Ondas fortes atingem a mureta da Ponta da Praia durante ressaca em Santos.
(Imagem: Reprodução/Divulgação)
Alerta vermelho na orla: a força do mar na Baixada Santista
A aproximação de uma intensa massa de ar polar associada a uma frente fria mudará drasticamente o cenário climático no litoral paulista. A partir desta data, a Defesa Civil de Santos e a Marinha do Brasil emitiram um alerta rigoroso para ressaca marítima. A expectativa é que as ondas ultrapassem a marca de três metros de altura na baía de Santos, gerando preocupação imediata para moradores, motoristas e profissionais do setor marítimo.
O fenômeno é impulsionado por fortes ventos vindos do quadrante sul, que podem registrar rajadas superiores a 60 km/h. Essa combinação de vento forte e maré alta eleva drasticamente o risco de invasão da água da pista na tradicional avenida da Ponta da Praia. O tráfego de veículos nessa região, inclusive, pode passar por bloqueios preventivos pela CET Santos caso as águas comecem a transpor a barreira de contenção.
Impactos logísticos: balsas e Porto de Santos no radar
Além do espetáculo visual assustador e perigoso na orla, a ressaca impacta diretamente a rotina de quem depende do transporte marítimo. A travessia de balsas entre Santos e Guarujá entra em estado de atenção. Sob condições extremas de mar agitado e ventos cruzados, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) pode suspender temporariamente as operações, gerando reflexos imediatos no trânsito das cidades vizinhas.
O maior complexo portuário da América Latina também monitora a situação de perto. A praticagem e a Autoridade Portuária de Santos (APS) avaliam a viabilidade de entrada e saída de navios de grande porte. Ondas de grande magnitude no canal de navegação dificultam as manobras e podem interromper momentaneamente as atividades no Porto de Santos, provocando atrasos na cadeia logística nacional.
O histórico de ressacas e as defesas urbanas de Santos
A vulnerabilidade da Ponta da Praia a esse tipo de evento meteorológico é um desafio histórico para a administração municipal. Em anos anteriores, ressacas violentas destruíram calçadões, invadiram garagens de edifícios e causaram severa erosão costeira. Para mitigar esses danos, a prefeitura instalou barreiras submersas formadas por sacos de areia gigantes (geobags) e realizou o engordamento da praia em trechos críticos.
Essas estruturas agora enfrentam mais um teste de fogo. Engenheiros e geólogos da Defesa Civil destacam que o pico da ressaca costuma coincidir com a preamar (maré cheia máxima). Por isso, o monitoramento visual e por sensores é contínuo, permitindo respostas rápidas em caso de colapso de alguma barreira protetora.
Recomendações cruciais de segurança para a população
O poder público pede cautela máxima aos cidadãos. A recomendação da Defesa Civil é evitar a prática de esportes náuticos, como surfe, stand-up paddle e canoagem, durante o período de vigência do alerta. Pescadores artesanais devem manter suas acompanhadas embarcações devidamente ancoradas e evitar saídas ao mar aberto.
Para os pedestres, o aviso é claro: não se aproximar das muretas da Ponta da Praia para fotografar ou observar a força das ondas. A força de uma onda de três metros é suficiente para arrastar um adulto facilmente. Motoristas que circulam pela avenida litorânea devem redobrar a atenção, já que a presença de areia e água salgada na pista reduz drasticamente a aderência dos pneus.
A tendência para os próximos dias aponta para uma lenta dispersão do sistema de alta pressão. No entanto, os reflexos do mar agitado devem ser sentidos ao longo de todo o fim de semana. Com as mudanças climáticas globais potencializando eventos extremos, as cidades litorâneas brasileiras aceleram o planejamento de obras de engenharia costeira resilientes para enfrentar cenários frequentes de elevação do nível do mar.