Ruínas históricas no Guarujá passam por vistoria técnica para futuro projeto de revitalização e turismo.
(Imagem: gerado por IA)
Um dos pontos mais emblemáticos da história colonial brasileira, localizado no extremo norte de Guarujá, pode estar prestes a passar por uma transformação significativa. O Governo do Estado de São Paulo, em parceria com a gestão municipal, deu início a uma avaliação técnica criteriosa para revitalizar a Ermida de Santo Antônio do Guaibê e o Forte de São Felipe, monumentos do século XVI que guardam as origens da ocupação portuguesa na região.
A iniciativa, que reuniu especialistas das áreas de Turismo, Cultura e Meio Ambiente na última quinta-feira (9), mira além da simples preservação. O objetivo central é integrar esses patrimônios a um roteiro turístico estruturado, garantindo acessibilidade e segurança para os visitantes que percorrem a região conhecida como Rabo do Dragão.
O potencial do turismo histórico e ambiental
Localizados dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APA), os monumentos são acessados pela Trilha das Ruínas, um percurso que corta a Mata Atlântica preservada. A revitalização pretende equilibrar a conservação do ecossistema com a necessidade de infraestrutura, seguindo normas rigorosas do IPHAN e do Departamento de Articulação, Fomento e Educação.
Para o setor turístico, a recuperação dessas ruínas representa um novo fôlego para o litoral paulista. A ideia é que o visitante não apenas contemple as pedras antigas, mas compreenda o papel estratégico que a região desempenhou na defesa e na evangelização do Brasil colônia.
Mistérios e lendas da Ermida do Guaibê
A Ermida de Santo Antônio do Guaibê não é apenas uma construção de pedras e óleo de baleia. Ela é o cenário do lendário Milagre das Luzes. Relatos históricos descrevem noites em que a capela, vazia e isolada, iluminava-se inexplicavelmente enquanto cânticos celestiais eram ouvidos por quem passava pelo canal.
Frequentada pelo Padre José de Anchieta, a pequena igreja é um dos raros exemplares remanescentes da arquitetura religiosa primitiva no país. Sua restauração é vista por historiadores como um resgate fundamental da identidade cultural da Baixada Santista.
Sentinela da costa: O Forte de São Felipe
Próximo à capela, o Forte de São Felipe impõe sua presença desde 1552. Erguido por ordem de Tomé de Souza, o forte servia para vigiar a entrada do canal de Bertioga contra ataques de piratas e nações rivais. Foi ali que o aventureiro alemão Hans Staden viveu episódios de tensão que mais tarde seriam registrados em seus relatos sobre o Novo Mundo.
Com as novas diretrizes de fomento, a expectativa é que o forte deixe de ser apenas uma estrutura degradada para se tornar um centro de interpretação histórica, conectando as novas gerações ao passado colonial e fortalecendo o turismo de experiência na região.