O querosene de aviação representa quase metade dos custos operacionais das companhias no Brasil.
(Imagem: gerado por IA)
O cenário para quem planeja viajar nas próximas semanas acaba de ganhar um componente de peso para o bolso. O recente aumento no preço do querosene de aviação (QAV) deve provocar uma escalada nos preços das passagens aéreas, com projeções que apontam para um reajuste de até 35%. Esse movimento já começa a redesenhar o mapa do transporte no Brasil, provocando uma migração em massa para os terminais rodoviários.
O peso do combustível nas alturas
O combustível não é apenas um detalhe na planilha das companhias aéreas; ele representa quase metade de tudo o que elas gastam para operar. Atualmente, o querosene responde por cerca de 45% dos custos operacionais. Como o insumo é atrelado ao valor do petróleo e à variação do dólar, qualquer oscilação no mercado internacional chega rapidamente ao guichê de vendas.
Especialistas explicam que esse repasse é quase inevitável. Diferente de outros setores que conseguem absorver variações de custo por mais tempo, a aviação trabalha com margens apertadas. Com o novo patamar de preços, a estimativa é que pelo menos 25% dos passageiros que antes optariam pelo avião acabem escolhendo o ônibus ainda neste trimestre.
Economia que passa de mil reais
A diferença de valores entre os modais atingiu patamares impressionantes. Em rotas de longa distância, a economia pode ser decisiva para a realização da viagem. Um levantamento realizado pela plataforma Buszap mostra que, em um trecho de ida e volta entre São Paulo e Salvador, a diferença pode ultrapassar os R$ 1.400.
Enquanto o bilhete aéreo para esse destino pode chegar a R$ 2.150 após os reajustes, a opção rodoviária em categorias de conforto, como leito ou semi-leito, sai por volta de R$ 740. Além do preço nominal, o setor rodoviário leva vantagem pela estabilidade tarifária, já que não utiliza os algoritmos de preços dinâmicos agressivos que fazem uma passagem aérea dobrar de valor em questão de horas.
Uma mudança de comportamento forçada
O chamado efeito substituição é uma resposta clássica do consumidor. Quando um serviço torna-se proibitivo, o público não desiste do consumo, mas busca a alternativa mais viável. No Brasil, essa tendência é reforçada pela modernização dos ônibus e pela facilidade de compra digital, que aproxima a experiência do passageiro rodoviário daquela que ele teria no aeroporto.
Analistas do setor acreditam que essa mudança pode não ser apenas passageira. Se a diferença de preços se mantiver nesse nível, o transporte rodoviário deve consolidar sua força em viagens interestaduais de média e longa distância, onde o tempo maior de estrada é compensado por uma economia financeira que, para muitas famílias, representa a única forma de viabilizar as férias ou o deslocamento necessário.