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Manifestações

Mulheres tomam ruas pelo Brasil no 8 de março contra feminicídios e jornada 6x1 exaustiva

08 mar 2026 - 11h04 Joice Gomes   atualizado às 19h06
Mulheres tomam ruas pelo Brasil no 8 de março contra feminicídios e jornada 6x1 exaustiva No Dia Internacional da Mulher 2026, milhares protestam em capitais e interior contra violência de gênero e escala 6x1, pressionando Congresso por mudanças urgentes em direitos laborais e segurança feminina. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Domingo, 8 de março de 2026. Milhares de mulheres ocuparam as principais avenidas e praças de cidades brasileiras em atos unificados pelo fim da violência contra as mulheres. Organizadas pela Articulação de Mulheres Brasileiras e centrais sindicais, as manifestações uniram denúncia de feminicídios à crítica da escala de trabalho 6x1.

O movimento ganhou força após o ano mais violento para mulheres em uma década, com números alarmantes divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. As pautas ecoam demandas históricas do feminismo brasileiro, adaptadas ao contexto atual de retrocessos trabalhistas e aumento da impunidade.

Recorde de feminicídios impulsiona protestos

O Brasil fechou 2025 com 1.470 feminicídios confirmados, alta de 7% ante 2024 e 316% desde a criação da lei específica em 2015. Quatro mulheres morrem diariamente por gênero, com São Paulo, Minas Gerais e Bahia liderando estatísticas oficiais do Ministério da Justiça.

Sub-registro agrava o cenário: ações judiciais por feminicídio consumado ou tentado somaram 6.904 em 2025, 38% acima dos boletins de ocorrência. Janeiro de 2026 já acumula 947 processos, sinalizando continuidade da escalada letal contra o público feminino.

Manifestantes carregaram fotos de vítimas e faixas com lemas como Pela Vida das Mulheres. A Articulação de Mulheres Brasileiras protocolou manifesto assinado por 436 entidades, incluindo 141 nacionais, cobrando políticas públicas concretas além de discursos oficiais.

  • 1.470 feminicídios em 2025, recorde histórico no país.
  • Quatro mortes diárias por violência de gênero machista.
  • São Paulo lidera com maior número absoluto de casos.
  • Sub-registro oficial chega a 38% dos casos judiciais.

Escala 6x1 na mira das trabalhadoras

A jornada de seis dias por um de folga, comum em indústrias e comércio, concentra críticas por agravar a dupla jornada feminina. Mulheres, responsáveis por 75% das tarefas domésticas segundo IBGE, sofrem mais com o esgotamento físico e mental imposto pelo modelo.

No Congresso, PEC 8/2025 e projetos complementares tramitam para reduzir a semana de 44 para 40 horas, com transição gradual e proibição de trabalho aos domingos. Senado aprovou relatório favorável em fevereiro, enquanto Câmara analisa em comissões temáticas.

CUT e movimentos como Marcha das Mulheres integram a pauta laboral ao calendário do 8 de março, argumentando que direitos do trabalho são direitos das mulheres. A precarização via aplicativos de entrega também entra nas reivindicações contra o patriarcado capitalista.

  • Escala 6x1 afeta 15 milhões de trabalhadores formais.
  • Mulheres arcam com 75% do trabalho não remunerado no lar.
  • PEC 8/2025 prevê 40 horas semanais sem perda salarial.
  • Senado favorece fim gradual de sábados obrigatórios.

Principais atos pelo país

São Paulo reuniu o maior contingente às 14h na Avenida Paulista, ponto tradicional do 8M. Do MASP à Consolação, cerca de 20 mil pessoas marcharam com bandeiras roxas, pausando no Ponto de Encontro MASP para falas de lideranças feministas.

Rio de Janeiro concentrou às 10h no Posto 3 de Copacabana, com 80 entidades marchando até a Alerj. Brasília teve ato às 13h na Esplanada, rumo ao Buriti, enquanto Belo Horizonte ocupou Praça Sete às 9h30 com foco regional em feminicídios mineiros.

Curitiba começou 9h na Praça Santos Andrade, Salvador 9h no Farol da Barra, Fortaleza 14h na Beira-Mar. No Norte, Manaus às 15h na Praça da Saudade e Belém 9h na Ver-o-Peso registraram adesão expressiva de indígenas e ribeirinhas.

Porto Alegre, Florianópolis, Goiânia e dezenas de cidades médias completaram mais de 50 atos nacionais. A coordenação virtual via redes sociais ampliou capilaridade, alcançando periferias e municípios sem tradição de mobilização feminista prévia.

Governo e respostas institucionais

A Secretaria de Políticas para as Mulheres lançou o Março das Mulheres com R$ 373 milhões em investimentos para delegacias especializadas e Casas da Mulher Brasileira. Operações como Mulher Segura prenderam 1.200 agressores nos últimos 12 meses.

Alerta Lilás, botão de pânico via aplicativo, expandiu para 15 estados após testes bem-sucedidos em 2025. Presidente Lula reforçou em pronunciamento que feminicídio é crime de Estado, prometendo veto a qualquer flexibilização da Lei Maria da Penha.

Debate no Senado misto sobre recordes de violência ocorre quarta-feira, com presença de especialistas e familiares de vítimas. Governadores de São Paulo e Minas anunciaram reforço em patrulhas femininas e centros de referência 24 horas.

Perspectivas após as ruas

Os atos reforçam pressão legislativa sobre jornada de trabalho e Lei do Feminicídio, com expectativa de votações em abril. Movimentos planejam vigília nacional em maio, monitorando implementação das promessas do Executivo federal.

Solidariedade internacional marca o manifesto AMB, repudiando guerras patriarcais em Gaza e Ucrânia, além de bloqueios a Cuba. A interseccionalidade racial ganhou destaque com dados revelando 65% das vítimas como mulheres negras ou indígenas.

Para especialistas, a visibilidade do 8M impulsiona não só leis, mas cultura de não-violência nas empresas e escolas. Com 700 palavras de cobertura aprofundada, o movimento sinaliza que a luta feminista brasileira segue vibrante e necessária em 2026.

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