São Paulo | 28ºC
Seg, 16 de Março
Busca
Economia

Inflação do aluguel (IGP-M) cai 0,73% em fevereiro e muda o cenário de reajustes em contratos de 2026

27 fev 2026 - 07h30 Joice Gomes
Inflação do aluguel (IGP-M) cai 0,73% em fevereiro e muda o cenário de reajustes em contratos de 2026 A queda da inflação do aluguel medida pelo IGP-M em fevereiro altera reajustes de contratos. (Imagem: Arquivo/Agência Brasil)

A inflação do aluguel medida pelo Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,73% em fevereiro, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado reverte a alta de 0,41% observada em janeiro e altera, na prática, o ambiente de reajustes para contratos que usam o indicador como referência.

Além da variação mensal negativa, a inflação do aluguel também ficou marcada por um acumulado de -2,67% em 12 meses e por retração de 0,32% no ano. Na comparação histórica, fevereiro de 2025 havia mostrado alta mensal de 1,06% e um acumulado de 8,44% em 12 meses, o que ajuda a dimensionar a mudança de patamar do índice.

Na rotina de locadores e inquilinos, a leitura mais imediata é simples: quando a inflação do aluguel (IGP-M) fica negativa em 12 meses, o reajuste contratual tende a resultar em correção menor e, em alguns casos, até em redução do valor, dependendo da cláusula de atualização e do período de referência do contrato. Ainda assim, o impacto final pode variar conforme a data de aniversário do contrato, o índice efetivamente previsto no documento e eventuais renegociações.

O que aconteceu com o IGP-M em fevereiro

O IGP-M é frequentemente chamado de inflação do aluguel porque, historicamente, foi adotado em muitos contratos de locação como índice de correção anual. Em fevereiro, o indicador caiu 0,73%, movimento que, na prática, interrompe a sequência de pressão vista no início do ano e reforça um quadro de desaceleração em alguns componentes do índice.

O resultado do mês também foi influenciado pelo comportamento do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que caiu 1,18% em fevereiro, após ter subido 0,34% em janeiro. Como o IPA tem grande peso na composição do IGP-M, variações mais intensas em preços no atacado costumam acelerar ou frear a inflação do aluguel com rapidez.

  • IGP-M: -0,73% em fevereiro, após 0,41% em janeiro.
  • Acumulados do IGP-M: -0,32% no ano e -2,67% em 12 meses.
  • IPA (atacado): -1,18% em fevereiro, após 0,34% em janeiro.

Por que isso importa para reajustes e negociações

Quando a inflação do aluguel entra em terreno negativo no acumulado de 12 meses, a consequência prática costuma aparecer no momento do reajuste anual: a correção tende a ser menor do que em períodos de alta e pode até reduzir o valor nominal, se o contrato aplicar integralmente a variação acumulada. Em um mercado onde a atualização anual pesa diretamente no orçamento das famílias e na renda de proprietários, esse tipo de dado influencia negociações antes mesmo do aniversário do contrato.

Outro efeito comum é a mudança de postura nas renegociações: com a inflação do aluguel em queda, inquilinos ganham argumento para pedir condições mais suaves, enquanto proprietários podem buscar compensações via prazo, garantias, pequenos ajustes de preço ou manutenção. Na prática, o indicador funciona como uma referência objetiva para conversas que, muitas vezes, dependem de múltiplos fatores, como vacância, demanda no bairro, custos de manutenção e alternativas de moradia.

  • Reajustes podem ficar menores quando o IGP-M acumula queda em 12 meses.
  • Contratos com aniversário próximo tendem a sentir mais rapidamente o efeito do acumulado.
  • Negociações podem incorporar o índice como referência, mas também consideram condições de mercado e cláusulas contratuais.

O que explica a queda: atacado, consumo e construção

Uma parte central da explicação para a queda do IGP-M em fevereiro veio do atacado, por meio do IPA. Segundo o economista André Braz, da FGV, houve forte recuo puxado por commodities relevantes, com quedas como minério de ferro (-6,92%), soja (-6,36%) e café (-9,17%), o que ajuda a entender a descompressão da inflação do aluguel no mês.

No consumo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para 0,30% em fevereiro, ante 0,51% em janeiro, com perda de intensidade em itens como mensalidades escolares, de acordo com a FGV. Entre as classes de despesa do IPC, houve desaceleração em cinco grupos, como Alimentação (0,66% para 0,17%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,60% para 0,12%), enquanto Habitação acelerou (0,06% para 0,33%).

Na construção civil, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,34% em fevereiro, desacelerando frente a 0,63% em janeiro. A FGV registrou movimentos distintos nos componentes: Materiais e Equipamentos recuaram de 0,35% para 0,30%, Serviços aceleraram de 0,25% para 0,36% e Mão de Obra diminuiu de 1,03% para 0,39%, sinalizando perda de fôlego na pressão de custos trabalhistas.

  • Commodities recuaram e ajudaram a derrubar o IPA, com impacto no IGP-M.
  • IPC desacelerou, com menor intensidade em mensalidades escolares e variações diferentes entre grupos.
  • INCC seguiu em alta, mas em ritmo menor, com desaceleração da mão de obra.

O que pode acontecer a partir de agora

Para os próximos meses, o comportamento da inflação do aluguel tende a continuar sensível ao atacado, especialmente a preços de commodities e a movimentos cambiais que influenciam custos de produção e insumos. Se a dinâmica de queda no IPA persistir, o IGP-M pode seguir pressionado para baixo, mas o índice também pode voltar a oscilar caso haja choques em alimentos, energia, transporte ou custos de construção.

Para quem tem contrato de aluguel, o ponto mais importante é acompanhar qual índice está previsto no documento e qual período de referência será aplicado no reajuste anual. Em cenários de variação negativa do IGP-M em 12 meses, aumenta a relevância de conferir a cláusula de correção, o mês de aniversário do contrato e a possibilidade de renegociação, já que o resultado pode alterar o valor final de forma concreta.

  • Oscilações do atacado podem manter o IGP-M volátil, principalmente via commodities.
  • Custos de construção ainda sobem, embora em ritmo menor, e podem influenciar despesas de manutenção e reformas.
  • O impacto no aluguel depende da regra contratual, do período de referência e de eventual renegociação.
Leia Também
Receita Federal define calendário da restituição do IR 2026 e primeiro lote será pago em 29 de maio
Economia Receita Federal define calendário da restituição do IR 2026 e primeiro lote será pago em 29 de maio
Mercado prevê corte da Selic para 14,75% e reajusta expectativas para inflação, PIB e dólar em 2026
Economia Mercado prevê corte da Selic para 14,75% e reajusta expectativas para inflação, PIB e dólar em 2026
Brent ultrapassa US$ 105 e reacende pressão sobre combustíveis, inflação e transporte no mercado global
Petróleo Brent ultrapassa US$ 105 e reacende pressão sobre combustíveis, inflação e transporte no mercado global
CMN regulamenta R$ 500 milhões em crédito para cidades de Minas Gerais devastadas pelas chuvas
Crédito Emergencial CMN regulamenta R$ 500 milhões em crédito para cidades de Minas Gerais devastadas pelas chuvas
Governo mobiliza R$ 179 bilhões para transição ecológica desde 2023 e amplia Fundo Clima em 2026
Economia Governo mobiliza R$ 179 bilhões para transição ecológica desde 2023 e amplia Fundo Clima em 2026
Privatização da BR Distribuidora volta ao debate após alta dos combustíveis e críticas sobre perda de controle de preços
Economia Privatização da BR Distribuidora volta ao debate após alta dos combustíveis e críticas sobre perda de controle de preços
Reajuste do diesel pela Petrobras expõe fragilidades do mercado de abastecimento e acende alerta sobre guerra no Irã
Combustíveis Reajuste do diesel pela Petrobras expõe fragilidades do mercado de abastecimento e acende alerta sobre guerra no Irã
Distribuidoras pedem mais importação de diesel pela Petrobras após pacote do governo para conter preços
Economia Distribuidoras pedem mais importação de diesel pela Petrobras após pacote do governo para conter preços
Petrobras pagou R$ 277,6 bilhões em impostos em 2025 e mantém posto de maior contribuinte do país
Tributos Petrobras pagou R$ 277,6 bilhões em impostos em 2025 e mantém posto de maior contribuinte do país
Greve da Avibras termina após 1.280 dias e reestruturação prevê pagamento de R$ 230 milhões a trabalhadores
Economia Greve da Avibras termina após 1.280 dias e reestruturação prevê pagamento de R$ 230 milhões a trabalhadores
Mais Lidas
Incêndio de grandes proporções destrói galpão da Motocriss em Ramos, no Rio de Janeiro
Incêndio Incêndio de grandes proporções destrói galpão da Motocriss em Ramos, no Rio de Janeiro
Brent ultrapassa US$ 105 e reacende pressão sobre combustíveis, inflação e transporte no mercado global
Petróleo Brent ultrapassa US$ 105 e reacende pressão sobre combustíveis, inflação e transporte no mercado global
Heráclito, o filósofo do rio em fluxo: ninguém entra duas vezes no mesmo rio e sua lição eterna sobre mudança
Filósofo Heráclito, o filósofo do rio em fluxo: ninguém entra duas vezes no mesmo rio e sua lição eterna sobre mudança
Inscrições para OBA e OBAFOG 2026 começam com datas unificadas e prova presencial nas escolas
Educação Inscrições para OBA e OBAFOG 2026 começam com datas unificadas e prova presencial nas escolas