Colapso financeiro na ONU: Guterres avisa que organização pode falir sem pagamentos de contribuições obrigatórias dos países-membros.
(Imagem: gerado por IA)
O secretário-geral da ONU, António Guterres, emitiu um alerta grave nesta semana. Em carta enviada aos Estados-membros, datada de 28 de janeiro, ele descreve um risco de colapso financeiro iminente para a organização.
A situação financeira da ONU piorou drasticamente no fim de 2025. Havia US$ 1,6 bilhão em contribuições não pagas, mais que o dobro do ano anterior. Guterres destaca que mais de 150 países quitaram dívidas, mas os grandes devedores persistem.
"A crise está se aprofundando, ameaçando a execução dos programas e correndo o risco de um colapso financeiro", escreveu o líder da ONU. Ele prevê que o caixa pode zerar em julho sem mudanças urgentes.
Alerta para colapso financeiro exige ação imediata
Guterres cobra que todos os Estados cumpram obrigações de pagamento integral e pontual. Caso contrário, defende revisão fundamental das regras financeiras da ONU. "Estamos presos num ciclo kafkiano, onde se espera que devolvamos dinheiro que não existe", compara ele.
O problema inclui uma norma antiga: a ONU deve reembolsar fundos não gastos aos membros. Isso agrava a falta de liquidez, forçando congelamento de contratações e cortes em operações essenciais.
Porta-voz da organização, Farhan Haq, reforçou o drama em coletiva. A trajetória atual é "insustentável" e expõe a ONU a riscos estruturais profundos.
EUA cortam repasses e agravam crise na ONU
A administração do presidente Donald Trump reduziu financiamentos a agências da ONU. Cortes em ajuda humanitária e desenvolvimento seguem a política "America First". Os EUA recusaram ou atrasaram contribuições obrigatórias para orçamentos regulares e missões de paz.
Guterres menciona "decisões de não honrar contribuições" formalmente anunciadas, sem citar nomes. Analistas apontam os EUA como principal devedor, após saídas de mais de 60 agências.
- Redução em financiamentos voluntários a múltiplas agências;
- Atrasos em pagamentos obrigatórios para paz e operações regulares;
- Políticas que priorizam interesses nacionais sobre multilateralismo.
Outros países também atrasam, mas o peso americano é decisivo. A ONU encerrou 2025 com recorde de dívidas em aberto de US$ 1,57 bilhão.
Reformas em curso, mas insuficientes contra colapso
Guterres lançou a força-tarefa UN80 para cortar custos e elevar eficiência. Países aprovaram redução de 7% no orçamento de 2026, para US$ 3,45 bilhões. Ainda assim, ele alerta: sem cobranças drásticas, o orçamento aprovado não será executado.
O secretário-geral deixa o cargo no fim de 2026. Seu último discurso anual criticou divisões geopolíticas e violações ao direito internacional. A crise financeira complica ainda mais prioridades globais.
Países europeus, como na Comissão Europeia, condenam cortes generalizados. Líderes pedem solidariedade para evitar paralisia da ONU em missões humanitárias e de paz.
A carta de Guterres ecoa em veículos como Reuters, G1 e Euronews. O mundo observa se nações responderão antes do colapso previsto para julho.
Especialistas debatem impactos: sem fundos, operações em zonas de conflito podem parar. Ajuda a refugiados e programas contra fome ficam ameaçados.
A ONU, fundada em 1945, enfrenta sua pior crise de caixa em décadas. Guterres apela por unidade em tempos de tensões globais crescentes.
Reuniões de emergência nos bastidores buscam soluções. Países emergentes, como o Brasil, defendem multilateralismo forte e pagamentos regulares.
O caso expõe fragilidades do sistema internacional. Sem reformas, o risco de colapso financeiro na ONU pode redefinir a governança global.