Segundo a universidade, as penalidades variaram de acordo com as responsabilidade individualmente identificadas de cada envolvido.
(Imagem: Unoeste/Divulgação)
A Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) anunciou nesta quinta-feira (15) a aplicação de suspensões e expulsões a estudantes envolvidos na elaboração de um chamado “ranking sexual” de colegas do curso de Psicologia, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. As punições foram definidas após o encerramento de uma investigação administrativa conduzida pela instituição.
O episódio ganhou repercussão nacional em agosto, quando veio à tona a exposição de alunas em uma classificação de teor sexual elaborada por colegas homens. O caso provocou questionamentos sobre respeito, privacidade e segurança no ambiente universitário. Além das providências internas, a situação é investigada pela Polícia Civil, cujo inquérito permanece em andamento.
O que a Unoeste decidiu?
Segundo comunicado da universidade, as sanções variaram de suspensão a expulsão. A instituição afirmou que avaliou as responsabilidades individualmente identificadas, o que significa que nem todos os envolvidos receberam necessariamente a mesma penalidade.
A Unoeste não divulgou quantos alunos foram suspensos ou expulsos. Também informou que não tornará públicos nomes, depoimentos, documentos ou outros dados individuais relacionados ao procedimento, em razão da privacidade dos envolvidos e do caráter confidencial da apuração.
A ausência desses detalhes impede afirmar quantas pessoas foram diretamente responsabilizadas ou quais condutas específicas motivaram cada punição. O resultado anunciado diz respeito ao procedimento disciplinar universitário, e não a uma condenação criminal.
Investigação policial continua
A Polícia Civil abriu uma investigação sobre o episódio, que ainda não foi encerrada. A apuração criminal segue um caminho distinto das medidas acadêmicas: enquanto a universidade examina o descumprimento de suas regras de convivência, as autoridades policiais investigam se houve práticas previstas como crime e quem pode ser responsabilizado.
Até o momento, não há informação confirmada sobre conclusão do inquérito ou eventual decisão judicial. A divulgação das penalidades acadêmicas não permite antecipar o resultado das investigações policiais.
Universidade promete acolhimento e prevenção
Ao comunicar o encerramento da apuração interna, a Unoeste afirmou ter adotado medidas de acolhimento e acompanhamento desde que tomou conhecimento dos fatos. A instituição declarou repudiar situações de violência, constrangimento e exposição sem consentimento e anunciou a continuidade de ações de orientação e prevenção.
O episódio também evidencia a gravidade da circulação de fotografias e informações pessoais em conteúdos que constrangem ou sexualizam pessoas sem autorização. Em ambientes acadêmicos, esse tipo de exposição pode atingir não apenas a privacidade, mas a permanência, o bem-estar e a segurança de quem é alvo da conduta.
O que ainda falta esclarecer?
Com a decisão disciplinar anunciada, permanecem abertas questões de interesse público: o número de estudantes punidos, o resultado da investigação policial e as medidas permanentes de proteção às alunas. A universidade optou por manter em sigilo os dados individuais do procedimento, e não há confirmação pública de desfecho na esfera criminal.
O Diário da Baixada continuará acompanhando eventuais manifestações oficiais e os desdobramentos do caso, preservando a identidade das estudantes expostas.