Trabalho formal e reajustes salariais foram os principais motores para o aumento da renda das famílias brasileiras em 2025.
(Imagem: gerado por IA)
O bolso do brasileiro respirou melhor em 2025. O rendimento médio mensal das famílias atingiu a marca histórica de R$ 2.264 por pessoa, o maior valor já registrado desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua foi iniciada pelo IBGE, em 2012. O número representa um salto real de 6,9% em relação ao ano anterior, já descontando o efeito da inflação.
O resultado, divulgado nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, consolida uma trajetória de recuperação econômica: este é o quarto ano consecutivo de alta no rendimento domiciliar. Na prática, isso significa que a massa de renda circulando na economia brasileira nunca foi tão volumosa, refletindo diretamente no poder de consumo e na capacidade de poupança das famílias.
O motor da alta: trabalho e pleno emprego
Diferente de outros períodos em que o aumento da renda foi impulsionado majoritariamente por transferências governamentais, o recorde de 2025 tem um protagonista claro: o mercado de trabalho. Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa, o trabalho é responsável por 75,1% de tudo o que entra no orçamento doméstico.
"O valor foi puxado, em boa parte, pelo rendimento do trabalho", explica o especialista. Ele destaca que o Brasil operou com níveis mínimos de desemprego ao longo do último ano, o que aumentou o poder de barganha dos trabalhadores. Somado a isso, a política de reajustes reais do salário-mínimo funcionou como um piso que elevou a média geral de diversas categorias profissionais.
Além dos salários, o cálculo do IBGE é abrangente e inclui aposentadorias, pensões, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras e até benefícios sociais. Ao todo, 67,2% da população brasileira (cerca de 143 milhões de pessoas) declararam possuir algum tipo de rendimento, outro recorde da série histórica.
Desigualdade regional e o abismo entre estados
Apesar do otimismo dos números agregados, o retrato do Brasil ainda é de profundos contrastes. O Distrito Federal continua isolado no topo do ranking, com uma renda per capita de R$ 4.401, quase o dobro da média nacional. Logo atrás aparecem São Paulo (R$ 2.862) e Rio Grande do Sul (R$ 2.772).
Na outra ponta da pirâmide, o Maranhão registra o menor rendimento do país, com apenas R$ 1.231 por pessoa — um valor quase quatro vezes menor que o do DF. Acre (R$ 1.372) e Ceará (R$ 1.379) também figuram entre os estados com maior dificuldade de elevar o patamar de renda de seus habitantes.
Regionalmente, o Sul (R$ 2.734) e o Centro-Oeste (R$ 2.712) lideram a prosperidade, enquanto o Nordeste (R$ 1.470) permanece como a região mais dependente de fontes externas ao trabalho. No Nordeste, 32,6% do orçamento familiar vem de "outras fontes", com destaque para programas sociais e aposentadorias, que possuem um peso muito superior à média nacional.
Envelhecimento e o papel do Estado
A pesquisa também acende um alerta demográfico. A parcela da população que recebe aposentadoria ou pensão chegou a 13,8%, o maior nível já visto. Esse crescimento não é apenas econômico, mas social, refletindo o envelhecimento acelerado da população brasileira. Em 2012, esse grupo representava 11,7%.
Quanto aos benefícios sociais, como o Bolsa Família, 18 milhões de domicílios (22,7% do total) ainda dependem desses recursos para fechar as contas. Embora o percentual de famílias beneficiadas tenha tido uma leve oscilação para baixo comparado a 2024, ele ainda permanece significativamente acima dos níveis pré-pandemia de 2019, mostrando que a rede de proteção social continua sendo vital para evitar o retrocesso nos índices de pobreza.
O desafio que fica para os próximos anos é a redução da concentração de renda. Mesmo com o recorde, a Pnad revela que os 10% mais ricos ainda ganham 13,8 vezes mais que os 40% mais pobres, uma disparidade que, embora venha diminuindo lentamente, ainda coloca o Brasil entre as nações mais desiguais do globo.