistema elétrico precisa manter, em tempo real, um equilíbrio entre a quantidade de energia produzida e a quantidade consumida. Quando a geração supera de forma significativa a demanda, o operador pode determinar cortes temporários de produção para evitar instabilidades.
Esse cenário tem se tornado mais relevante com a expansão acelerada das fontes solar e eólica, cuja produção pode ser elevada em determinados horários, enquanto o consumo nacional permanece baixo.
Na ocorrência de domingo, o ONS acionou um esquema operacional para diminuir a geração excedente e evitar sobrecarga no sistema. A restrição foi suspensa às 13h30, quando o equilíbrio entre oferta e demanda foi restabelecido.
Segunda ocorrência do ano
Esta foi a segunda vez em 2026 que o ONS adotou uma medida desse tipo. A primeira ocorreu em 7 de junho, também em um contexto de baixa demanda e excesso de geração.
As duas ocorrências reforçam um desafio crescente para a operação do sistema elétrico brasileiro: administrar a expansão da geração renovável distribuída e centralizada sem comprometer a estabilidade da rede.
Consumidores não tiveram corte de energia
Apesar da redução temporária na produção, não houve desligamento de consumidores nem interrupção programada de fornecimento. A medida foi aplicada do lado da geração, justamente para preservar a continuidade e a segurança do serviço.
O ONS segue monitorando o comportamento da demanda e da oferta de energia em todo o país. Em situações de desequilíbrio, o operador pode voltar a adotar restrições temporárias de geração conforme os procedimentos previstos para a segurança do Sistema Interligado Nacional.
A expansão das fontes renováveis aumenta a oferta de energia limpa, mas também exige mais flexibilidade operacional, capacidade de armazenamento e aperfeiçoamento das redes para que o sistema consiga absorver grandes volumes de produção em horários de menor consumo.