Robôs humanóides chineses protagonizaram o gala do Festival da Primavera na CCTV, exibindo lutas de kung fu e danças.
(Imagem: gerado por IA)
O gala anual do Festival da Primavera, transmitido pela CCTV nesta segunda-feira (16), reuniu milhões de espectadores e transformou o Ano Novo Lunar em vitrine para a robótica chinesa. Quatro startups, Unitree Robotics, Galbot, Noetix e MagicLab, apresentaram seus robôs humanóides em performances que misturaram entretenimento e demonstração tecnológica.
Os robôs humanóides abriram o programa com sequências impressionantes de artes marciais, incluindo o estilo "boxe bêbado", onde mais de uma dúzia de unidades da Unitree executaram movimentos coordenados com espadas, bastões e nunchakus ao lado de crianças artistas. Essa exibição não só entretém, mas evidencia avanços em coordenação múltipla e recuperação de falhas, essenciais para aplicações reais.
Performances que unem tradição e inovação
A Unitree Robotics liderou as atrações iniciais com robôs humanóides realizando lutas sofisticadas, simulando quedas e recuperações rápidas. Já os modelos Noetix participaram de esquetes cômicas ao lado de atores humanos, enquanto os MagicLab dançaram sincronizados na música "We Are Made in China". O chatbot Doubao, da Alibaba, também marcou presença na abertura, integrando IA conversacional ao espetáculo.
Essas apresentações seguem a tradição do gala da CCTV, que há anos destaca prioridades tecnológicas de Pequim, como programas espaciais e drones. No ano passado, 16 robôs humanóides Unitree já haviam impressionado com danças uníssonas, o que rendeu ao fundador da empresa um encontro com o presidente Xi Jinping.
- Os robôs Unitree H1 medem cerca de 1,80 m e atingem 3,3 m/s, com sensores LiDAR para navegação complexa.
- Modelos G1 da Unitree pesam 35 kg e custam cerca de US$ 16 mil, voltados para tarefas domésticas e industriais.
- MagicLab G1 oferece 42 graus de liberdade e payload de 20 kg, com rede MagicNet para operações em frota.
Apoio estatal impulsiona o setor
Xi Jinping reuniu-se com fundadores de startups de robótica, equiparando o setor a veículos elétricos e semicondutores em relevância estratégica. Empresas como Unitree e AgiBot preparam ofertas públicas iniciais (IPOs) em 2026, sinalizando confiança de investidores. O governo vê nos robôs humanóides uma solução para o envelhecimento populacional e aumento de produtividade.
Georg Stieler, consultor de tecnologia, destaca que o gala oferece recompensas concretas, como contratos governamentais e visibilidade de mercado. Analistas como Poe Zhao enfatizam a combinação de IA, hardware e manufatura como trunfos chineses nesse campo emergente.
Mercado global em expansão acelerada
A China dominou 90% das 13 mil unidades de robôs humanóides vendidas mundialmente em 2025, segundo a Omdia. O Morgan Stanley prevê dobrar para 28 mil unidades em 2026, com produção em massa de empresas como UBTech mirando 5 mil a 10 mil unidades anuais. Elon Musk reconhece os concorrentes chineses como os mais fortes, especialmente ante o Optimus da Tesla.
Essa liderança decorre de cadeias de suprimentos robustas e quedas de custo de 20% a 30% ao ano, permitindo escalas rápidas vistas em veículos elétricos. Mais de 150 empresas atuam no setor, com aplicações em fábricas, lares e entretenimento ganhando tração.
O impacto prático vai além do espetáculo: robôs humanóides prometem automação em tarefas repetitivas, gerando dados para treinamento de IA e reformulando indústrias. Para o futuro, analistas esperam integração em linhas de produção, onde máquinas montarão a si mesmas, e expansão para serviços pessoais.
Eventos paralelos, como shows com 200 unidades da Agibot em Xangai, reforçam o momentum. Com feriados prolongados impulsionando lançamentos, 2026 pode marcar o "momento iPhone" da robótica, tornando os humanóides acessíveis e ubíquos.
- China projeta capacidade acima de 10 mil unidades em 2026, per Morgan Stanley.
- Unitree planeja IPO avaliado em US$ 7 bilhões.
- Noetix enviou 105 robôs em 30 dias em 2025, recorde de produção.
- Galbot e outras focam em coordenação e estabilidade para usos industriais.
Esses avanços posicionam a China à frente na corrida global, influenciando padrões internacionais de IA embarcada e automação. O gala da CCTV, assistido por 79% da audiência ao vivo, não só celebra o Ano Novo Lunar, mas sinaliza o rumo da manufatura futura.