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Flávio Bolsonaro surpreende com 14% espontâneo em pesquisa Real Time Big Data para 2026

09 fev 2026 - 17h19 Joice Gomes   atualizado às 17h24
Flávio Bolsonaro surpreende com 14% espontâneo em pesquisa Real Time Big Data para 2026 O senador Flávio Bolsonaro (à esquerda) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à direita). (Imagem: Reprodução)

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, pelo instituto Real Time Big Data trouxe números que chamam atenção na corrida presidencial de 2026. O levantamento, realizado entre 6 e 7 de fevereiro com 2 mil eleitores em todo o país, registrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança, mas destacou o desempenho de Flávio Bolsonaro como principal opositor.

Na modalidade espontânea, sem apresentação de nomes, Flávio Bolsonaro alcançou 14% das intenções de voto, um índice considerado incomum para esta fase pré-eleitoral. Lula ficou com 28%, enquanto o índice de indecisos parou em 31%, abaixo da média histórica para levantamentos feitos com oito meses de antecedência.

O analista político Mauro Paulino, em comentário no programa Ponto de Vista, da revista Veja, enfatizou que esse patamar de indecisos sugere um eleitorado já mais atento à disputa, com preferências mais definidas no topo da mente.

Força inédita do sobrenome Bolsonaro

O destaque da pesquisa vai para o salto de Flávio Bolsonaro na modalidade estimulada, quando os nomes são apresentados: de 14% para 30%, quase dobrando as intenções. Paulino descreveu isso como uma "força inédita de transferência de votos" ligada ao sobrenome Bolsonaro, fenômeno raro em heranças políticas tradicionais.

Esse crescimento ocorre sem campanha estruturada ou lançamento formal de candidatura, o que reforça a automaticidade da herança familiar no eleitorado conservador. Lula, por sua vez, subiu de 28% para 39%, um avanço esperado para um presidente em exercício, mas que pode indicar proximidade de seu teto eleitoral em torno de 49%.

No segundo cenário testado, com Ronaldo Caiado no lugar de Ratinho Jr., Lula manteve 40% e Flávio Bolsonaro 32%, consolidando sua posição como adversário principal.

  • Real Time Big Data ouviu 2 mil eleitores presencialmente, com margem de erro de 2 pontos percentuais e confiança de 95%.
  • Registro no TSE sob o protocolo BR-06428/2026 garante transparência no método.
  • Indecisos em 31% na espontânea, menor que o usual para fevereiro antes da eleição.

Por que os indecisos importam agora

Historicamente, pesquisas espontâneas com nove meses para o pleito registram mais de 40% de indecisos, refletindo falta de engajamento precoce. O índice atual de 31% indica que mais da metade do eleitorado já tem um nome em mente, o que acelera a polarização entre lulismo e bolsonarismo.

Para Paulino, isso expõe um eleitor mais conectado, possivelmente influenciado por debates internos na direita e pela gestão do governo Lula. O baixo patamar de brancos e nulos também reforça essa tendência de escolhas precoces.

Essa dinâmica pode comprimir o tempo de campanha efetiva, forçando alianças mais rápidas e estratégias focadas em converter os 31% restantes.

Posição de outros pré-candidatos

Ratinho Jr., governador do Paraná, ficou com 10% no primeiro cenário estimulado, seguido por nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, empatados em torno de 4% a 6%. Apesar do desempenho modesto na espontânea, Paulino avalia que ainda é cedo para descartar Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, dada sua aprovação local.

A chamada terceira via, representada por governadores do centro-direita, patina abaixo de 10%, alinhado ao histórico de polarização no Brasil desde 2018. Ratinho se beneficia da associação com o pai, mas não rompe o binômio Lula-Flávio Bolsonaro.

  • Ratinho Jr.: 10% no primeiro cenário;
  • Caiado: 6% no segundo;
  • Tarcísio de Freitas: Ausente na espontânea forte, mas com potencial em SP;
  • Teto de Lula próximo de 49%, segundo análises de segundo turno.

Impactos para a eleição de 2026

Os números reforçam a consolidação da polarização, com Flávio Bolsonaro herdando o legado do pai de forma eficiente, atraindo até direita não bolsonarista. Lula lidera, mas seu crescimento limitado sugere desafios para expandir além da base petista.

Rejeições altas, 48% para Lula e 49% para Flávio, indicam que a disputa será sobre mobilização de eleitores convictos, com os indecisos como chave para viradas. Pesquisas anteriores, como Quaest e AtlasIntel, já apontavam Flávio à frente de rivais na direita.

À frente, espera-se maior escrutínio sobre a candidatura de Flávio, disputas internas no PL e possíveis alianças na centro-direita. O governo Lula enfrentará pressão para entregar resultados econômicos e sociais que convertam indecisos, enquanto o bolsonarismo testa sua vitalidade sem Jair Bolsonaro em campo.

Com o calendário eleitoral acelerando, esses dados iniciais definem o eixo da campanha: transferência familiar versus estabilidade governamental. Observadores preveem embates diretos em temas como economia, segurança e corrupção, moldando o segundo semestre.

A pesquisa Real Time Big Data serve como termômetro precoce, mas cenários podem mudar com eventos como CPIs, alianças partidárias ou oscilações econômicas. Por ora, Flávio Bolsonaro emerge como o nome a ser batido na oposição.

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