Entorpecente avaliado em cerca de 41 milhões de euros é alvo de cooperação entre Polícia Federal, França, Reino Unido e Estados Unidos.
(Imagem: PRF/Divulgação)
Uma operação internacional resultou na apreensão de 1,3 tonelada de cocaína em alto‑mar no Oceano Atlântico, em 1º de fevereiro de 2026. A carga foi encontrada a bordo de uma embarcação brasileira interceptada por uma fragata da Marinha francesa, fora da costa brasileira, com apoio de organismos de segurança de França, Reino Unido e Estados Unidos.
De acordo com a Embaixada da França no Brasil, a fragata apreendeu 1.375 kg do entorpecente, numa operação conduzida em águas internacionais. O valor estimado para a carga é de cerca de 41 milhões de euros, o que representa aproximadamente R$ 253 milhões na cotação vigente.
Como ocorreu a apreensão de cocaína
A ação no alto‑mar foi possível graças a um fluxo contínuo de compartilhamento de informações operacionais repassadas ao longo de janeiro, que indicavam o uso de rotas oceânicas por organizações criminosas da América do Sul para transportar grandes carregamentos de drogas.
A Polícia Federal contribuiu com dados sobre rotas marítimas, padrões de navegação, logística utilizada por grupos criminosos e perfis de embarcações normalmente associados ao transporte de cocaína. Essas informações permitiram a identificação prévia da embarcação suspeita, facilitando a abordagem coordenada pelas forças estrangeiras.
A interceptação ocorreu no Oceano Atlântico, em área adjacente à costa brasileira, onde afragata francesa realizou a busca e apreensão do carregamento. A atuação contou ainda com o suporte de centros de análise marítima e agências de combate ao crime ligadas a França, Reino Unido e Estados Unidos.
- A droga foi encontrada em embalagens compactas distribuídas pela embarcação brasileira, típica de adaptações usadas por grupos criminosos para ocultar grande volume de cocaína.
- As autoridades destacaram que o padrão de navegação e o tipo de embarcação analisados pela Polícia Federal foram decisivos para a localização e abordagem em alto‑mar.
Integração entre PF, França, EUA e Reino Unido
A presença da Polícia Federal na cadeia de informações reforça a atuação brasileira em cooperativas internacionais voltadas ao combate ao tráfico transnacional de cocaína. Agentes especializados em operações marítimas também participaram da missão no Atlântico.
Franceses, britânicos e norte‑americanos utilizaram sistemas de rastreamento e telecomunicações compartilhados para monitorar movimentos suspeitos, incluindo preocupações com o desvio de embarcações aparentemente comerciais ou pesqueiras para rotas ligadas ao tráfico.
- Essa integração permite atingir carregamentos em águas onde um único país tem pouco controle operacional, reduzindo o risco de que a cocaína chegue à costa europeia ou americana.
- A cooperação se soma a outras apreensões no Atlântico nos últimos meses, nas quais milhares de quilos de cocaína foram retirados de circulação em ações conjuntas de agentes de vários continentes.
Prisão de tripulantes e condução em Fortaleza
Após a confirmação da carga ilícita, a Marinha francesa deteve três tripulantes brasileiros a bordo da embarcação e os mantiveram sob custódia até o desembarque em território brasileiro.
O grupo foi entregue às autoridades no Porto do Mucuripe, em Fortaleza, onde uma equipe da Polícia Federal embarcou na fragata estrangeira para formalizar a transferência. Em seguida, os tripulantes foram conduzidos à Superintendência Regional da PF no Ceará.
- Os detidos poderão responder por tráfico internacional de cocaína, uma infração que envolve grande volume de droga e atuação em águas além do limite territorial brasileiro.
- Com o registro de prisão, será instaurado inquérito para investigar a origem da cocaína, os elos da organização e possíveis rotas terrestres usadas antes do embarque.
Impacto sobre rotas marítimas do tráfico
A apreensão de quase 1.400 kg de cocaína em uma única embarcação reforça a centralidade da rota marítima no fluxo internacional de drogas originadas na América do Sul.
Em termos de mercado, a retirada de mais de 40 milhões de euros de cocaína reduz temporariamente a oferta em países de destino europeu e afeta cadeias logísticas que dependem de embarcações discretas e longos deslocamentos oceânicos.
- A experiência aponta para maior alinhamento entre informações de inteligência e operações em alto‑mar, incluindo o uso de navios de guerra estrangeiros em parceria com a PF.
- Espera‑se que as investigações apontem não apenas os responsáveis diretos pela viagem, mas também financiadores e estruturas de transporte que armazenam e distribuem grandes quantidades de cocaína em portos brasileiros.
O que pode acontecer a partir de agora
Com a prisão dos tripulantes, as autoridades podem obter depoimentos que elucidem caminhos já percorridos pela cocaína e eventuais pontos de desembarque alternativos usados em viagens anteriores.
As agências envolvidas também usam a operação como base para ajustar perfis de risco na vigilância de barcos, especialmente em regiões em que embarcações internacionais e registradas em bandeira de conveniência transitam com frequência.
- É esperado aumento de fiscalizações coordenadas em áreas de convergência do tráfico marítimo, tanto no Atlântico quanto em outros trechos já mapeados por cooperações semelhantes.
- No plano interno, a PF tende a intensificar integração com polícias portuárias e com órgãos aduaneiros para monitorar deslocamentos de veículos litoral aberto que podem ter preparado a embarcação antes da saída em alto‑mar.