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Inflação do aluguel (IGP-M) cai 0,73% em fevereiro e muda o cenário de reajustes em contratos de 2026

27 fev 2026 - 07h30 Joice Gomes
Inflação do aluguel (IGP-M) cai 0,73% em fevereiro e muda o cenário de reajustes em contratos de 2026 A queda da inflação do aluguel medida pelo IGP-M em fevereiro altera reajustes de contratos. (Imagem: Arquivo/Agência Brasil)

A inflação do aluguel medida pelo Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,73% em fevereiro, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado reverte a alta de 0,41% observada em janeiro e altera, na prática, o ambiente de reajustes para contratos que usam o indicador como referência.

Além da variação mensal negativa, a inflação do aluguel também ficou marcada por um acumulado de -2,67% em 12 meses e por retração de 0,32% no ano. Na comparação histórica, fevereiro de 2025 havia mostrado alta mensal de 1,06% e um acumulado de 8,44% em 12 meses, o que ajuda a dimensionar a mudança de patamar do índice.

Na rotina de locadores e inquilinos, a leitura mais imediata é simples: quando a inflação do aluguel (IGP-M) fica negativa em 12 meses, o reajuste contratual tende a resultar em correção menor e, em alguns casos, até em redução do valor, dependendo da cláusula de atualização e do período de referência do contrato. Ainda assim, o impacto final pode variar conforme a data de aniversário do contrato, o índice efetivamente previsto no documento e eventuais renegociações.

O que aconteceu com o IGP-M em fevereiro

O IGP-M é frequentemente chamado de inflação do aluguel porque, historicamente, foi adotado em muitos contratos de locação como índice de correção anual. Em fevereiro, o indicador caiu 0,73%, movimento que, na prática, interrompe a sequência de pressão vista no início do ano e reforça um quadro de desaceleração em alguns componentes do índice.

O resultado do mês também foi influenciado pelo comportamento do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que caiu 1,18% em fevereiro, após ter subido 0,34% em janeiro. Como o IPA tem grande peso na composição do IGP-M, variações mais intensas em preços no atacado costumam acelerar ou frear a inflação do aluguel com rapidez.

  • IGP-M: -0,73% em fevereiro, após 0,41% em janeiro.
  • Acumulados do IGP-M: -0,32% no ano e -2,67% em 12 meses.
  • IPA (atacado): -1,18% em fevereiro, após 0,34% em janeiro.

Por que isso importa para reajustes e negociações

Quando a inflação do aluguel entra em terreno negativo no acumulado de 12 meses, a consequência prática costuma aparecer no momento do reajuste anual: a correção tende a ser menor do que em períodos de alta e pode até reduzir o valor nominal, se o contrato aplicar integralmente a variação acumulada. Em um mercado onde a atualização anual pesa diretamente no orçamento das famílias e na renda de proprietários, esse tipo de dado influencia negociações antes mesmo do aniversário do contrato.

Outro efeito comum é a mudança de postura nas renegociações: com a inflação do aluguel em queda, inquilinos ganham argumento para pedir condições mais suaves, enquanto proprietários podem buscar compensações via prazo, garantias, pequenos ajustes de preço ou manutenção. Na prática, o indicador funciona como uma referência objetiva para conversas que, muitas vezes, dependem de múltiplos fatores, como vacância, demanda no bairro, custos de manutenção e alternativas de moradia.

  • Reajustes podem ficar menores quando o IGP-M acumula queda em 12 meses.
  • Contratos com aniversário próximo tendem a sentir mais rapidamente o efeito do acumulado.
  • Negociações podem incorporar o índice como referência, mas também consideram condições de mercado e cláusulas contratuais.

O que explica a queda: atacado, consumo e construção

Uma parte central da explicação para a queda do IGP-M em fevereiro veio do atacado, por meio do IPA. Segundo o economista André Braz, da FGV, houve forte recuo puxado por commodities relevantes, com quedas como minério de ferro (-6,92%), soja (-6,36%) e café (-9,17%), o que ajuda a entender a descompressão da inflação do aluguel no mês.

No consumo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para 0,30% em fevereiro, ante 0,51% em janeiro, com perda de intensidade em itens como mensalidades escolares, de acordo com a FGV. Entre as classes de despesa do IPC, houve desaceleração em cinco grupos, como Alimentação (0,66% para 0,17%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,60% para 0,12%), enquanto Habitação acelerou (0,06% para 0,33%).

Na construção civil, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,34% em fevereiro, desacelerando frente a 0,63% em janeiro. A FGV registrou movimentos distintos nos componentes: Materiais e Equipamentos recuaram de 0,35% para 0,30%, Serviços aceleraram de 0,25% para 0,36% e Mão de Obra diminuiu de 1,03% para 0,39%, sinalizando perda de fôlego na pressão de custos trabalhistas.

  • Commodities recuaram e ajudaram a derrubar o IPA, com impacto no IGP-M.
  • IPC desacelerou, com menor intensidade em mensalidades escolares e variações diferentes entre grupos.
  • INCC seguiu em alta, mas em ritmo menor, com desaceleração da mão de obra.

O que pode acontecer a partir de agora

Para os próximos meses, o comportamento da inflação do aluguel tende a continuar sensível ao atacado, especialmente a preços de commodities e a movimentos cambiais que influenciam custos de produção e insumos. Se a dinâmica de queda no IPA persistir, o IGP-M pode seguir pressionado para baixo, mas o índice também pode voltar a oscilar caso haja choques em alimentos, energia, transporte ou custos de construção.

Para quem tem contrato de aluguel, o ponto mais importante é acompanhar qual índice está previsto no documento e qual período de referência será aplicado no reajuste anual. Em cenários de variação negativa do IGP-M em 12 meses, aumenta a relevância de conferir a cláusula de correção, o mês de aniversário do contrato e a possibilidade de renegociação, já que o resultado pode alterar o valor final de forma concreta.

  • Oscilações do atacado podem manter o IGP-M volátil, principalmente via commodities.
  • Custos de construção ainda sobem, embora em ritmo menor, e podem influenciar despesas de manutenção e reformas.
  • O impacto no aluguel depende da regra contratual, do período de referência e de eventual renegociação.
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