Sede da Caixa Econômica Federal em Brasília; banco vê carteira imobiliária bater recorde histórico no país.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 5,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação aos três primeiros meses deste ano, o avanço foi de 12,4%.
O resultado foi impulsionado principalmente pela expansão do crédito, com destaque para o financiamento imobiliário, principal negócio do banco. Ao mesmo tempo, o balanço mostra aumento da inadimplência e das provisões para perdas de crédito, fatores que seguem no radar da instituição.
Crédito chega a R$ 1,448 trilhão
A carteira total de crédito da Caixa alcançou R$ 1,448 trilhão em junho, crescimento de 11,9% em 12 meses e de 2,7% em relação ao fim do primeiro trimestre.
O crédito imobiliário respondeu por 69,4% desse total. O saldo da carteira habitacional chegou a R$ 1,005 trilhão, alta de 15% em um ano.
Entre abril e junho, as contratações de financiamento imobiliário somaram R$ 137,6 bilhões, avanço de 29,3% na comparação anual. A Caixa manteve liderança no mercado habitacional, com participação próxima de 68%.
Outras linhas também avançam
O crédito para pessoas físicas chegou a R$ 156,5 bilhões, alta de 8,7% em 12 meses. Já a carteira destinada a empresas alcançou R$ 113,9 bilhões, crescimento de 6,5% no mesmo período.
A margem financeira, que reúne os ganhos do banco em operações com juros, ficou em R$ 19,7 bilhões no trimestre, alta de 20,2% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Inadimplência aumenta
Apesar do crescimento das operações, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,64%, ante 2,66% um ano antes.
O agronegócio apresentou o maior índice, de 20,74%, contra 7,02% no segundo trimestre do ano passado. Entre pessoas jurídicas, a inadimplência ficou em 14,05%; nas operações com pessoas físicas, em 6,29%.
Já o financiamento imobiliário, maior carteira da Caixa, registrou índice de 1,45%, enquanto a carteira de infraestrutura apresentou 0,03%.
Provisões quase dobram em um ano
Com o aumento do risco de crédito, a Caixa reforçou as provisões destinadas a cobrir possíveis perdas. A despesa com essas reservas chegou a R$ 6,97 bilhões no segundo trimestre, alta de 97,6% na comparação anual e de 6,9% ante os três primeiros meses de 2026.
Segundo o banco, a forte participação dos financiamentos habitacionais e de operações com garantias ajuda a reduzir as perdas esperadas e dá maior estabilidade à carteira.
Lucro do semestre recua
Apesar da melhora no segundo trimestre, o resultado acumulado do primeiro semestre foi inferior ao de 2025. O lucro recorrente somou R$ 7,4 bilhões entre janeiro e junho, queda de 17,6% em 12 meses.
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido também recuou. O indicador ficou em 9,16%, redução de 2,7 pontos percentuais em relação a junho do ano passado.
As receitas com prestação de serviços chegaram a R$ 7,54 bilhões, alta anual de 12,9%, enquanto as despesas administrativas somaram R$ 11,44 bilhões, aumento de 5,9%.
O balanço mostra, assim, um segundo trimestre de expansão do crédito e recuperação do lucro, mas com maior pressão de risco em algumas carteiras e necessidade crescente de provisões.