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Política

Brasil segue líder em mortes de pessoas trans, mesmo com queda em 2025

26 jan 2026 - 11h00 Joice Gomes   atualizado às 11h04
Brasil segue líder em mortes de pessoas trans, mesmo com queda em 2025 Brasil lidera ranking mundial de assassinatos de pessoas trans pelo 18º ano consecutivo. (Imagem: Marcello Camargo/Agência Brasil)

O Brasil se mantém como o país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo pelo 18º ano consecutivo, segundo dados da nona edição do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Em 2025, foram registrados 80 assassinatos de pessoas trans no país, uma redução de 34,4% em comparação com as 122 mortes contabilizadas em 2024. Ainda assim, o Brasil permanece na liderança do ranking mundial desde 2008, respondendo por aproximadamente 30% dos casos globais de homicídios dessa população.

Quem são as vítimas

O dossiê da Antra revela que 77 das 80 mortes em 2025 foram contra travestis e mulheres trans, enquanto três casos envolveram homens trans e pessoas transmasculinas. Cerca de 70% das vítimas eram pessoas negras, e a maioria era jovem, com idade entre 18 e 35 anos. O levantamento histórico entre 2017 e 2025 aponta São Paulo como o estado mais letal, com 155 registros, seguido por Minas Gerais e Ceará, que lideraram o número de assassinatos em 2025, com oito casos cada.

A Região Nordeste concentrou a maior parte das mortes em 2025, somando 38 registros, seguida por Sudeste (17), Centro-Oeste (12), Norte (7) e Sul (6). Um dado preocupante aponta que 67,5% dos assassinatos ocorreram em cidades do interior, contra apenas 32,5% nas capitais, o que dificulta ainda mais a catalogação das mortes e indica uma interiorização da violência em locais com acesso mais restrito a redes de apoio.

Contexto global e aumento contra ativistas

O relatório Trans Murder Monitoring 2025, divulgado pela European Transgender Network (TGEU), mostra que entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025 foram reportados 281 assassinatos de pessoas trans e de gênero diverso no mundo. Desse total, cerca de 68% ocorreram na América Latina e Caribe, reforçando a posição de destaque negativo do Brasil no cenário internacional. O documento também destaca uma mudança alarmante no perfil das vítimas: pela primeira vez, uma parcela significativa dos homicídios envolveu ativistas ou líderes de movimentos trans, representando 14% dos casos, contra 9% em 2024 e 6% em 2023.

Cautela com a queda nos números

A presidente da Antra, Bruna Benevides, ressalta que a redução no número de assassinatos não deve ser interpretada como uma melhora no cenário real de segurança para a população trans. O medo de represálias, a falta de acesso à Justiça, a violência policial e a desconfiança histórica das pessoas trans em relação ao Estado contribuem para o apagamento estatístico. Muitas mortes são registradas com nomes civis incorretos, gêneros errados ou nem sequer são identificadas como crimes de ódio, o que impede sua inclusão nos levantamentos oficiais.

Além disso, o dossiê da Antra aponta aumento nas tentativas de homicídio, indicando que a redução no número de assassinatos não representa, necessariamente, diminuição da violência. Os dados foram coletados a partir do monitoramento diário de notícias, denúncias diretas feitas às organizações trans e registros públicos, o que evidencia a invisibilização dessas mortes pelo Estado.

Natureza estrutural da violência

Os especialistas alertam que os números revelam uma população exposta à violência extrema desde muito cedo, atravessada por exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo. A permanência do Brasil no topo desse ranking expõe uma estrutura social, política e institucional que tolera, invisibiliza e até mesmo legitima a matança de travestis e mulheres trans, especialmente negras ou periféricas.

Apesar da queda nos números absolutos, o ranking mundial de assassinatos contra pessoas trans continua a ser liderado pelo Brasil, o que exige ações concretas de políticas públicas voltadas para a proteção dessa população vulnerável. Organizações co

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