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Economia

CMN muda regras e facilita renegociação de dívidas de produtores rurais

O Conselho Monetário Nacional flexibilizou as regras de crédito rural, permitindo que bancos usem recursos obrigatórios para renegociar dívidas de produtores.

25 ago 2026 - 07h49 Joice Gomes   atualizado às 07h52
CMN muda regras e facilita renegociação de dívidas de produtores rurais Resolução do CMN busca destravar renegociação de dívidas rurais sem comprometer novos créditos para safra. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução estratégica que promete destravar a renegociação de dívidas dos produtores rurais brasileiros. A medida flexibiliza as regras para o uso de recursos obrigatórios, parcelas de depósitos à vista que os bancos e cooperativas de crédito são obrigados por lei a direcionar ao setor agropecuário. Na prática, a mudança remove um entrave burocrático que vinha engessando o alcance da Medida Provisória 1.376/2026, editada para socorrer produtores atingidos por quebras de safra e adversidades climáticas.

O gargalo operacional que travava o alívio no campo

Até então, o ecossistema financeiro operava sob uma amarra severa: as instituições só podiam utilizar os recursos obrigatórios para repactuar operações que tivessem sido contratadas, originalmente, com essa mesmíssima fonte de captação. Se um produtor tivesse tomado crédito sob outra modalidade ou fonte, o banco ficava de mãos atadas, impedido de migrar o débito para condições mais favoráveis utilizando as exigibilidades.

Com a nova resolução do CMN, essa barreira deixa de existir. Bancos e cooperativas ganham autonomia para direcionar esses recursos obrigatórios para liquidar ou amortizar dívidas originalmente contratadas por meio de outras fontes de financiamento. A única restrição preservada diz respeito às operações lastreadas em fundos constitucionais, que seguem ritos próprios. A mudança corrige uma distorção operacional apontada pelo Ministério da Fazenda, que vinha dificultando o controle e a fluidez das negociações desde o início de vigência da flexibilização especial.

O limite de 40% e o desafio de manter o crédito vivo

Apesar da maior liberdade concedida aos agentes financeiros, o governo federal impôs um teto prudencial: o uso das exigibilidades para a renegociação está limitado a 40% dos recursos do ano-safra de cada instituição. Esse percentual busca blindar a liquidez do sistema.

Se as instituições financeiras pudessem comprometer todo o estoque de recursos obrigatórios com o refinanciamento de saldos devedores antigos, faltaria dinheiro novo para financiar o plantio, os insumos e a tecnologia da próxima temporada. O teto de 40% funciona, portanto, como uma válvula de segurança para garantir que o auxílio ao produtor endividado não asfixie o fôlego da safra que está por vir.

Juros escalonados e a atração de novas instituições

A renegociação não terá uma tabela única de juros. Os encargos financeiros das operações repactuadas oscilarão entre 5% e 12% ao ano, a depender diretamente do nível de perdas comprovadas pelo produtor. Essa lógica de escalonamento busca assegurar justiça distributiva, cobrando menos de quem sofreu os maiores impactos produtivos e climáticos.

Outro efeito crucial da decisão do CMN é a descentralização do socorro financeiro. Em meados de agosto, o Ministério da Fazenda havia distribuído R$ 25,8 bilhões em limites de equalização, subsídio que cobre a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas subsidiadas oferecidas ao campo para apenas dez instituições. A nova regra permite que bancos e cooperativas que ficaram fora dessa distribuição, ou que receberam fatias aquém da demanda de sua carteira de clientes, entrem na engrenagem utilizando os recursos obrigatórios livres para o alívio das dívidas.

A flexibilização estabelece um novo patamar para a gestão do crédito rural em momentos de crise sistêmica. Ao descentralizar o acesso aos recursos e permitir o trânsito entre diferentes fontes de financiamento, o governo tenta mitigar o risco de inadimplência em massa no campo sem precisar recorrer a novos aportes do Tesouro Nacional. O desdobramento esperado agora é uma corrida de cooperativas e bancos médios para reestruturar as carteiras de clientes antes do fechamento do ciclo de planejamento do próximo ano agrícola.

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