Descubra como o Bloco Céu na Terra completa 25 anos de folia em Santa Teresa, com tributo a Jorge Ben Jor.
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O Bloco Céu na Terra completou 25 anos de existência em 2026, consolidando-se como um dos símbolos da retomada do carnaval de rua no Rio de Janeiro. Fundado no início dos anos 2000, o bloco surgiu em um momento de renascimento da folia popular, quando as ruas da cidade voltavam a pulsar com cortejos espontâneos e afetivos.
Localizado nas ladeiras de Santa Teresa, bairro boêmio e histórico, o Bloco Céu na Terra sempre priorizou a interação com a comunidade local. Seus desfiles matinais, com saída às 7h, atraem milhares de foliões fantasiados, embalados por uma orquestra de sopros e percussão que mistura marchinhas clássicas, sambas, cirandas e afroxés.
Este ano, a edição marcou o jubileu de prata com uma homenagem especial a Jorge Ben Jor, artista cuja obra atravessa gerações com seu swing inconfundível e brasilidade autêntica. O tributo reflete a tradição do bloco de enaltecer nomes da música popular brasileira, promovendo um diálogo vivo entre carnaval e MPB.
História e tradição do bloco
O Bloco Céu na Terra foi criado em 2001 por um grupo de amigos, incluindo Péricles Monteiro, Vânia Santa Rosa e Bianca Leão, no coração de Santa Teresa. Inicialmente um ritual entre conhecidos, evoluiu para um dos mais queridos do carnaval carioca, simbolizando a revitalização da folia de rua após anos de retração.
Ao longo de 25 anos, o bloco manteve desfiles diurnos em trajetos compatíveis com a geografia acidentada do bairro, como as ruas Almirante Alexandrino e Dias de Barros, e os largos dos Guimarães e das Neves. Essa proximidade com o território fortaleceu laços com moradores, que veem no Bloco Céu na Terra uma expressão orgânica da cultura local.
Nos ensaios e desfiles, o repertório varia entre clássicos carnavalescos e canções autorais, sempre com arranjos originais para metais e percussão. A Orquestra Popular Céu na Terra, formada em 2004, ampliou o alcance do grupo para apresentações fora do período carnavalesco, levando o som do bloco a palcos variados.
- Fundação em 2001, no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro.
- Repertório inclui marchinhas, sambas, cirandas, maxixes e frevos.
- Desfiles matinais para reduzir impactos na rotina residencial.
- Presença de bonecões gigantes, porta-estandarte e artistas em pernas de pau.
Homenagem a Jorge Ben Jor em 2026
A edição de 2026 do Bloco Céu na Terra dedicou-se integralmente a Jorge Ben Jor, com um bonecão do artista liderando o cortejo e arte visual assinada pelo DJ Zod. Clássicos como "Chove Chuva", "Menina Mulher da Pele Preta", "Taj Mahal", "Fio Maravilha", "País Tropical" e "Mas Que Nada" integraram o setlist, ao lado do repertório tradicional.
Os desfiles ocorreram no sábado pré-carnavalesco, 7 de fevereiro, às 7h, na Rua Almirante Alexandrino, 89, e repetem-se no sábado de carnaval, dia 14, no Largo dos Guimarães. Paradas chamadas "estações" permitiram celebrações coletivas em músicas específicas, criando momentos de escuta compartilhada nas ladeiras.
Péricles Monteiro, fundador, destacou a sintonia entre a energia de Ben Jor e o espírito do bloco: "A música dele é cheia de energia e combina totalmente com o Céu na Terra". Homenagens anteriores, como a Milton Nascimento, Rita Lee e Pepeu Gomes, reforçam o compromisso com a memória da MPB.
- Boneco gigante de Jorge Ben Jor no cortejo principal.
- Músicas selecionadas: "Take It Easy My Brother Charles" e "Os Alquimistas".
- Dois desfiles confirmados em fevereiro de 2026.
- Integração de marchinhas tradicionais ao tributo.
Blocos oficiais e o carnaval em Santa Teresa
Santa Teresa abriga blocos oficiais reconhecidos pela Prefeitura do Rio, como Céu na Terra, Carmelitas, Badalo de Santa Teresa, Aconteceu, Mistura de Santa, Cheiro na Testa e o estreante Bafo da Onça, totalizando 14 agremiações em 2026. Esses grupos seguem regras de horário, percurso e som, dialogando com a comunidade para minimizar transtornos.
A Riotur enfatiza a priorização de segurança e equilíbrio entre festa e rotina, com trajetos concentrados em pontos icônicos do bairro. O carnaval de rua no Rio espera atrair milhões de foliões, mas bairros como Santa Teresa enfrentam desafios com a expansão da folia.
O Bloco Céu na Terra, como bloco tradicional, exemplifica o modelo sustentável, com desfiles curtos e matinais que respeitam a infraestrutura local. Essa abordagem contribui para a preservação da identidade cultural do bairro, Patrimônio da Humanidade.
Desafios entre folia e convivência
A expansão do carnaval de rua trouxe acessibilidade, mas também tensões em Santa Teresa, com ruas estreitas e população residente. Moradores relatam ocupação por blocos não oficiais, acumulo de lixo e barulho excessivo, levando a um abaixo-assinado por maior fiscalização.
Gestores culturais como Ingrid Reis defendem critérios diferenciados: blocos históricos como o Bloco Céu na Terra mantêm relação orgânica com o território, enquanto agremiações recentes demandam planejamento. A Amast, associação de moradores, cobra investimentos em infraestrutura para suportar o fluxo de visitantes.
Pesquisadores como Victor Belart, da Uerj, apontam a ausência de regras claras como raiz dos problemas: controle de público, limpeza e acesso a emergências são essenciais. Sem regulação, impactos como degradação urbana ameaçam a legitimidade da festa.
- Abaixo-assinado por ordenamento e fiscalização no bairro.
- 14 blocos oficiais autorizados pela Riotur em 2026.
- Debate por regras específicas para bairros históricos.
- Ênfase em diálogo entre organizadores e residentes.
O futuro do Bloco Céu na Terra e do carnaval em Santa Teresa depende de equilíbrio: preservar a alegria genuína da folia enquanto se adapta aos limites urbanos. Com 25 anos de trajetória, o bloco inspira soluções que garantam a sustentabilidade da tradição, beneficiando foliões, artistas e moradores por gerações.