Equivalência em proteção de dados entre Brasil e União Europeia permite fluxo livre e seguro de informações, reduz custos para empresas e fortalece relações comerciais.
(Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil)
O Brasil e a União Europeia deram um passo decisivo nesta terça-feira (27) ao reconhecerem mutuamente a equivalência em proteção de dados. A cerimônia no Palácio do Planalto marcou o primeiro acordo bilateral do país nessa área.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, em exercício da Presidência, destacou os benefícios para empresas e cidadãos. Vai trazer mais segurança jurídica, facilita a vida das pessoas, das empresas, reduz custo, melhora competitividade, afirmou ele.
Reconhecimento mútuo e o que muda
A Comissão Europeia atestou que o Brasil oferece nível adequado de proteção de dados pessoais, alinhado ao GDPR. Em reciprocidade, a ANPD validou os padrões da UE como compatíveis à LGPD.
Isso cria a maior área de fluxos seguros de dados do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas. Transferências internacionais agora ocorrem de forma direta, sem cláusulas contratuais extras ou auditorias complexas.
O comissário europeu Michael McGrath enfatizou a confiança gerada para 670 milhões de indivíduos. Cria uma área comum de confiança para fluxo livre de dados entre setores público e privado, disse.
Impactos para cidadãos e empresas brasileiras
Para brasileiros, dados enviados à UE ganham proteção equivalente à dos europeus, em serviços como bancos, apps e streaming. Direitos como acesso e exclusão de dados ficam assegurados.
Empresas brasileiras se beneficiam com menos burocracia e custos. Setores como tech, fintechs e healthtechs podem expandir para o mercado europeu de 450 milhões de consumidores com mais facilidade.
- Redução de custos regulatórios e compliance;
- Aumento no comércio digital em até 9%;
- Maior atratividade para investimentos estrangeiros;
- Estímulo a inovação e parcerias internacionais.
O presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves Ortunho Júnior, chamou o marco de histórico para a economia digital. Ele reforçou que transferências serão seguras e simplificadas.
Contexto da LGPD e posição global do Brasil
A decisão baseia-se no artigo 33 da LGPD, que permite transferências para destinos com proteção adequada. Não abrange fins de segurança pública ou defesa nacional.
Na América do Sul, apenas Argentina e Uruguai tinham esse status. O Brasil agora integra o grupo restrito, reforçando sua maturidade regulatória.
Alckmin lembrou que a UE é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. O acordo complementa serviços e impulsiona investimentos recíprocos.
A ministra Luciana Santos, da Ciência e Tecnologia, viu no pacto valores compartilhados como proteção de direitos e inovação responsável. Impulsiona investimentos e integração produtiva, declarou.
Diretor da ANPD, Iagê Miola, destacou o compromisso com direitos fundamentais. Reconhecimento da maturidade da LGPD e da atuação da agência.
Perspectivas futuras e monitoramento
A ANPD planeja monitorar o acordo, com reavaliação em até quatro anos. Isso garante adaptações a mudanças regulatórias.
Especialistas preveem aceleração de negócios digitais. Startups brasileiras ganham vantagem competitiva no exterior, com regras claras.
O pacto pavimenta caminho para outros acordos semelhantes. Alckmin previu sequência de negociações para expandir a proteção de dados global.
Para o consumidor, significa mais opções de serviços internacionais seguros. Plataformas europeias operam no Brasil com transparência reforçada.
Esse avanço consolida o Brasil como player confiável na economia de dados. Em um mundo hiperconectado, a proteção de dados vira diferencial estratégico.
A economia digital brasileira, que cresce aceleradamente, ganha fôlego. Estudos indicam potencial de elevação no comércio bilateral.
Empresas devem revisar políticas de dados para maximizar benefícios. Orientação da ANPD será crucial nos próximos meses.