lobal Game Jam eúne 600 desenvolvedores no Brasil em 48 horas de criação intensa de jogos sob o tema "máscara", impulsionando inovação e mercado nacional.
(Imagem: Global Game Jam Curitiba 2025/Cassiano Rosário)
A Global Game Jam chega à sua 17ª edição com uma expectativa gigante: reunir cerca de 600 desenvolvedores de jogos no Brasil, parte de um movimento mundial que envolve 30 mil participantes em 100 países. Em Curitiba, a etapa brasileira mais robusta acontece na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), de 30 de janeiro a 1º de fevereiro, totalmente gratuita e aberta ao público. Já são mais de 500 inscritos, e as vagas seguem disponíveis online até esta sexta-feira.
Organizado simultaneamente em cerca de 800 sedes globais, o evento transforma universidades, empresas e espaços independentes em hubs de criatividade por 48 horas intensas. No Brasil, são 30 locais confirmados, mas a Global Game Jam de Curitiba se destaca como o maior presencial do país e um dos mais produtivos do planeta, gerando historicamente entre 70 e 100 novos jogos por ano. Para 2026, os organizadores apostam em mais de 80 títulos prontos para teste público.
Imersão total por 48 horas de criação
Os participantes da Global Game Jam se dividem em equipes mistas, compostas por iniciantes, estudantes e profissionais experientes, mergulhando em um ciclo completo de desenvolvimento: da ideia inicial ao protótipo jogável. Não há premiação tradicional ou ranqueamento feroz; o foco está na experimentação colaborativa e na visibilidade internacional que o site oficial do evento proporciona aos projetos finais.
Os jogos nascem para múltiplas plataformas, abrangendo desde PC e mobile até realidade virtual e formatos analógicos inovadores, como tabuleiros personalizados, livros-jogo interativos, escape rooms físicos e narrativas de RPG ao vivo. No encerramento, domingo das 15h às 18h, rola a "Play Party", sessão aberta onde todo mundo testa os games fresquinhos, fomentando feedback imediato e conexões valiosas.
Máscara: tema que inspira diversidade global
O conceito "máscara" guia toda a Global Game Jam deste ano, abrindo espaço para interpretações culturais únicas em cada canto do mundo. Desenvolvedores do Oriente Médio podem explorar véus sociais ou identidades duplas; russos, talvez camadas psicológicas; enquanto brasileiros trazem pitadas de carnaval, anonimato digital ou crítica social. Essa polissemia enriquece o catálogo final com dezenas de abordagens inesperadas.
Bruno Campagnolo de Paula, coordenador de Jogos Digitais da PUCPR, enfatiza que a força da maratona está justamente nessa colheita multicultural de ideias. "Cada cultura lê o tema de um jeito, gerando jogos únicos que circulam globalmente", explica ele, que acompanha o evento desde edições iniciais e vê nele um caldeirão perfeito para inovação sem fronteiras.
Da jam ao sucesso comercial dos games
Muitos protótipos da Global Game Jam evoluem para hits comerciais após a publicação no portal oficial. Equipes frequentemente refinam seus trabalhos, lançando em lojas como Steam, App Store ou Google Play, ou até negociando licenças com estúdios maiores. "É porta de entrada para a economia criativa, uma das maiores indústrias hoje", pontua Campagnolo.
- Times descobrem parcerias durante o evento e formam estúdios independentes dedicados.
- Jogos analógicos viram produtos físicos vendidos em feiras e e-commerces especializados.
- Projetos VR ou mobile atraem investidores que bancam versões completas e polidas.
Mercado brasileiro de games em alta
O timing da Global Game Jam não poderia ser melhor: a Pesquisa Game Brasil registra crescimento de 8,9% no consumo de jogos digitais entre 2024 e 2025, com 82,8% dos brasileiros já na jogatina via mobile ou PC. Comparado ao cinema, o setor de games rivaliza em faturamento, gerando empregos criativos e exportações culturais em ascensão.
Para o Brasil, eventos como esse aceleram a profissionalização, conectando talentos locais a redes globais. Campagnolo compara o impacto à formação de cineastas em festivais: "Jogos nascem aqui e conquistam o mundo, monetizando ideias que começaram em 48 horas de suor coletivo".
Troca geracional impulsiona novos talentos
A magia da Global Game Jam vai além da produção: é um hub de mentorship orgânico. Alunos novatos da PUCPR dividem pixels com veteranos do mercado, absorvendo truques de game design, programação e narrativa em tempo real. "Vejo meninos tímidos de 10 anos atrás virarem referências nacionais", emociona-se o coordenador.
Minors participam acompanhados, ampliando o acesso e diversificando vozes na indústria. Essa mistura etária e skill-wise cria um ecossistema onde todos saem ganhando: novatos aceleram curvas de aprendizado, pros testam loucuras sem risco, e a comunidade brasileira de games se fortalece para desafios maiores, como exportar criatividade para além das fronteiras.
Com inscrições abertas até sexta, a Global Game Jam 2026 em Curitiba promete reafirmar o Brasil como polo vibrante de desenvolvimento de jogos, unindo tradição hacker à economia criativa em expansão. Não perca a chance de conferir ou até mergulhar nessa maratona que redefine o futuro interativo.