Movimentação em centro comercial de São Paulo durante preparativos para o Dia das Mães.
(Imagem: gerado por IA)
O comércio paulista já respira os preparativos para uma das datas mais importantes e rentáveis do calendário nacional: o Dia das Mães. De acordo com projeções divulgadas nesta quarta-feira (6) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a expectativa é de que o faturamento do setor alcance a marca expressiva de R$ 82 bilhões no estado de São Paulo.
O número representa um crescimento real de 3% em comparação ao mesmo período do ano passado, o que significa um aporte adicional de R$ 2,7 bilhões circulando na economia estadual. Esse otimismo moderado reflete um cenário de recuperação do poder de compra e estabilidade no emprego, fatores que costumam ser determinantes para o comportamento do consumidor em datas comemorativas.
O motor do crescimento: emprego e renda
Segundo a análise da FecomercioSP, o principal combustível para esse aumento nas vendas não é apenas o apelo emocional da data, mas a solidez de indicadores macroeconômicos locais. O mercado de trabalho no estado de São Paulo tem demonstrado resiliência, com a manutenção de salários e a abertura de novos postos, o que gera maior confiança para o consumo.
A entidade destaca que o aumento da renda média disponível permite que mais brasileiros busquem o crédito para presentear. No entanto, o comportamento deste ano apresenta uma particularidade: o foco está em itens de consumo imediato e presentes tradicionais, em detrimento de investimentos em bens de alto valor agregado.
Farmácias e vestuário lideram as intenções de compra
Quem transitar pelos shoppings e centros comerciais notará que alguns setores estão mais aquecidos que outros. A liderança do crescimento deve ficar com o segmento de farmácias e perfumarias, com uma alta estimada de 6%. Itens de cuidados pessoais, fragrâncias e cosméticos continuam sendo a escolha preferida pela conveniência e variedade de preços.
Logo atrás, o setor de vestuário, tecidos e calçados deve registrar um avanço de 4%. Este é um segmento clássico do Dia das Mães, beneficiado pela renovação das coleções de outono-inverno. Já os supermercados, que captam boa parte dos gastos com almoços festivos e mimos de última hora, esperam uma elevação de 3% no faturamento.
O obstáculo dos juros e do endividamento
Apesar dos números positivos no saldo geral, nem todos os setores têm motivos para comemorar com a mesma intensidade. As vendas de bens duráveis, como geladeiras, televisores e móveis devem crescer de forma tímida, entre 1% e 2%. O motivo é o custo do crédito.
Com os juros em patamares elevados, o financiamento de longo prazo torna-se mais caro, o que afasta o consumidor que ainda lida com o endividamento familiar. A FecomercioSP ressalta que, nestes casos, a decisão de compra depende de um comprometimento da renda por vários meses, algo que o paulista tem evitado em meio às incertezas econômicas. O cenário eleitoral e as oscilações do mercado financeiro também colaboram para uma postura mais conservadora na hora de parcelar grandes valores.
O desdobramento para as próximas semanas será crucial para entender se o varejo conseguirá manter o ritmo de crescimento para o segundo semestre. Por ora, o Dia das Mães se consolida como o primeiro grande teste de fôlego para o comércio em 2025, sinalizando que, embora o bolso esteja mais apertado para grandes dívidas, o hábito de presentear permanece firme.