São Paulo | 21ºC
Qui, 06 de Agosto
Economia

Contas públicas têm superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro; estatais pressionam e dívida bruta fica em 78,7% do PIB

28 fev 2026 - 08h00 Joice Gomes
Contas públicas têm superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro; estatais pressionam e dívida bruta fica em 78,7% do PIB As contas públicas registraram superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro. (Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A dinâmica das contas públicas começou 2026 com um número expressivo e, ao mesmo tempo, cheio de nuances que importam para o cotidiano e para as expectativas do mercado: o setor público consolidado registrou superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro, segundo estatísticas fiscais divulgadas pelo Banco Central. O dado reúne União, estados, municípios e empresas estatais e se refere ao resultado primário, que mede a diferença entre receitas e despesas sem considerar o pagamento de juros da dívida. Em linguagem direta, é o “saldo do mês” antes do custo financeiro do endividamento.

Apesar do valor elevado, o próprio comparativo mostra que o resultado veio um pouco abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior: em janeiro de 2025, o superávit primário foi de R$ 104,1 bilhões. A diferença é pequena, mas ajuda a entender por que a leitura do indicador não pode ficar restrita ao resultado de um único mês. O Banco Central também chama atenção para o desempenho do acumulado em 12 meses, que ainda está negativo.

No recorte de um ano, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 55,4 bilhões, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse número é relevante porque mostra que o setor público, apesar de ter iniciado o ano no azul, ainda carrega um saldo recente desfavorável quando se observa um período mais longo. Além disso, o Banco Central registrou que 2025 terminou com déficit primário de R$ 55 bilhões, também equivalente a 0,43% do PIB, o que ajuda a contextualizar o ponto de partida para 2026.

O que aconteceu nas contas públicas em janeiro

O destaque do mês foi o desempenho do Governo Central, que fechou janeiro com superávit primário de R$ 87,3 bilhões. Na mesma linha, estados e municípios, agrupados como governos regionais nas estatísticas do Banco Central, somaram resultado positivo de R$ 21,3 bilhões. Esses dois blocos foram os principais responsáveis por levar o setor público consolidado ao superávit.

Em sentido oposto, as empresas estatais federais, estaduais e municipais (com exclusão de Petrobras e Eletrobras, conforme a metodologia do Banco Central) apresentaram déficit de R$ 4,9 bilhões em janeiro. Ou seja, enquanto governo central e entes regionais ajudaram a elevar o saldo, o desempenho das estatais atuou como fator de redução do resultado consolidado no mês.

  • Resultado primário do setor público consolidado: superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro de 2026.
  • Governo Central: superávit de R$ 87,3 bilhões; governos regionais: superávit de R$ 21,3 bilhões; estatais: déficit de R$ 4,9 bilhões.
  • Acumulado em 12 meses: déficit primário de R$ 55,4 bilhões (0,43% do PIB).

Por que isso importa na prática

O resultado primário é acompanhado de perto porque está ligado à trajetória da dívida pública: superávits ajudam a conter o crescimento do endividamento, enquanto déficits tendem a exigir mais financiamento. No entanto, o peso dos juros altera significativamente a fotografia fiscal. Em janeiro, os juros nominais apropriados somaram R$ 63,6 bilhões, influenciados pela elevação da taxa básica de juros e pelo tamanho do endividamento líquido, o que reduz o ganho do superávit primário quando se passa para o resultado nominal.

Por isso, além do primário, o Banco Central divulga o resultado nominal, que soma o resultado primário aos juros. Em janeiro, o setor público consolidado teve superávit nominal de R$ 40,1 bilhões, abaixo do observado em janeiro de 2025 (R$ 63,7 bilhões). No acumulado em 12 meses, porém, o resultado nominal ficou bastante pressionado: déficit de R$ 1,086 trilhão, equivalente a 8,49% do PIB, indicador que costuma entrar no radar de investidores e avaliações de risco soberano.

  • Juros nominais em janeiro: R$ 63,6 bilhões.
  • Resultado nominal em janeiro: superávit de R$ 40,1 bilhões (após considerar juros).
  • Resultado nominal em 12 meses: déficit de R$ 1,086 trilhão (8,49% do PIB).

Impactos na dívida e o que pode vir a seguir

O relatório do Banco Central também traz os números mais observados quando o assunto é endividamento: a dívida líquida do setor público chegou a R$ 8,3 trilhões em janeiro, o equivalente a 65,0% do PIB, com queda de 0,3 ponto percentual no mês. Segundo o Banco Central, essa redução refletiu principalmente o superávit primário, a variação do PIB nominal e ajustes na dívida externa líquida, com compensações vindas dos juros nominais e do efeito cambial. O texto cita, ainda, uma apreciação cambial de 4,9% em janeiro como parte do conjunto de fatores.

Já a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 10,1 trilhões, o equivalente a 78,7% do PIB, mantendo o mesmo percentual do mês anterior. Em termos práticos, esse indicador é usado em comparações internacionais e também ajuda a balizar a percepção de sustentabilidade fiscal ao longo do tempo. Para os próximos meses, a combinação entre nível de juros, ritmo de atividade, comportamento das receitas e desempenho das estatais tende a definir se o resultado do começo do ano se sustenta e em que intensidade a dívida pode oscilar.

  • Dívida líquida: R$ 8,3 trilhões (65,0% do PIB) em janeiro, com redução de 0,3 ponto percentual no mês.
  • Dívida bruta do governo geral: R$ 10,1 trilhões (78,7% do PIB) em janeiro, estável em proporção do PIB.
  • Fatores citados para a variação mensal: superávit primário, PIB nominal, juros nominais e efeito cambial.

Ao olhar para frente, o dado de janeiro funciona como um termômetro inicial, mas não como uma sentença sobre o ano fiscal. A leitura que tende a ganhar força é a que combina o impulso do superávit de R$ 103,7 bilhões no mês com o fato de que o acumulado em 12 meses ainda está deficitário, além do peso dos juros no resultado nominal. É nessa interseção entre fluxo de receitas e despesas, custo da dívida e desempenho das estatais que se define a velocidade com que o setor público consegue melhorar, ou não, a percepção de equilíbrio das contas.

Leia Também
Sebrae-SP abre inscrições gratuitas para o programa ALI Rural no Vale do Ribeira
Programa ALI Rural no Vale do Ribeira Sebrae-SP abre inscrições gratuitas para o programa ALI Rural no Vale do Ribeira
Mongaguá convoca empresários e contadores para alinhar FacilitaSP e ISS
FacilitaSP e ISS Mongaguá convoca empresários e contadores para alinhar FacilitaSP e ISS
São Vicente abre 60 vagas em cursos gratuitos de Logística e Almoxarife
Cursos gratuitos São Vicente abre 60 vagas em cursos gratuitos de Logística e Almoxarife
Bolsa Família: Caixa paga parcela de julho para NIS final 7; veja regras
Bolsa Família Bolsa Família: Caixa paga parcela de julho para NIS final 7; veja regras
Leilão da Receita Federal em SP traz iPhones, notebooks e VR com lances baixos
Leilão Leilão da Receita Federal em SP traz iPhones, notebooks e VR com lances baixos
Bolsa Família de julho libera saques para NIS final 6; veja valores e regras
Bolsa Família Bolsa Família de julho libera saques para NIS final 6; veja valores e regras
Bolsa Família de julho libera saques para NIS final 4; veja as regras
Bolsa Família Bolsa Família de julho libera saques para NIS final 4; veja as regras
Governo antecipa 1,8 GW de energia contra o pior El Niño em décadas
Setor Elétrico Governo antecipa 1,8 GW de energia contra o pior El Niño em décadas
TCU alerta para risco fiscal bilionário com Correios e cobra socorro do governo
Correios pede socorro TCU alerta para risco fiscal bilionário com Correios e cobra socorro do governo
Dólar despenca ao menor valor desde junho impulsionado pelo petróleo; Ibovespa dispara
Tensões geopolíticas Dólar despenca ao menor valor desde junho impulsionado pelo petróleo; Ibovespa dispara
Mais Lidas
Bolsa Estágio SP abre inscrições para estudantes da rede estadual com auxílio financeiro
Bolsa Estágio SP Bolsa Estágio SP abre inscrições para estudantes da rede estadual com auxílio financeiro
Governo de SP abre inscrições para o Bolsa Estágio Ensino Médio, oferecendo vagas remuneradas e auxílio-transporte para estudantes da rede estadual.
Mutirão de emprego em Santos oferece vagas urgentes na área de serviços nesta quinta
Mutirão de emprego Mutirão de emprego em Santos oferece vagas urgentes na área de serviços nesta quinta
Embraps realiza mutirão de emprego presencial nesta quinta-feira (30) em Santos, focado em vagas de facilities para início imediato na região.
Hidrovias do Brasil abre vagas em Santos e SP: veja cargos e como se candidatar
Vagas em Santos e SP Hidrovias do Brasil abre vagas em Santos e SP: veja cargos e como se candidatar
A gigante de logística Hidrovias do Brasil abre processo seletivo para posições estratégicas em Santos e São Paulo. Veja como garantir sua inscrição.
Agosto Lilás: Palácio dos Bandeirantes muda de cor e abre ofensiva contra violência de gênero
Agosto Lilás Agosto Lilás: Palácio dos Bandeirantes muda de cor e abre ofensiva contra violência de gênero
Palácio dos Bandeirantes ganha iluminação lilás para abrir o Agosto Lilás e marcar os 18 anos da Lei Maria da Penha com novas ações de segurança em SP.