Conheça os detalhes da multa do Ibama à Petrobras pelo vazamento de 18,44 m³ de fluido na Foz do Amazonas.
(Imagem: Petrobras/Divulgação)
O vazamento ocorrido na Bacia da Foz do Amazonas expôs tensões entre exploração petrolífera e preservação ambiental. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras após o descarte acidental de 18,44 metros cúbicos de fluido de perfuração no mar.
O incidente aconteceu em 4 de janeiro de 2026, a 175 quilômetros da costa do Amapá, durante operações no Navio Sonda 42 (NS-42). A estatal confirmou a perda do material em linhas auxiliares conectadas ao poço Morpho, o que levou à paralisação imediata das atividades.
Detalhes do incidente
O vazamento envolveu uma mistura oleosa conhecida como Fluido de Perfuração de Base Não Aquosa, usada em atividades de exploração de petróleo e gás. De acordo com o Ibama, o material representa risco médio para a saúde humana e o ecossistema aquático, conforme a Instrução Normativa nº 14, de 28 de julho de 2025, e a Lei nº 9.966/2000.
A autuação foi emitida pelo Centro Nacional de Emergências Ambientais e Climáticas (Ceneac), da Diretoria de Proteção Ambiental (Dipro). O Ibama destacou que a descarga ocorreu na Margem Equatorial brasileira, área sensível com alta biodiversidade marinha.
A Petrobras, por sua vez, argumenta que o fluido é biodegradável, não persistente, não bioacumulável e não tóxico, conforme a Ficha de Dados de Segurança do produto. A empresa afirmou que o material atende a todos os parâmetros ambientais e não causa danos ao meio ambiente.
Resposta regulatória
Imediatamente após o vazamento, a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) impôs condições rigorosas para a retomada das operações. Entre elas, a substituição de todos os selos das juntas do riser de perfuração, com apresentação de evidências em até cinco dias após a instalação.
A Petrobras tem 20 dias úteis, a partir da notificação do auto de infração, para pagar a multa ou apresentar defesa administrativa. A estatal informou que tomará as providências cabíveis, o que pode incluir recursos judiciais ou administrativos.
Essa não é a primeira controvérsia na região. A Bacia da Foz do Amazonas, parte da Margem Equatorial, tem histórico de desafios, como um acidente em 2011 no bloco FZA-4 que levou à desistência da Petrobras de explorar a área na época.
Contexto da exploração
A perfuração no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, faz parte de esforços para mapear reservas na Margem Equatorial, vista como promissora para a soberania energética do país. O Ibama já havia avaliado o projeto com impacto ambiental máximo, citando 18 impactos negativos, incluindo alterações no comportamento de mamíferos aquáticos e tartarugas marinhas.
Especialistas destacam que, mesmo biodegradáveis, fluidos em grandes volumes podem poluir dependendo da quantidade e das correntes locais fortes na foz do rio. A área abriga espécies ameaçadas, o que amplifica os riscos ecológicos.
- O vazamento liberou cerca de 15 a 18 mil litros de fluido sintético no oceano.
- Operações paralisadas desde 6 de janeiro de 2026, aguardando cumprimento de exigências da ANP.
- Multa calculada com base em classificação de risco médio do material despejado.
- Região com correntes intensas e biodiversidade rica, incluindo cinco espécies de tartarugas marinhas.
- Petrobras defende ausência de danos, com base em fichas técnicas do produto.
Impactos e perspectivas
O vazamento reforça debates sobre os trade-offs da exploração offshore em áreas ecológicas sensíveis. Para o meio ambiente, potenciais efeitos incluem contaminação de sedimentos e perturbação da fauna, embora a Petrobras insista na baixa toxicidade.
Do ponto de vista econômico, a Margem Equatorial pode abrigar bilhões de barris de óleo equivalente, impulsionando produção e receitas. No entanto, incidentes como esse demandam maior escrutínio regulatório para equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade.
Nos próximos meses, espera-se a definição sobre a defesa da Petrobras e a efetiva retomada das perfurações. Órgãos como Ibama e ANP continuarão monitorando para evitar repetições, enquanto estudos independentes avaliam os reais impactos do vazamento.
A sociedade acompanha de perto, pois decisões nessa bacia influenciam não só a matriz energética, mas também a preservação de um ecossistema único na foz do maior rio do mundo.