Ministério da Saúde investiga transmissão oral via açaí e mobiliza equipes.
(Imagem: gerado por IA)
Ananindeua vive um momento de preocupação com o surto de doença de Chagas, declarado oficialmente pelo Ministério da Saúde após quatro mortes registradas apenas em janeiro. Uma delas foi de uma criança de 11 anos, que lutou por semanas na UTI. Esses números já ultrapassam o total de óbitos dos últimos cinco anos na cidade, localizada na Grande Belém.
Os casos confirmados somam 14 no mês, um aumento de 30% em relação a janeiro de 2025. No ano passado, foram 45 notificações no total, com pico em dezembro. Atualmente, 40 pessoas seguem sob monitoramento da Secretaria Municipal de Saúde, que atua com apoio técnico do Instituto Evandro Chagas.
Transmissão via açaí impulsiona o surto
A doença de Chagas se espalha por transmissão oral nessa região, quando fezes do inseto barbeiro contaminam alimentos, especialmente o açaí. O consumo popular do fruto na Amazônia torna o cuidado essencial na colheita e processamento. Falhas no branqueamento abrem porta para o parasita Trypanosoma cruzi.
O processo correto inclui lavar o fruto, desinfectar com hipoclorito e imergir em água a 80°C por dez segundos. Sem essas etapas, famílias inteiras correm risco. Historicamente, surtos ocorrem na safra, mas este em janeiro quebra o ciclo e alerta para falhas persistentes na cadeia produtiva.
Estudos reforçam que o açaí é veículo comum na região Norte. A educadora Dilma do Socorro Moraes de Souza, da UFPA, destaca a necessidade de vigilância fora da estação habitual, para evitar mais vítimas.
Resposta rápida da prefeitura e governo
Diante da crise, a prefeitura mobilizou 200 agentes comunitários para visitas domiciliares, atingindo duas mil famílias só no Cidade Nova. Eles distribuem orientações e identificam riscos. O Ministério da Saúde coordena com Sespa, Anvisa e centros de vigilância.
- Assistência gratuita pelo SUS com tratamento precoce.
- Investigações epidemiológicas em campo.
- Fiscalização rigorosa de produção e venda de açaí.
- Apoio de equipes EpiSUS para contenção.
Destaca-se a Casa do Açaí, iniciativa municipal que já formou 840 pessoas em 2025 e 130 em 2026. Novos treinamentos estão agendados para fevereiro e março, focando em manipulação segura. Denúncias vão para o WhatsApp (91) 98051-1967, de segunda a sexta, das 8h às 18h.
Sintomas, tratamento e prevenção diária
A doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, inicia com febre, inchaço facial e fadiga, podendo silenciar por anos até danificar coração e intestino. No Brasil, estima-se 1,2 milhão de portadores, 70% sem diagnóstico. O SUS oferece medicamentos eficazes na fase aguda.
Além da oral, vias incluem picada do barbeiro, transfusões e parto. Na Amazônia, o foco é alimentar. Consumidores devem priorizar polpa pasteurizada e verificar selos sanitários.
- Lave frutas e utensílios com água tratada.
- Branqueie açaí antes de processar.
- Evitar sucos de fontes duvidosas.
- Observe sintomas e busque UBS rápido.
- Denuncie focos de barbeiro às autoridades.
O surto de doença de Chagas expõe vulnerabilidades na produção de açaí, pilar econômico paraense. Com esforços conjuntos, Ananindeua busca frear a progressão e educar a população. A monitoramento continua intensivo para novas notificações.
Especialistas cobram investimentos em saneamento e capacitação contínua. A lição serve de alerta para toda a região Norte, onde o fruto é cultura e risco. Prevenir salva vidas e preserva tradições.