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Teste molecular

SUS troca Papanicolau por teste molecular que detecta 4 vezes mais casos de HPV

O novo teste molecular para HPV detecta 4 vezes mais casos que o Papanicolau e será o padrão do SUS em todo o Brasil até 2026. Saiba o que muda para as mulheres.

29 mai 2026 - 08h36 Joice Gomes   atualizado às 08h38
SUS troca Papanicolau por teste molecular que detecta 4 vezes mais casos de HPV O teste molecular de HPV passará a ser o exame padrão de rastreio no SUS, substituindo o tradicional Papanicolau. (Imagem: gerado por IA)

Mulheres que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para exames preventivos de câncer de colo de útero devem ficar atentas a uma mudança histórica no atendimento. O tradicional Papanicolau, método utilizado há décadas no Brasil, está sendo gradualmente substituído por um teste molecular para o HPV muito mais preciso. Um estudo recente conduzido em diversas regiões do país revelou que essa nova tecnologia é capaz de identificar quase quatro vezes mais casos de infecção pelo vírus do que o exame convencional.

Por que a mudança é um divisor de águas?

A pesquisa, que analisou mais de 4.100 amostras cervicais de mulheres entre 20 e 69 anos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, trouxe dados alarmantes e, ao mesmo tempo, esperançosos. Enquanto o Papanicolau apresentou uma taxa de positividade de apenas 5,7%, o teste molecular detectou a presença do vírus em cerca de 25% das amostras. Mais do que apenas encontrar o vírus, em 18% dos casos o novo exame identificou genótipos de alto risco, aqueles que têm uma ligação direta e agressiva com o desenvolvimento de tumores.

O grande diferencial do teste molecular é a sua sensibilidade diagnóstica. Enquanto o Papanicolau busca por alterações já existentes nas células, o novo método detecta o DNA do vírus. Isso significa que é possível saber se uma mulher está em risco muito antes de qualquer lesão aparecer, permitindo um acompanhamento preventivo muito mais eficaz e seguro.

A lacuna vacinal e o risco para mulheres acima de 35 anos

Um dos pontos mais sensíveis destacados pelo especialista em Citopatologia e Oncologia Molecular, Marco Zonta, responsável pelo estudo, é a vulnerabilidade de uma faixa etária específica. Mulheres entre 35 e 60 anos representam um grupo de maior preocupação, pois muitas delas não foram contempladas pelo programa nacional de vacinação contra o HPV, que teve início apenas em 2014.

Para esse grupo, o rastreamento rigoroso é a única linha de defesa eficiente. O estudo mostrou que a prevalência de tipos perigosos do vírus, como o HPV-16, ainda é alta nessa população. Com a implementação do teste molecular, o intervalo entre os exames também pode ser ampliado de três para cinco anos em casos de resultados negativos, reduzindo a sobrecarga no sistema de saúde e oferecendo maior conforto às pacientes.

Implementação no SUS e metas até 2030

O Ministério da Saúde já iniciou a transição tecnológica em 12 estados brasileiros. O planejamento é que, até o final de 2026, todas as unidades de saúde do país ofereçam o teste molecular como padrão ouro de rastreamento. Essa estratégia está alinhada às metas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa eliminar o câncer de colo de útero como um problema de saúde pública até 2030.

Além da precisão técnica, o novo modelo permite o chamado rastreamento equitativo. Isso significa que mesmo mulheres em áreas remotas ou com pouco acesso a laboratórios de patologia complexos podem ser diagnosticadas com precisão, já que o processamento do teste molecular é automatizado e menos dependente de interpretação humana subjetiva. O desdobramento esperado é uma redução drástica nas taxas de mortalidade da doença no Brasil, que ainda registra milhares de casos evitáveis todos os anos.

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