Prédio do Instituto Butantan na Zona Oeste de São Paulo.
(Imagem: Reprodução/Divulgação)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta segunda-feira (9), investimentos de R$ 1,4 bilhão no Instituto Butantan, maior produtor de vacinas da América Latina. O recurso, oriundo do Novo PAC, visa ampliar a capacidade produtiva de soros e imunizantes para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante cerimônia em São Paulo, foram assinadas ordens de serviço para construção de duas novas fábricas e modernização de outras duas unidades. O aporte federal soma-se a R$ 400 milhões da Fundação Butantan, totalizando R$ 1,8 bilhão em obras essenciais para a saúde pública.
Expansão das fábricas e tecnologias
Uma das principais obras é a planta para produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina tetravalente contra o Papilomavírus Humano (HPV), com capacidade para 20 milhões de doses anuais. O Instituto Butantan passará a fabricar localmente esse insumo, reduzindo dependência externa e combatendo cânceres associados, como o de colo do útero.
Outra iniciativa cria plataforma de vacinas de RNA mensageiro (RNAm), tecnologia promissora para respostas rápidas a pandemias. Inicialmente, produzirá IFAs para vacinas contra Covid-19 e raiva, com até 15 milhões de doses por ano, permitindo agilidade em novas ameaças sanitárias.
A nova fábrica de IFA para vacinas contra difteria, tétano e pertussis (dTpa e DT) terá capacidade de 6 milhões de doses de dTpa para adultos e 1 milhão de DT para maiores de 7 anos. Essas vacinas reforçam a imunização em faixas etárias adultas, prevenindo surtos.
Modernização de soros e envase
A reforma da unidade de soros ampliará a produção de 600 mil para 1,2 milhão de frascos concentrados por ano. Uma nova área de envase processará 5,2 milhões de frascos líquidos e 7,1 milhões liofilizados, beneficiando tanto soros quanto vacinas.
O Instituto Butantan é referência em soros hiperimunes contra envenenamentos por serpentes, escorpiões e aranhas, atendendo demandas nacionais. Essa expansão garante estoque suficiente para emergências em todo o país.
- Produção atual de soros cobre 100% da demanda brasileira por antivenenos.
- Modernização dobra capacidade em um ano, com foco em eficiência.
- Investimentos integram 14 Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP).
Início da vacinação contra dengue
O evento marcou o lançamento nacional da vacinação contra dengue para profissionais de saúde da Atenção Primária, usando a Butantan-DV, primeira vacina 100% nacional em dose única. Protege contra os quatro sorotipos do vírus e já distribuiu 650 mil doses iniciais.
O Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses por R$ 368 milhões, visando 1,2 milhão de trabalhadores do SUS. Em São Paulo, mais de 216 mil profissionais serão imunizados primeiro, com expansão para 15-59 anos no segundo semestre.
A Butantan-DV demonstrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% contra formas graves e 100% contra hospitalizações, em estudos com 16 mil voluntários. Parceria com a China pode multiplicar produção por 30 vezes via transferência de tecnologia.
Histórico e relevância do Butantan
Fundado em 1901, o Instituto Butantan produz 65% das vacinas do SUS, incluindo 100% contra influenza. Destacou-se na pandemia com a CoronaVac e desenvolve ButanVac, 100% brasileira contra Covid-19.
Atualmente, gerencia 10 projetos do Novo PAC e 31 parcerias para inovação em saúde. Investimentos totais no Complexo Econômico-Industrial da Saúde chegam a R$ 15 bilhões desde 2023.
- Produz vacinas contra raiva, HPV, hepatites A e B, influenza e DTPa.
- Responsável por soros contra 12 tipos de acidentes tóxicos.
- Contribui para erradicação de doenças via campanhas nacionais.
Impactos para o SUS e futuro
Esses investimentos garantem autonomia nacional em imunizantes avançados, reduzindo riscos de desabastecimento em crises. O SUS ganha ferramentas para epidemias futuras, como dengue endêmica e novas variantes virais.
Com obras previstas para um ano, o Instituto Butantan consolidará liderança regional, apoiando R$ 31,5 bilhões em equipamentos via Novo PAC. Lula enfatizou apoio contínuo à pesquisa, combatendo desinformação sobre vacinas.
A medida fortalece a saúde pública, elevando expectativa de vida e protegendo milhões. Países em desenvolvimento podem se inspirar no modelo brasileiro de parcerias público-privadas para inovação.