O Largo do Pelourinho, em Salvador, será palco da 10ª edição da Flipelô, reunindo centenas de escritores.
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)
O Centro Histórico de Salvador se prepara para se transformar, mais uma vez, no epicentro da literatura e da cultura nacional. A Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) anunciou oficialmente a programação de sua aguardada décima edição, que acontece entre os dias 5 e 9 de agosto. O festival deste ano não apenas celebra um marco histórico de longevidade, mas projeta atrair mais de 250 mil pessoas pelas ladeiras de Salvador, impulsionando fortemente a economia criativa, o turismo e o comércio local.
Com mais de 500 escritores brasileiros e nove convidados internacionais confirmados, a Flipelô se consolida como uma das maiores festas literárias do país. Entre os grandes nomes nacionais que comandarão os debates e mesas-redondas estão Itamar Vieira Júnior, autor do aclamado best-seller Torto Arado, Carla Madeira, um dos maiores fenômenos de vendas da ficção contemporânea, Ana Maria Gonçalves e o consagrado romancista amazonense Milton Hatoum.
Diversidade de vozes e linguagens artísticas
Para além dos debates puramente acadêmicos, a curadoria desta edição apostou na fusão da literatura com outras expressões artísticas marcantes. A programação trará o humorista e escritor Gregório Duvivier, o cantor Chico Chico, a jornalista Astrid Fontenelle e a escritora Eliana Alves Cruz. O poeta cearense Bráulio Bessa e o multiartista Tiganá Santana também estão entre as presenças confirmadas, evidenciando o caráter multifacetado do evento.
A internacionalização do festival ganha força com a participação de nomes como a escritora norte-americana Tracy Mann e o autor espanhol Pablo Fidalgo. Ao longo de cinco dias de evento, o público poderá acompanhar gratuitamente uma maratona de lançamentos de livros, saraus, oficinas, recitais poéticos e apresentações teatrais em cerca de 150 espaços parceiros, estendendo-se desde a Praça Municipal até o charmoso bairro do Santo Antônio Além do Carmo.
Uma década de preservação e fomento cultural
Idealizada originalmente pela poeta Myriam Fraga, a Flipelô nasceu em 2017 inspirada no modelo de sucesso da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). O projeto foi desenhado não apenas como um evento de entretenimento, mas como uma ferramenta ativa de ocupação social e valorização do Pelourinho, além de celebrar o legado monumental de Jorge Amado. A realização é conduzida pela Fundação Casa de Jorge Amado, instituição que, de forma paralela, celebra seus 40 anos de atuação ininterrupta na Bahia.
Segundo Angela Fraga, presidente da fundação, alcançar a décima edição representa um feito de imensa resistência e paixão pela arte. "É uma conquista que reafirma o papel do festival em conectar moradores, turistas, novos leitores e grandes criadores em torno do livro", destaca a gestora, enfatizando o papel de revitalização urbana e turística que a festa desempenha na região central de Salvador.
Homenagens a ícones da Bahia
Neste ano, as homenagens centrais resgatam a memória de duas figuras fundamentais para a identidade baiana. A grande homenageada é a própria idealizadora do festival, Myriam Fraga (1937-2016). Poeta de extrema sensibilidade, jornalista e membra da Academia de Letras da Bahia, Myriam dedicou a vida à palavra escrita, publicando 25 livros e assinando por duas décadas a influente coluna Linha D’Água no jornal A Tarde.
O festival também presta tributo ao artista plástico, gravador e cenógrafo Calasans Neto, cujos traços e ilustrações históricas eternizaram páginas de obras tanto de Myriam Fraga quanto de Jorge Amado. Essa conexão profunda entre o texto e a imagem visual promete guiar diversas exposições montadas especialmente para o evento.
Abertura oficial e impacto local
A solenidade de abertura está marcada para a noite de 5 de agosto, no icônico Largo do Pelourinho. O pontapé inicial será dado com um show especial da cantora Belô Velloso, que mesclará canções clássicas com a recitação de poemas marcantes de Myriam Fraga. Com hotéis, restaurantes e lojas locais já se preparando para a alta demanda de visitantes, a Flipelô reafirma que a literatura é, acima de tudo, um motor vivo de transformação social, turismo e sustentabilidade urbana.