O Rio de Janeiro distribui 33 mil doses da vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan.
(Imagem: Instituto Butantan/Divulgação)
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) começou na segunda-feira (23) a distribuição da nova vacina contra dengue para os 92 municípios fluminenses. Produzida pelo Instituto Butantan, a vacina chega em 33.364 doses, sendo 12.500 destinadas à capital. Essa ação marca o início de uma estratégia nacional para imunizar profissionais da linha de frente.
O Ministério da Saúde prioriza nessa primeira etapa os trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS. São cerca de 77 mil profissionais no estado, incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários e de combate a endemias. A medida busca proteger quem atua diretamente no combate às arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti.
Nova vacina protege contra todos os sorotipos
A vacina contra dengue do Butantan, conhecida como Butantan-DV, é a primeira do mundo em dose única e eficaz contra os quatro sorotipos do vírus. No Rio de Janeiro, predominam os tipos 1 e 2, mas autoridades monitoram o risco de reintrodução do sorotipo 3, ausente desde 2007 e presente em estados vizinhos. Essa vulnerabilidade pode agravar surtos locais.
Aprova pela Anvisa em novembro de 2025, a vacina facilita a logística de campanhas por exigir apenas uma aplicação. Estudos indicam proteção ampla, superior a imunizantes anteriores, e maior adesão populacional. O contrato com o Ministério da Saúde garante remessas iniciais de milhões de doses para o SUS.
- A vacina Butantan-DV é administrada em dose única para maiores de 12 anos.
- Protege contra sorotipos DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.
- Produção nacional reduz custos e acelera distribuição em emergências.
Situação epidemiológica atual no estado
Até 20 de fevereiro de 2026, o Rio registrou 1.198 casos prováveis de dengue, 56 internações e nenhum óbito confirmado. Os indicadores colocam os 92 municípios em nível de rotina, monitorados pela plataforma MonitoraRJ. Há ainda 41 casos prováveis de chikungunya, mas sem zika confirmada.
Após o carnaval, chuvas intensas e calor favorecem a proliferação do mosquito. Turistas podem introduzir novos sorotipos, ampliando riscos. Em 2024, o estado enfrentou epidemias severas, com quedas significativas em 2025 graças a vacinas como a Qdenga.
Mais de 758 mil doses da Qdenga, de origem japonesa e esquema de duas doses, foram aplicadas no Rio desde 2023. Dentre crianças de 10 a 14 anos, 360 mil receberam a primeira dose e 244 mil completaram o ciclo. Essa base fortalece a imunidade coletiva.
- Monitoramento inclui UPAs, leitos e testes rápidos.
- Lacen-RJ processa até 40 mil exames mensais para arboviroses.
- Ferramenta digital uniformiza tratamento clínico nas unidades.
Medidas preventivas e perspectivas futuras
Além da vacinação contra dengue, a SES-RJ reforça eliminação de criadouros. Recomenda-se verificar caixas d'água, calhas, pratos de plantas e recipientes a cada dez minutos semanais. Ovos do Aedes eclodem rápido com sol e chuva, acelerando ciclos no verão.
Investimentos incluem treinamentos, videoaulas e expansão laboratorial para diagnósticos de dengue, zika, chikungunya e oropouche. A integração de vigilância, imunização e controle vetorial visa evitar sobrecarga hospitalar. Com outono aproximando, o foco é manter baixos índices antes de picos sazonais.
Essa vacina contra dengue nacional representa avanço no PNI, ampliando proteção além da faixa etária da Qdenga. Próximas etapas podem incluir população geral de 12 a 59 anos, dependendo de suprimentos. Autoridades esperam redução de hospitalizações e custos com epidemias recorrentes.
O sucesso depende de adesão vacinal e hábitos preventivos. Populações vulneráveis, sem exposição prévia a sorotipos, ganham imunidade rápida. Assim, o Rio se posiciona para enfrentar arboviroses com ferramentas modernas e coordenadas.
- Elimine água parada em quintais e residências semanalmente.
- Capacitação contínua para manejo clínico da dengue.
- Parcerias internacionais aceleram oferta de doses extras.
Com dados em tempo real e estratégias proativas, o estado monitora evoluções. A chegada da vacina fortalece o arsenal contra um mal que afeta milhões anualmente no Brasil. Manter a rotina de prevenção garante saúde coletiva sustentável.