Imagem ilustrativa de profissionais maduros planejando viagens e negócios no setor de turismo.
(Imagem: gerado por IA)
O envelhecimento da população brasileira está ampliando o debate sobre a chamada economia prateada, que reúne negócios, produtos e serviços relacionados às necessidades e aos interesses de pessoas maduras. O movimento também envolve quem deseja continuar trabalhando depois dos 60 anos. Nesse cenário, o turismo aparece como uma alternativa para profissionais que pretendem transformar experiência e conhecimento em uma nova atividade econômica.
Levantamento da Nexus, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, aponta que 8,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais estavam ocupados em 2025, equivalentes a 24,4% da população dessa faixa etária. Entre os ocupados, aproximadamente 4,3 milhões, ou 50,6%, eram empreendedores.
Informalidade ainda é um desafio
O mesmo estudo indica que 72% dos empreendedores com mais de 60 anos atuavam sem CNPJ, o equivalente a cerca de 3,1 milhões de pessoas. O dado evidencia que o aumento da atividade econômica nessa faixa etária convive com dificuldades de formalização, acesso a serviços empresariais e estruturação dos negócios.
O empreendedorismo na maturidade pode ter motivações distintas. Para alguns profissionais, representa a necessidade de complementar a renda; para outros, oferece a possibilidade de manter uma rotina ativa, explorar interesses pessoais ou aproveitar uma trajetória profissional consolidada. Os números da pesquisa não permitem concluir que todos tenham escolhido empreender pelas mesmas razões.
Experiência profissional encontra espaço no turismo
Aos 68 anos, Tania de Jesus decidiu iniciar uma atividade no setor de viagens depois de mais de três décadas trabalhando com commodities e operações de exportação. Ela e o marido, de 66 anos, passaram a comandar, em novembro de 2025, uma unidade de uma rede de franquias de turismo em modelo de trabalho remoto.
Segundo relato divulgado pela empresa, o casal já tinha interesse pessoal por viagens. Tania concentra parte da operação no atendimento ao público com mais de 60 anos, incluindo organização de grupos e roteiros. O marido contribui com sua experiência comercial e financeira. O caso ilustra uma possibilidade de segunda carreira, sem representar necessariamente a realidade de todos os empreendedores da mesma idade.
Viagens para o público maduro exigem planejamento
Na avaliação de Marco Lisboa, executivo de uma rede de franquias do setor, profissionais maduros podem aproveitar a experiência acumulada para compreender melhor as necessidades de clientes da mesma faixa etária. No turismo, isso envolve atenção ao ritmo dos passeios, ao conforto, à segurança e às oportunidades de interação social.
A economia prateada, portanto, inclui tanto o consumidor mais velho quanto quem cria produtos e serviços para esse mercado. O crescimento do empreendedorismo 60+ não elimina os desafios de formalização e gestão, mas mostra que o setor de viagens é uma das atividades em que profissionais experientes estão buscando novas formas de trabalho e geração de renda.