Apreensões feitas durante Operação Yellow Code.
(Imagem: MPSP)
A Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (15) a Operação Yellow Code, contra uma organização suspeita de utilizar encomendas de compras pela internet para transportar drogas escondidas em eletrodomésticos. A investigação apura tráfico interestadual de entorpecentes e lavagem de dinheiro.
Praia Grande, na Baixada Santista, foi mencionada em informações sobre o cumprimento de mandados, mas há uma divergência que exige cautela: o comunicado oficial da Polícia Federal relaciona cinco municípios e não inclui a cidade do litoral paulista. Por isso, a existência de diligências especificamente em Praia Grande ainda depende de confirmação oficial adicional.
Quantos mandados foram cumpridos na Operação Yellow Code?
Segundo o balanço divulgado pela Polícia Federal, foram cumpridos 13 mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão. As cidades identificadas oficialmente são São Paulo e São Caetano do Sul, no estado de São Paulo; Palhoça, em Santa Catarina; e Foz do Iguaçu e Pinhais, no Paraná.
Outras informações divulgadas sobre a operação mencionam 14 mandados de prisão temporária e incluem Praia Grande entre os locais de cumprimento. Como a contagem e a relação de cidades não coincidem com o comunicado da PF, esta reportagem adota os números oficiais e registra a divergência sem apresentar a diligência em Praia Grande como definitivamente comprovada.
Como funcionaria o esquema de drogas em eletrodomésticos?
Os investigadores suspeitam que o grupo utilizava a estrutura logística de uma plataforma de comércio eletrônico para despachar encomendas aparentemente regulares. Dentro de eletrodomésticos vendidos pela internet, estariam escondidas porções de drogas, especialmente haxixe, destinadas a compradores na região metropolitana de São Paulo.
A apuração aponta que as remessas saíam principalmente de Foz do Iguaçu, no Paraná, e eram encaminhadas para endereços de destinatários na Grande São Paulo. O uso de uma operação de vendas aparentemente comum teria servido, segundo a investigação, para disfarçar a circulação dos entorpecentes.
Investigadores identificaram cerca de 120 remessas suspeitas
As informações sobre a investigação indicam que foram identificadas aproximadamente 120 encomendas suspeitas, associadas a três grupos de destinatários. A apuração teve início em setembro de 2025, a partir de informações sobre entregas suspeitas, e examinou um padrão de postagens que remontaria a 2024.
A identificação de remessas suspeitas é um elemento investigativo e não significa, por si só, que todas tenham sido periciadas ou que cada destinatário tenha responsabilidade criminal comprovada. O material recolhido e os registros logísticos ainda serão analisados.
Justiça autorizou bloqueio de contas e veículos
Além das medidas de prisão e busca, a Justiça determinou providências patrimoniais contra pessoas e empresas investigadas. As informações sobre a decisão judicial indicam a possibilidade de bloqueio de contas bancárias de até R$ 5 milhões por investigado, além de medidas sobre veículos ligados ao caso.
O objetivo é preservar bens e recursos que possam ter relação com a atividade investigada. O teto autorizado para bloqueio não representa dinheiro efetivamente localizado ou apreendido em cada conta.
PF apreendeu armas, drogas e cerca de R$ 270 mil
No balanço divulgado pela Polícia Federal nesta quinta-feira, as buscas resultaram na apreensão de armas de fogo, drogas e aproximadamente R$ 270 mil em espécie. A corporação não detalhou, nesse comunicado, a quantidade de cada entorpecente nem a distribuição das apreensões por município.
Esses elementos serão submetidos à análise no decorrer da investigação. Novos resultados podem ser divulgados conforme a perícia e o cruzamento de informações financeiras e logísticas avancem.
Empresas de fachada e contas de terceiros estão sob investigação
Os investigadores também apuram a suspeita de lavagem de dinheiro por meio de empresas sem atividade econômica compatível com as movimentações registradas e de contas bancárias de terceiros. Relatórios financeiros teriam apontado transferências fracionadas, saques em espécie e repasses rápidos entre pessoas e empresas.
Essas movimentações são investigadas como possíveis mecanismos para ocultar a origem de recursos. A caracterização dos crimes dependerá da análise das provas e das decisões judiciais cabíveis.
O que se sabe sobre a possível atuação em Praia Grande?
A menção a Praia Grande torna a operação especialmente relevante para a Baixada Santista. No entanto, a nota oficial da PF não relaciona o município entre os cinco locais de cumprimento de mandados. Até que haja esclarecimento da corporação ou do Ministério Público, não é possível informar endereço de diligência, número de alvos ou prisões na cidade.
A investigação continua. Os envolvidos são suspeitos de tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, mas a deflagração da operação e o cumprimento de medidas cautelares não equivalem a condenação. O andamento do caso poderá esclarecer tanto a participação dos investigados quanto a abrangência territorial das diligências.