Descubra como o Move Brasil já liberou quase R$ 2 bilhões em um mês para compra de caminhões novos e seminovos.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O Move Brasil alcançou um marco importante logo no primeiro mês de operação. O programa liberou aproximadamente R$ 2 bilhões em financiamentos para a renovação da frota de caminhões, conforme anunciado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Lançado em janeiro de 2026, o Move Brasil responde à retração de 9,2% nas vendas de caminhões em 2025, com queda ainda maior de 20,5% nos modelos pesados. A iniciativa visa substituir veículos antigos por opções mais eficientes, atendendo à demanda crescente de safra recorde e exportações.
Contexto da retração no setor
O mercado de caminhões enfrentou desafios em 2025 devido às altas taxas de juros, que chegavam a 22% ou 23% ao ano. Isso dificultou financiamentos para bens duráveis como caminhões, essenciais para transportar produtos agrícolas e industriais até portos e aeroportos.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), janeiro de 2026 registrou retração de 34,67% nas vendas em comparação a janeiro de 2024. O Move Brasil surge para destravar esse cenário, oferecendo condições mais acessíveis.
Empresas e autônomos relataram impacto imediato. Um transportador de Santa Isabel, por exemplo, adquiriu seu 29º caminhão com o programa, prevendo economia de R$ 200 em combustível por viagem ao Rio de Janeiro e contratações adicionais.
Funcionamento do programa
O Move Brasil disponibiliza R$ 10 bilhões em crédito via BNDES, com R$ 1 bilhão exclusivo para autônomos e cooperados. Os financiamentos cobrem caminhões novos e seminovos fabricados a partir de 2012, que atendam critérios de sustentabilidade e conteúdo local.
- Taxas de juros entre 13% e 14% ao ano, inferiores às praticadas anteriormente.
- Limite de até R$ 50 milhões por usuário, com prazo de 5 anos e carência de 6 meses.
- Cobertura de até 80% pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI).
- Condições melhores para quem entrega veículos antigos para desmonte e reciclagem.
Em um mês, foram realizadas 1.152 operações, com valor médio de R$ 1,1 milhão cada. O programa prioriza veículos nacionais, alinhado à Nova Indústria Brasil, fortalecendo a cadeia produtiva.
Impactos econômicos e ambientais
A adesão rápida demonstra a necessidade do setor. Representantes da indústria, como o CEO da Scania, destacam que cada emprego na produção gera seis indiretos, beneficiando fábricas, concessionárias e fornecedores de peças.
Ambientalmente, o Move Brasil reduz emissões de carbono ao retirar de circulação caminhões Euro 0, 2 e 3. Caminhões novos consomem menos combustível e promovem logística mais sustentável, atendendo demandas globais por eficiência.
Sindicatos, como o dos Metalúrgicos do ABC, elogiam o diálogo entre governo, empresas e trabalhadores para preservar empregos. A iniciativa também apoia o crescimento da agricultura, que subiu 17,9%, e exportações de US$ 349 bilhões em 2025.
Perspectivas futuras
O programa não tem prazo fixo e durará até esgotar os R$ 10 bilhões. Alckmin indicou estudos para torná-lo permanente, transformando-o em política de longo prazo para modernizar a frota nacional.
Com tendência de queda na Selic, o Move Brasil antecipa expectativas positivas para o terceiro e quarto trimestres de 2026. Setor projeta vendas adicionais de cerca de 6 mil unidades, impulsionando emplacamentos a partir de março.
Concessionárias já registram aumento superior a 30% na procura por financiamentos. O sucesso inicial reforça o papel do programa na recuperação econômica do transporte rodoviário, vital para 65% da matriz logística brasileira.
Para acessar o Move Brasil, interessados devem consultar o BNDES ou agentes financeiros credenciados, comprovando enquadramento nos critérios ambientais e de produção local. A medida fortalece não só o setor, mas a competitividade nacional em um cenário de recordes produtivos.