Representação editorial dos desafios de jovens brasileiros na transição entre educação, qualificação e mercado de trabalho.
(Imagem: gerado por IA)
A proporção de jovens brasileiros de 18 a 24 anos que não estudam, não trabalham nem participam de formação profissional caiu para 22,4%, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 2016, o indicador estava em 26,8%, uma redução de 4,4 pontos percentuais que sinaliza melhora na inserção educacional e profissional dessa faixa etária.
O avanço, porém, convive com um desafio estrutural. Entre brasileiros de 25 a 34 anos, 26% ainda não concluíram o ensino médio, percentual superior ao dobro da média de 12% registrada entre os países da OCDE. O contraste mostra que reduzir o grupo conhecido como “nem-nem” não resolve, sozinho, as lacunas de escolaridade acumuladas ao longo da juventude.
Queda do indicador é positiva, mas Brasil segue distante
O percentual de jovens fora do estudo, do emprego e da qualificação é usado internacionalmente para medir dificuldades na transição entre escola e mercado de trabalho. Quanto mais tempo uma pessoa permanece desconectada dessas duas dimensões, maior pode ser o risco de perda de renda, atraso profissional e dificuldade de retorno aos estudos.
A redução brasileira desde 2016 indica que mais jovens passaram a estudar, trabalhar ou buscar qualificação. Ainda assim, o patamar de 22,4% significa que mais de um em cada cinco jovens de 18 a 24 anos permanece fora dessas atividades.
Conclusão do ensino médio continua sendo gargalo
Os dados sobre adultos jovens ajudam a dimensionar outro lado do problema. Não concluir o ensino médio pode limitar o acesso ao ensino superior, à formação técnica e a ocupações com maior remuneração e estabilidade.
O desafio envolve permanência escolar, recuperação de aprendizagem, condições econômicas das famílias e oportunidades de conciliar estudo e trabalho. Jovens que deixam a escola para gerar renda, por exemplo, podem encontrar barreiras maiores para retomar a trajetória educacional mais tarde.
Formação profissional pode encurtar distância até o emprego
Programas de educação profissional e tecnológica são uma das ferramentas para aproximar jovens das necessidades do mercado sem abandonar a formação geral. Quando articulados ao ensino médio e a políticas de emprego, esses programas podem facilitar a entrada em ocupações formais e ampliar perspectivas de renda.
O retrato da OCDE, portanto, reúne duas mensagens: o Brasil avançou ao reduzir a parcela de jovens desconectados de estudo e trabalho, mas ainda carrega uma proporção elevada de adultos jovens sem ensino médio completo. A continuidade da melhora dependerá não apenas da criação de vagas de emprego, mas da capacidade de manter jovens na escola e oferecer caminhos de qualificação com perspectiva real de inserção profissional.