Santos inicia obras de nova estação para combater enchentes na Zona Noroeste.
(Imagem: Diego Matos/Prefeitura de Santos)
A Zona Noroeste de Santos, uma das regiões historicamente afetadas por enchentes durante temporais e maré alta, começou a receber uma nova obra de drenagem. A futura Estação Elevatória com Comportas 0 (EEC 0), em implantação no Saboó, terá capacidade projetada para bombear 5 mil litros de água por segundo e deverá melhorar o escoamento na entrada da cidade, especialmente na Avenida Nossa Senhora de Fátima.
Os serviços iniciais já estão em andamento e envolvem preparação do terreno, estabilização do solo e infraestrutura para receber os equipamentos. A primeira etapa tem previsão de conclusão no segundo semestre de 2027. Até lá, a estação ainda não está em operação e não deve ser considerada uma solução imediata para os alagamentos atuais.
Onde ficará a nova estação contra enchentes em Santos?
A EEC 0 está sendo implantada nas proximidades do km 65 da Via Anchieta, sentido Santos, perto de um supermercado e da região de acesso à cidade. O projeto busca captar água de parte do Saboó e da Vila Haddad, além de atender pontos vulneráveis próximos à Avenida Nossa Senhora de Fátima, corredor utilizado diariamente por motoristas, ônibus, ciclistas e veículos de carga.
A área foi cedida pelo Governo do Estado. A intervenção integra o conjunto de melhorias previsto para a entrada de Santos e se conecta ao planejamento de macrodrenagem do município.
Como funcionará o bombeamento de 5 mil litros por segundo?
O sistema terá capacidade estimada de 5 metros cúbicos por segundo, equivalentes a 18 milhões de litros por hora. O projeto inclui estação de bombeamento, reservatório, estruturas operacionais e uma rede de drenagem de aproximadamente 360 metros, com duas tubulações paralelas de um metro de diâmetro cada.
Em situações de chuva intensa, a água captada será conduzida ao sistema para posterior bombeamento em direção ao estuário. A combinação de reservatórios e comportas é importante porque, em Santos, a maré alta pode dificultar a saída natural da água da chuva, agravando os alagamentos nas áreas mais baixas.
A capacidade nominal das bombas indica a vazão prevista em projeto, mas não significa que todos os alagamentos serão eliminados. O desempenho dependerá da conclusão das obras, da integração com a rede existente, da manutenção e das condições de cada temporal.
Em que fase está a construção da EEC 0?
Segundo os dados divulgados pela Prefeitura em 16 de outubro, aproximadamente 10% do projeto estava executado. As equipes já realizaram limpeza do canal de captação e reforço do solo com a técnica conhecida como jet grouting, que mistura o terreno a uma calda de cimento por meio de jatos de alta pressão para aumentar a estabilidade.
As próximas etapas incluem fundações, escavações, implantação das tubulações, construção das estruturas e instalação dos equipamentos de bombeamento e automação. A operação plena também depende da ligação dos dutos ao estuário.
Quem executa a obra e quanto custará?
A implantação da EEC 0 integra intervenções do Governo do Estado e é executada pela concessionária Ecovias Imigrantes. O projeto envolve cooperação com a MRS Logística e a Autoridade Portuária de Santos, porque a passagem das tubulações depende de áreas ligadas à operação ferroviária e portuária.
O trecho complementar de tubulação até o estuário será executado pela Prefeitura, com investimento estimado em R$ 35 milhões. Esse valor se refere à etapa complementar informada pelo município, não necessariamente ao custo total de todas as estruturas da EEC 0.
Outra estação também está sendo construída no Saboó
A Estação Elevatória com Comportas 6 (EEC 6) é uma obra distinta, embora complementar à EEC 0. Ela foi projetada para atender cerca de 2 quilômetros quadrados do Saboó e terá oito conjuntos de bombas com vazão total de 20 metros cúbicos por segundo.
Em outubro, a EEC 6 apresentava cerca de 12% de execução, com previsão de entrega em fevereiro de 2029. O investimento informado é de R$ 153,3 milhões, dos quais R$ 149,2 milhões são financiados pela Corporação Andina de Fomento (CAF), e o restante corresponde à contrapartida municipal.
A distinção entre as duas obras é fundamental: a EEC 0 deve atender principalmente a região da Nossa Senhora de Fátima, enquanto a EEC 6 foi planejada para outras áreas do Saboó.
Quando os moradores sentirão os efeitos das obras?
A expectativa é que a primeira etapa da EEC 0 seja concluída no segundo semestre de 2027. A melhoria efetiva depende da entrada em operação e da conclusão das conexões necessárias. Até esse momento, moradores e motoristas devem continuar acompanhando os alertas da Defesa Civil e evitando trechos inundados durante tempestades.
O plano municipal prevê, no longo prazo, um conjunto de 13 estações elevatórias e 14 sistemas de comportas. A EEC 7, que atende Castelo, Areia Branca e parte de São Vicente, já funciona desde 2023. As novas estruturas pretendem ampliar a proteção contra a combinação de chuvas fortes e maré alta na Zona Noroeste de Santos, problema que há décadas afeta a mobilidade e a rotina dos moradores.