Vírus isolado Nipah observado em laboratório.
(Imagem: Reprodução/ Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA)
O vírus Nipah ganhou destaque nesta semana após o Ministério da Saúde emitir um alerta oficial. A medida veio em resposta a dois casos confirmados na Índia, ambos em profissionais de saúde, no estado de Bengala Ocidental.
Embora o patógeno seja classificado pela OMS como de alto risco pandêmico, as autoridades brasileiras enfatizam que não há evidências de transmissão fora da Ásia. Mais de 198 contatos dos infectados foram testados com resultados negativos, e o último caso data de 13 de janeiro.
O comunicado reforça a vigilância ativa em aeroportos e a articulação com Fiocruz e Instituto Evandro Chagas. Para a população, a mensagem é clara: o vírus Nipah não circula no Brasil e o risco é considerado baixo.
Origem e transmissão do vírus Nipah
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1998 na Malásia, daí o nome. Ele pertence à família dos paramixovírus e é zoonótico, ou seja, salta de animais para humanos.
Os principais reservatórios são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, comuns no Sudeste Asiático. A transmissão ocorre pelo consumo de frutas contaminadas com saliva ou urina desses animais, ou pela seiva de árvores.
Entre humanos, a disseminação é limitada, geralmente em ambientes hospitalares por secreções respiratórias. Não há transmissão pelo ar ou por superfícies, o que reduz o potencial de surtos amplos.
- Principal hospedeiro: morcegos Pteropus, ausentes nas Américas;
- Transmissão humana: contato próximo com infectados;
- Fatores de risco: consumo de alimentos crus contaminados.
Sintomas graves e letalidade elevada
Os sinais iniciais do vírus Nipah lembram uma gripe forte: febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e vômitos. Em poucos dias, pode evoluir para encefalite aguda, com confusão mental e convulsões.
Casos graves incluem pneumonia severa e insuficiência respiratória. A taxa de letalidade varia de 40% a 75%, dependendo do acesso a cuidados intensivos.
Não existe vacina nem tratamento antiviral específico. O manejo é de suporte, com ventilação mecânica e controle de sintomas em UTIs equipadas.
- Início: febre, cefaleia, mialgia (3-14 dias após exposição);
- Progressão: sonolência, coma, problemas respiratórios;
- Diagnóstico: testes PCR em secreções ou liquor.
Por que o risco é baixo no Brasil
O Ministério da Saúde destaca que os morcegos vetores não existem no continente americano. Sem reservatório natural, o vírus Nipah depende de importação via viajantes, o que é monitorado.
A OMS classifica o risco global como baixo, sem disseminação internacional. Aeroportos asiáticos reforçaram triagens, mas não há alertas para o Brasil.
Protocolos nacionais incluem vigilância de febre em viajantes da Índia. Infectologistas como Julio Croda, da Fiocruz, reforçam: chance de surto aqui é mínima.
Historicamente, o vírus Nipah causou surtos na Ásia, como em 2001 na Bangladesh, com mais de 100 mortes. Mas nunca cruzou oceanos, graças à vigilância global.
Medidas preventivas recomendadas
Para viajantes retornando da Ásia, fique atento a sintomas gripais com piora neurológica. Procure atendimento imediato e informe histórico de viagem.
Evite frutas cruas ou sucos não pasteurizados em regiões endêmicas. Higiene das mãos e uso de máscaras em hospitais asiáticos são dicas básicas.
O Brasil investe em pesquisa: Fiocruz e Evandro Chagas testam amostras e treinam equipes. A Opas/OMS apoia o monitoramento contínuo.
- Viagem à Índia: monitore febre e sintomas por 14 dias;
- Alimentos: lave frutas e evite seiva crua;
- Saúde pública: denuncie suspeitas ao SUS local.
Embora o alerta do Ministério da Saúde sobre o vírus Nipah seja necessário, ele serve mais para preparar do que para alarmar. A estrutura sanitária brasileira, testada na pandemia de Covid-19, está pronta para qualquer cenário.
Especialistas pedem calma: sem pânico, mas com informação. O foco agora é na Ásia, onde autoridades indianas controlam o surto com quarentena e testes em massa.
Atualizações virão conforme a OMS e o Ministério monitorarem. Por enquanto, o Brasil segue seguro contra essa ameaça distante.