Finep pelo Brasil percorre 100 cidades com editais de R$ 3,3 bilhões para pesquisa e inovação.
(Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou o Finep pelo Brasil, uma série de encontros que vai percorrer 100 cidades brasileiras até 10 de abril. O programa, anunciado em 10 de fevereiro no Rio de Janeiro em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), visa aproximar empresas, cooperativas e instituições científicas dos instrumentos de fomento à inovação.
Os eventos presenciais divulgam linhas de crédito e subvenção econômica para reduzir desigualdades regionais e impulsionar projetos de alto risco tecnológico. Essa ação responde à necessidade de ampliar o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que no Brasil representa apenas 1,2% do PIB, bem abaixo de nações como Coreia do Sul e Alemanha.
Lançamento marca nova fase de fomento
O Finep pelo Brasil começou na Casa Firjan, com a presença da ministra Luciana Santos e do presidente da Finep, Luiz Antônio Elias. A iniciativa destaca 13 editais abertos com R$ 3,3 bilhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), disponíveis para empresas de todos os portes em parceria com instituições científicas.
Esses recursos não precisam ser devolvidos e financiam gastos com pessoal, equipamentos e consultorias. Propostas podem ser enviadas até agosto de 2026 pelo site da Finep, em fluxo contínuo até esgotar o orçamento.
- Editais focam em projetos alinhados à Nova Indústria Brasil (NIB), promovendo reindustrialização sustentável.
- Setores prioritários incluem agroindústria, saúde e transição energética.
- Parcerias público-privadas visam transformar conhecimento em competitividade industrial.
Recursos por setor estratégico
A distribuição dos R$ 3,3 bilhões prioriza missões da NIB, com transição energética recebendo R$ 500 milhões para soluções em energias renováveis e eficiência. Cadeias agroindustriais, saúde, tecnologias digitais, base industrial de defesa e chamadas regionais ganham R$ 300 milhões cada, atendendo demandas como segurança alimentar e autonomia em saúde.
Outras áreas, como transformação mineral (R$ 200 milhões), economia circular (R$ 150 milhões) e semicondutores (R$ 100 milhões), completam o pacote. Exemplos incluem desenvolvimento de tratores para agricultura familiar e eletrolisadores nacionais, essenciais para independência tecnológica.
- Chamadas regionais priorizam Norte, Nordeste e Centro-Oeste para equilibrar investimentos.
- Programa Conhecimento Brasil, com R$ 500 milhões, atrai e fixa pesquisadores de excelência.
- Desafios tecnológicos somam R$ 210 milhões para inovações específicas.
Contexto da Nova Indústria Brasil
A NIB orienta os editais com seis missões: cadeias agroindustriais sustentáveis, complexo da saúde resiliente, infraestrutura competitiva, tecnologias digitais soberanas, transição energética justa e base industrial de defesa. O objetivo é reduzir dependência externa, gerar empregos e promover sustentabilidade, integrando empresas, ICTs e governo.
Ministra Luciana Santos enfatizou a necessidade de crédito para base tecnológica fora de São Paulo, afirmando que ciência deve sair do papel para autonomia nacional. Presidente Elias destacou a associação público-privada como chave para inovação estratégica, comparando ao modelo de EUA e China.
O Brasil investe pouco em P&D comparado a líderes globais: Coreia do Sul aplica 5,6% do PIB, enquanto o país fica em 1,2%. Essa lacuna reforça a urgência de iniciativas como o Finep pelo Brasil.
Impactos esperados para a economia
O programa pode elevar a competitividade industrial ao financiar inovações de risco alto, com relevância social. Empresas acessam recursos nobres, estimulando transferência de tecnologia e integração academia-indústria. Redução de assimetrias regionais fortalece o interior, diversificando a economia além de commodities.
Luiz Césio Caetano, da Firjan, apontou o baixo investimento em inovação como gargalo brasileiro. Com o Finep pelo Brasil, espera-se mais projetos concretos, gerando renda e empregos sustentáveis.
- Aumento na geração de patentes e produtos inovadores.
- Fortalecimento de cadeias produtivas estratégicas.
- Estímulo a startups e cooperativas em municípios menores.
Próximos passos e como participar
Os encontros do Finep pelo Brasil seguem até abril, com cronograma detalhado no site da Finep. Empresas devem formar consórcios com ICTs e submeter propostas online. Orientação nos eventos inclui dúvidas sobre contrapartidas, que variam por porte empresarial.
Essa mobilidade nacional democratiza o acesso, permitindo que regiões periféricas captem investimentos. O sucesso depende de adesão ampla, alinhando interesses setoriais à visão de reindustrialização verde e tecnológica.
Com foco em resultados concretos, o programa posiciona o Brasil como nação inovadora, priorizando conhecimento para independência econômica duradoura.