Canetas emagrecedoras como Ozempic e Mounjaro estão no centro de alerta do Reino Unido.
(Imagem: gerado por IA)
A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), do Reino Unido, acaba de emitir um alerta importante sobre o uso de canetas emagrecedoras. Esses medicamentos, conhecidos como agonistas de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, estão associados a casos raros de pancreatite aguda grave.
Embora o risco seja baixo, a MHRA destaca que complicações podem ser sérias, inclusive fatais em situações extremas. Pacientes e médicos precisam ficar atentos aos sintomas iniciais para evitar agravamentos.
No Brasil, o mercado dessas canetas emagrecedoras explode. Em 2025, movimentaram R$ 10 bilhões, representando 4% do setor farmacêutico, com projeções de crescimento para R$ 50 bilhões até 2030.
Alerta da MHRA e dados preocupantes
O comunicado da MHRA veio após análise de notificações. Entre 2007 e outubro de 2025, foram registrados 1.296 casos de pancreatite ligados a esses fármacos no Reino Unido, com 19 mortes e 24 casos necrosantes.
A diretora de Segurança, Alison Cave, enfatiza que, para a maioria, os benefícios superam os riscos. Ainda assim, o risco pequeno exige vigilância. Medicamentos como semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) lideram o uso para diabetes tipo 2 e obesidade.
- Semaglutida: usada em milhões para perda de peso e controle glicêmico.
- Tirzepatida: ação dupla, mais potente na redução de peso.
- Dulaglutida e liraglutida: opções consolidadas no tratamento.
Estudos apontam risco 9 vezes maior de pancreatite com semaglutida comparado a outros emagrecedores. No entanto, especialistas como Fernando Gerchman, da SBEM, contextualizam: obesidade já eleva riscos pancreáticos.
O que é pancreatite aguda e seus sintomas
A pancreatite aguda é uma inflamação repentina do pâncreas, órgão vital para digestão e regulação de açúcar no sangue. Pode ser leve ou evoluir para necrosante, com risco de morte.
Sintomas clássicos incluem dor abdominal intensa e persistente, que irradia para as costas, náuseas, vômitos e febre. Em casos graves, há desidratação, taquicardia e hipotensão.
- Dor extrema no estômago que não passa: sinal de alerta imediato.
- Náuseas e vômitos persistentes: comuns no início.
- Sudorese, febre e perda de apetite: indicam complicações.
Diagnóstico usa tomografia com contraste para avaliar gravidade, conforme critérios de Balthazar e Atlanta revisada. Tratamento envolve internação, hidratação, analgésicos e, se preciso, antibióticos ou cirurgia.
Canetas emagrecedoras no Brasil: boom e cuidados
No Brasil, canetas emagrecedoras viraram febre. Pesquisa da University College London estima 1,6 milhão de usuários no Reino Unido em um ano; aqui, buscas por Ozempic e Mounjaro colocam o país em segundo globalmente.
A Anvisa aprova esses fármacos para diabetes e obesidade com IMC alto, mas uso indiscriminado preocupa. Bulas já alertam para pancreatite (0,1% a 1% dos casos), além de náuseas, diarreia e gastroparesia.
Endocrinologistas recomendam prescrição médica rigorosa. "Obesidade mórbida mata 50%; benefícios das canetas emagrecedoras superam riscos com acompanhamento", diz Gerchman. Ajuste de dose minimiza efeitos gastrointestinais iniciais.
Estudo na JAMA associa semaglutida a riscos 9 vezes maiores de pancreatite que bupropiona-naltrexona. Outro, com 2 milhões de pessoas, liga GLP-1 a problemas renais e pancreáticos, mas também a ganhos cognitivos.
Recomendações para usuários e médicos
Se você usa canetas emagrecedoras, monitore sintomas. Pare e busque emergência com dor abdominal forte. Histórico de pancreatite contraindica o uso.
Médicos devem informar riscos na prescrição. No Brasil, Conselho Federal de Farmácia e Câmara dos Deputados alertam contra automedicação. Mercado crescerá com genéricos pós-2026, barateando acesso.
Benefícios incluem perda de até 20% do peso, redução cardiovascular e controle diabético. Mas equilíbrio é chave: use sob orientação para maximizar ganhos e minimizar perigos da pancreatite.
O alerta britânico reforça: canetas emagrecedoras salvam vidas, mas demandam respeito aos limites do corpo. Fique atento e priorize saúde integral.