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Economia

Renda domiciliar per capita do Brasil chega a R$ 2.316 em 2025, mostra IBGE, e amplia diferença entre estados

28 fev 2026 - 07h00 Joice Gomes
Renda domiciliar per capita do Brasil chega a R$ 2.316 em 2025, mostra IBGE, e amplia diferença entre estados O IBGE informou que a renda domiciliar per capita foi de R$ 2.316 em 2025. (Imagem: Agência Brasil)

A renda domiciliar per capita no Brasil foi de R$ 2.316 em 2025, segundo números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na PNAD Contínua. O valor representa avanço em relação a 2024, quando a média havia sido de R$ 2.069, e também supera os patamares registrados em 2023 (R$ 1.893) e 2022 (R$ 1.625).

Na prática, a renda domiciliar per capita é um retrato do rendimento médio mensal por pessoa dentro dos domicílios, obtido pela divisão do total de rendimentos do domicílio pelo número de moradores. Por ser um indicador padronizado, ele permite comparar tanto a evolução anual do país quanto as diferenças entre unidades da federação.

Além do interesse social e econômico, a divulgação anual da renda domiciliar per capita tem função institucional. O IBGE informa que esses dados atendem à Lei Complementar 143/2013, usada como base para critérios de rateio do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e para compromissos de envio de informações ao Tribunal de Contas da União (TCU) relacionadas ao cálculo de fatores representativos do inverso do rendimento domiciliar per capita.

Como o IBGE calcula o indicador

O IBGE define a renda domiciliar per capita como a razão entre o total dos rendimentos domiciliares nominais e o total de moradores. Entram no cálculo rendimentos do trabalho e de outras fontes, e todos os moradores são contabilizados, inclusive pensionistas, empregados domésticos e parentes de empregados domésticos.

O instituto também detalha que os valores consideram rendimentos brutos efetivamente recebidos no mês de referência da pesquisa. Para formar o resultado anual, são acumuladas as informações das primeiras visitas da PNAD Contínua aos domicílios realizadas ao longo do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2025.

A PNAD Contínua é uma pesquisa domiciliar amostral realizada desde janeiro de 2012. Ela acompanha flutuações trimestrais e a evolução da força de trabalho, além de reunir outras informações relevantes para análises do desenvolvimento socioeconômico.

Diferenças entre estados: do Maranhão ao Distrito Federal

Mesmo com a alta nacional, a divulgação evidencia que a renda domiciliar per capita varia de forma significativa dentro do país. Em 2025, o menor valor foi registrado no Maranhão (R$ 1.219) e o maior no Distrito Federal (R$ 4.538).

O IBGE aponta que nove estados e o Distrito Federal ficaram acima da média nacional de R$ 2.316. Depois do DF, aparecem São Paulo (R$ 2.956), Rio Grande do Sul (R$ 2.839), Santa Catarina (R$ 2.809), Rio de Janeiro (R$ 2.794) e Paraná (R$ 2.762), seguidos por Mato Grosso do Sul (R$ 2.454), Goiás (R$ 2.407), Minas Gerais (R$ 2.353) e Mato Grosso (R$ 2.335).

Para o leitor, a principal implicação é que uma média nacional mais alta não elimina a desigualdade entre diferentes realidades econômicas. A renda domiciliar per capita indica o poder de renda médio por pessoa dentro de casa, mas não descreve, sozinha, aspectos como custo de vida, informalidade, composição familiar e acesso a serviços, que também afetam o bem-estar.

Por que esse dado importa para políticas públicas e para o bolso

O indicador tem importância porque influencia rotinas de planejamento e de monitoramento de políticas, já que é usado como referência para mecanismos de repasse e cálculos institucionais ligados ao FPE. Em termos econômicos, a renda domiciliar per capita também ajuda a contextualizar consumo, demanda local e capacidade média de pagamento, com efeito indireto em discussões sobre crédito, serviços e mercado de trabalho.

Para famílias, o número não substitui o orçamento real do mês, mas funciona como termômetro de evolução de rendimentos no conjunto da população. Quando a renda domiciliar per capita cresce, costuma sinalizar melhora agregada de rendimentos, embora a experiência individual possa ser diferente conforme ocupação, estabilidade e composição de renda do domicílio.

  • Brasil: renda domiciliar per capita de R$ 2.316 em 2025, acima de 2024 (R$ 2.069) e de 2023 (R$ 1.893) e 2022 (R$ 1.625).
  • Extremos em 2025: Maranhão com R$ 1.219 e Distrito Federal com R$ 4.538.
  • Cálculo: divisão do total de rendimentos nominais do domicílio pelo número de moradores, incluindo rendas do trabalho e de outras fontes.
  • Base estatística: PNAD Contínua, com rendimentos brutos efetivamente recebidos no mês de referência e consolidação com primeiras visitas ao longo dos quatro trimestres.

O que pode mudar a partir de agora

O IBGE destaca que, em 2020 e 2021, a pandemia de covid-19 impactou a coleta, com queda acentuada no aproveitamento das entrevistas, especialmente na primeira visita ao domicílio. O cenário começou a se reverter em 2022 e a recuperação do aproveitamento se consolidou em 2023.

Segundo o instituto, devido aos impactos da pandemia, para o cálculo da renda domiciliar per capita de 2020, 2021 e 2022 foi adotada a quinta visita ao domicílio, em alternativa ao padrão da primeira visita, que havia sido temporariamente suspenso. A partir de 2023, com o retorno do aproveitamento da amostra, o cálculo voltou a ter como referência o banco de primeira visita.

Com a metodologia retomando padrões pré-impacto da pandemia, a tendência é que a renda domiciliar per capita continue sendo acompanhada como indicador-chave para comparar trajetórias anuais e mapear desigualdades regionais. Os próximos resultados vão depender do comportamento do mercado de trabalho, da renda de outras fontes e do ritmo de atividade econômica captado pela pesquisa ao longo do ano.

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