Caravelas-portuguesas podem estar presentes tanto na água quanto na faixa de areia.
(Imagem: Divulgação/Corpo de Bombeiros)
A caravela-portuguesa surgiu nas areias da Praia do Cassino, no litoral sul do Rio Grande do Sul, preocupando banhistas e autoridades. Os guarda-vidas registraram um aumento significativo de lesões causadas por esses animais nos últimos dias, especialmente após o feriado de Iemanjá.
Somente no final de semana prolongado, mais de 670 pessoas foram atendidas por queimaduras provocadas por organismos marinhos, incluindo a caravela-portuguesa. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cassino contabilizou cerca de dez internações relacionadas a esses casos, com sintomas que evoluem para linhas vermelhas características no corpo.
O Capitão Castro, comandante da Companhia de Guarda-Vidas do Litoral Sul, confirmou que os registros foram mais intensos na segunda-feira, próximos aos Molhes da Barra. As equipes realizaram os primeiros socorros e encaminharam os casos graves para tratamento médico.
Origem do fenômeno natural
O biólogo Renato Mitsuo Nagata, professor do Instituto de Oceanografia da FurG, explica que a aparição da caravela-portuguesa resulta de uma frente fria com ventos de sudoeste. Esses ventos empurram os animais de alto-mar para a costa.
"São organismos de mar aberto, trazidos pelas condições climáticas", destaca Nagata. Ele ressalta que o fenômeno ocorre anualmente na costa brasileira, mas neste ano veio um pouco atrasado, sem sinais de infestação em grande escala.
Apesar da quantidade menor que em anos anteriores, a toxicidade permanece alta. Os tentáculos podem causar dor intensa, reações alérgicas e, em casos raros, complicações respiratórias.
Riscos e como identificar
A caravela-portuguesa não é uma água-viva individual, mas uma colônia de organismos que flutua na superfície. Sua aparência colorida, com bolha azulada e tentáculos longos e translúcidos, atrai curiosos, mas é extremamente perigosa.
- Lesões causam linhas vermelhas lineares na pele, diferentes das manchas de águas-vivas comuns.
- Dor imediata e ardente, podendo durar horas ou dias.
- Risco maior para crianças, idosos e pessoas alérgicas.
- Presença na areia indica muitos na água; evite o banho nessas áreas.
Os guarda-vidas usam bandeira roxa para sinalizar a presença desses animais, um alerta padrão adotado em várias praias brasileiras.
O que fazer em caso de contato
Se houver contato com a caravela-portuguesa, o primeiro passo é remover os tentáculos com cuidado, usando luvas ou pinça, sem esfregar a pele. Lave com água do mar, nunca doce, para evitar piora das lesões.
Aplique vinagre ou solução salina para neutralizar o veneno, e procure atendimento médico imediatamente. Analgésicos e anti-histamínicos ajudam a aliviar os sintomas, mas casos graves demandam observação hospitalar.
Especialistas reforçam: não se aproxime para fotos. Muitos banhistas acabam lesionados por curiosidade, agravando o problema em dias de alto movimento na praia.
Histórico recorrente no litoral gaúcho
A Praia do Cassino, uma das maiores do mundo, enfrenta esse problema todo verão. Em temporadas passadas, como em 2024 e 2025, registros semelhantes elevaram os atendimentos para milhares no litoral sul.
No Rio Grande do Sul, mais de 11 mil pessoas já buscaram ajuda por queimaduras de organismos marinhos nesta estação, segundo dados recentes. A combinação de feriados e tempo quente impulsiona o número de vítimas.
Para evitar surpresas, consulte os postos de guarda-vidas antes de entrar no mar. O monitoramento constante ajuda a mitigar riscos e garante um verão mais seguro para todos.
Enquanto o fenômeno persiste, veranistas precisam redobrar a atenção. A beleza da praia contrasta com os perigos ocultos nas águas, mas com informação e precaução, é possível aproveitar sem sustos.
Autoridades monitoram a situação e prometem atualizações. Fique ligado nas bandeiras e orientações locais para curtir o litoral com segurança.