Araras-canindés retornam ao céu do Rio de Janeiro com soltura pioneira no Parque Nacional da Tijuca.
(Imagem: Flavia Zagury/Refauna)
No início de janeiro de 2026, o céu do Rio de Janeiro ganhou cores vibrantes com a primeira soltura de araras-canindés no Parque Nacional da Tijuca. Três fêmeas, batizadas de Fernanda, Suely e Fátima, foram libertadas após meses de aclimatação, revivendo uma espécie considerada extinta na capital há mais de 200 anos.
O projeto, liderado pela organização Refauna em parceria com o ICMBio, representa um marco na conservação da Mata Atlântica. As aves vieram do Refúgio das Aves, em São Paulo, e passaram por treinamento rigoroso para se adaptar à vida selvagem.
Processo de aclimatação das araras
As araras-canindés chegaram ao parque em junho de 2025 e ficaram em um recinto de 20 metros para se habituar aos sons e cheiros da floresta. A bióloga Lara Renzeti, coordenadora do Refauna, explicou que o treinamento incluiu exercícios de voo diários para fortalecer a musculatura peitoral.
Além disso, houve transição alimentar: as aves aprenderam a consumir frutas nativas como jabuticabas, oferecidas em plataformas suspensas para evitar associação com humanos. Comportamentos inadequados, como aproximar-se de pessoas, foram corrigidos durante esse período.
Uma quarta arara, o macho Selton, adiou sua soltura devido a uma infecção pulmonar. Ele espera novo grupo em março, com liberação prevista para agosto ou setembro.
Monitoramento e ciência cidadã
Após a soltura, as araras-canindés são rastreadas por anilhas, microchips e colares. A equipe do Refauna intervém se necessário, oferecendo comida suplementar e recapturando aves em risco.
- População pode reportar avistamentos via WhatsApp (21 969744752) ou Instagram do Refauna.
- App SISS-Geo da Fiocruz permite registros com fotos, mesmo offline.
- Ciência Cidadã já se mostra eficaz em projetos semelhantes.
Viviane Lasmar, chefe do Parque Nacional da Tijuca, destacou a importância da educação ambiental. Cursos para guias de turismo ensinam condutas corretas, como não alimentar as aves.
Impacto ecológico e metas futuras
A reintrodução combate a defaunação na Mata Atlântica, onde 90% das plantas dependem de animais para dispersar sementes. Sem fauna, florestas perdem capacidade de regeneração, alerta o Refauna.
A meta é soltar 50 araras-canindés em cinco anos, cerca de dez por ano. Lara Renzeti enfatiza que mais indivíduos aumentam chances de reprodução e estabelecimento na floresta.
O sucesso inicial, com voos de até 10 km, anima a equipe. Nomes das próximas aves são segredo, mas homenagens culturais continuam, como as inspirações em Fernanda Torres e personagens de séries.
Histórico e importância do projeto
Extintas no Rio desde o século 16 na área litorânea, as araras-canindés voltam graças a esforços desde 2010 do Refauna, que já reintroduziu cutias, jabutis e bugios no mesmo parque.
O Parque Nacional da Tijuca, além do turismo como Cristo Redentor, prova sua vitalidade ecológica. Infraestrutura como viveiros para ninhos é preparada para futuras ninhadas.
Essa iniciativa inspira conservação global, mostrando que áreas protegidas podem recuperar biodiversidade com parcerias público-privadas e engajamento comunitário. Moradores e visitantes agora compartilham responsabilidade pela sobrevivência das aves.
O retorno das araras simboliza esperança para ecossistemas degradados. Com monitoramento contínuo, o Rio pode ver casais se formando e novos voos colorindo a paisagem urbana.
Projetos como esse reforçam que a conservação não é só preservar, mas restaurar ciclos vitais. A plumagem azul e amarela das araras-canindés já avistada por pesquisadores emociona e motiva ações semelhantes em outras regiões.