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Acordo Mercosul-UE: Exportações brasileiras ganham fôlego com queda de tarifas

Acordo Mercosul-UE zera tarifas de 80% das exportações brasileiras. Alckmin e delegação europeia discutem o futuro do tratado que envolve US$ 22 trilhões.

07 mai 2026 - 08h48 Joice Gomes   atualizado às 08h50
Acordo Mercosul-UE: Exportações brasileiras ganham fôlego com queda de tarifas Geraldo Alckmin recebe parlamentares europeus para discutir avanços no acordo comercial. (Imagem: gerado por IA)

O cenário do comércio exterior brasileiro vive um momento de transformação profunda. Nesta quarta-feira (6), o Palácio do Planalto, em Brasília, foi palco de uma reunião estratégica entre o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e uma delegação do Parlamento Europeu. O encontro não foi apenas protocolar; serviu para alinhar os próximos passos de um dos maiores acordos comerciais do planeta, que começou a dar seus primeiros frutos práticos na última semana.

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que permaneceu em gestação por mais de duas décadas, finalmente entrou em uma fase de implementação provisória. O impacto é imediato e mensurável: mais de 80% das exportações brasileiras destinadas ao mercado europeu passaram a ter tarifa de importação zerada. Para o setor produtivo nacional, isso representa uma abertura de portas sem precedentes em um mercado consumidor que soma 720 milhões de pessoas.

O impacto direto na competitividade brasileira

Segundo dados e estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução de encargos atinge mais de 5 mil produtos. Na prática, a eliminação do imposto de entrada no continente europeu reduz o preço final das mercadorias brasileiras, permitindo que o país compita em pé de igualdade com grandes players internacionais. O foco inicial é claro: a indústria. Dos produtos que já desfrutam da tarifa zero, cerca de 93% são bens industriais.

Geraldo Alckmin, que também ocupa a pasta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, destacou que a estrutura do pacto foi desenhada para ser equilibrada. "O multilateralismo é importante e ganha a sociedade, que passa a ter acesso a produtos de melhor qualidade, com preços mais acessíveis, além do estímulo à competitividade", afirmou. Para o governo, as chamadas salvaguardas garantem que setores sensíveis da economia nacional não sejam prejudicados, criando o que Alckmin classificou como um cenário de "ganha-ganha".

O caminho jurídico e o otimismo europeu

Apesar do início das operações comerciais com tarifas reduzidas, o tratado ainda percorre um rastro burocrático na Europa. Atualmente, o texto está sob análise do Tribunal de Justiça da União Europeia para garantir sua total compatibilidade com as normas do bloco. Este processo técnico e jurídico pode se estender por até dois anos. No entanto, o clima entre os parlamentares europeus é de confiança.

Hélder Sousa Silva, deputado português e presidente da Delegação para Relações com o Brasil do Parlamento Europeu, expressou otimismo durante a visita a Brasília. "Esperamos que a decisão do Tribunal de Justiça e, depois, a aprovação ou ratificação que se seguirá no Parlamento Europeu sejam positivas. Estou crendo que sim", declarou. A confiança europeia é um sinal político forte, indicando que o compromisso vai além das trocas comerciais, atingindo níveis de cooperação geopolítica.

Um mercado de US$ 22 trilhões

Para entender a magnitude do que está em jogo, basta olhar para os números. O bloco formado por 31 países (somando Mercosul e UE) detém um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de mais de US$ 22 trilhões. Na última semana, o Brasil deu um passo técnico fundamental ao definir as chamadas tarifárias, limites de quantidade para certas mercadorias que podem ser negociadas com taxas reduzidas.

Embora existam cotas, elas representam uma fatia pequena do comércio total: cerca de 4% das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações. Isso significa que a vasta maioria das transações ocorrerá de forma livre, sem travas quantitativas, consolidando uma integração econômica que promete remodelar as cadeias produtivas locais. O desafio agora reside na capacidade da indústria brasileira em ocupar esses espaços e na manutenção da estabilidade jurídica necessária para que a implementação provisória se torne, enfim, definitiva.

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