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Polêmico

Marinha contrata EUA por R$ 188 milhões em resgate de submarino

14 jan 2026 - 12h30 Joice Gomes   atualizado às 12h34
Marinha contrata EUA por R$ 188 milhões em resgate de submarino Lançamento ao mar do submarino Almirante Karam simboliza avanço do programa submarino brasileiro em meio a debates sobre dependência tecnológica externa. (Imagem: Divulgação/Marinha)

A Marinha do Brasil assinou um contrato no valor de US$ 35 milhões, equivalente à cerca de R$ 188,3 milhões, com o Navy International Programs Office (NIPO), ligado ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Esse acordo prevê a prestação de serviços de resgate submarino utilizando o Sistema de Mergulho e Recompressão de Resgate Submarino (SRDRS). A contratação foi feita por dispensa de licitação, com pagamento condicionado apenas ao acionamento do serviço em casos reais de emergência.

O sistema é essencial para localizar e resgatar tripulações de submarinos avariados em profundidades elevadas, quando a embarcação não consegue emergir por conta própria. Recursos de alta tecnologia, como submersíveis tripulados ou remotamente operados (ROVs), são empregados para acoplar-se à escotilha do submarino danificado e transferir os militares para câmaras de recompressão a bordo de um Navio de Superfície de Apoio (NAS).

Funcionamento do sistema SRDRS

O processo de resgate submarino inicia com a localização precisa do submarino avariado por meio de equipamentos avançados. Após o acoplamento, a tripulação é transferida para o submersível, que retorna à superfície e conecta-se às câmaras hiperbáricas no NAS. Nessas câmaras, os resgatados passam por descompressão controlada para eliminar o nitrogênio absorvido, evitando a Doença Descompressiva, que pode causar paralisia ou morte.

As câmaras contam com sistemas de suporte à vida que regulam misturas de gases específicas, garantindo a segurança durante todo o procedimento. A Marinha brasileira opera navios como o NSS Guillobel (K-120), que suportam esses equipamentos modulares, mas o contrato com os EUA reforça a capacidade em cenários extremos.

Contexto e dependência externa

A decisão de contratar serviços americanos evidencia uma lacuna na autonomia plena da Marinha do Brasil em operações de resgate em profundidades críticas. Apesar de possuir o NSS Felinto Perry e seu sucessor Guillobel, a MB ainda depende de parcerias internacionais para sistemas avançados como o SRDRS. Críticos apontam isso como sinal de dependência externa, especialmente com a expansão do programa de submarinos nucleares brasileiros.

Incidentes globais, como o afundamento do ARA San Juan argentino em 2017, reforçam a necessidade desses serviços. A Marinha enviou apoio na ocasião, mas agora garante cobertura para sua própria frota, que inclui os submarinos da classe Riachuelo e o futuro Álvaro Alberto, nuclear.

Investimentos e futuro da capacidade nacional

O contrato, homologado em janeiro de 2026, reflete investimentos estratégicos em defesa submarina. A MB estuda aquisições modulares, como o LR5 da James Fisher Defence, para integrar aos seus navios. No entanto, o custo elevado e a dispensa de licitação geram debates sobre eficiência e soberania tecnológica.

  • Valor: US$ 35 milhões (R$ 188,3 mi), pago só em uso.
  • Objetivo: Resgate em grandes profundidades.
  • Tecnologia: Submersíveis ROVs e câmaras hiperbáricas.
  • Navios MB: Guillobel (K-120) como plataforma principal.
  • Contexto: Expansão frota com submarino nuclear brasileiro.

Essa medida eleva a prontidão operacional da Marinha, mas impulsiona discussões sobre o desenvolvimento de capacidades nacionais independentes. Especialistas defendem maior investimento em pesquisa e produção local para reduzir vulnerabilidades externas no longo prazo. Com a frota submarina crescendo, a segurança das tripulações torna-se prioridade absoluta.

O Brasil, líder militar na América Latina, com 334 mil efetivos ativos, busca equilibrar parcerias internacionais e inovação própria. Programas como o PROSUB destacam avanços, mas contratos como esse revelam desafios persistentes em resgate submarino.

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