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Saúde

Brasil em alerta máximo contra o sarampo enquanto Américas registram explosão de casos em 2026

18 mar 2026 - 11h10 Joice Gomes   atualizado às 11h14
Brasil em alerta máximo contra o sarampo enquanto Américas registram explosão de casos em 2026 O Brasil está em alerta máximo diante do avanço do sarampo nas Américas. (Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O sarampo voltou a preocupar as autoridades sanitárias do Brasil e de toda a América. Em apenas dois meses de 2026, o continente registrou 7.145 casos confirmados da doença, praticamente metade dos 14.891 contabilizados ao longo de todo o ano de 2025, que já havia sido marcado por um aumento alarmante de 32 vezes em relação a 2024. O Ministério da Saúde declarou estado de alerta máximo e intensificou as ações de vigilância epidemiológica em todo o território nacional.

O primeiro caso brasileiro de 2026 foi confirmado na semana passada: uma bebê de 6 meses, moradora de São Paulo, que adquiriu a infecção durante uma viagem à Bolívia, país que enfrenta um surto ativo da doença. A ocorrência reacendeu o debate sobre a proteção vacinal e os riscos associados ao trânsito internacional de pessoas em um momento de alta circulação do vírus no continente.

Um cenário continental preocupante

Os números do continente revelam a dimensão do problema. Em 2025, México (6.428 casos), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) concentraram quase 95% das infecções registrados nas Américas, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Das 29 mortes confirmadas no período, 22 ou seja, 73% ocorreram entre populações indígenas, evidenciando a vulnerabilidade de grupos com menor acesso à vacinação.

Nos Estados Unidos, 93% das pessoas que contraíram a doença não estavam vacinadas ou tinham histórico vacinal desconhecido. No México, essa proporção chegou a 91,2%, e no Canadá, a 89%. O padrão reforça o consenso entre especialistas: a baixa cobertura vacinal é o principal fator por trás da ressurgência da doença em países que já haviam conquistado o status de eliminação.

Brasil mantém certificado, mas não abaixa a guarda

Apesar do cenário externo adverso, o Brasil ainda sustenta o certificado de área livre do sarampo, reconquistado em 2024. A ausência de transmissão sustentada dentro do território nacional é o critério que garante essa classificação. Em 2025, foram registrados 38 casos no país, todos associados à importação do vírus, sem encadeamento interno de contágio.

O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, afirma que o país segue realizando ações contínuas de prevenção e resposta. "Por conta do cenário internacional, o Ministério está em alerta máximo. Nós vamos manter essa certificação, mas, para isso, a gente precisa continuar vacinando a população e alertando que a vacina é a principal prevenção", declarou Gatti.

Um dos pontos de atenção levantados pelas autoridades é a cobertura vacinal ainda incompleta entre os bebês brasileiros. Em 2025, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, mas apenas 77,9% completaram o esquema com a segunda dose na idade correta, índice aquém da meta necessária para garantir imunidade coletiva.

Bloqueio vacinal: a resposta imediata

Diante de qualquer caso suspeito, o protocolo brasileiro prevê uma mobilização imediata. Assim que um município identifica uma suspeita, todos os contatos do possível doente são vacinados preventivamente, um procedimento chamado de bloqueio vacinal. Em seguida, equipes fazem busca ativa casa a casa no entorno do caso, e uma varredura em laboratórios e unidades de saúde é realizada para captar sintomáticos não notificados.

Se a infecção for confirmada, o monitoramento da comunidade se estende por três meses antes que o fim da ocorrência seja oficialmente declarado. Para bebês entre 6 meses e 1 ano que tiveram contato com um caso confirmado, é aplicada a chamada "dose zero", uma dose antecipada que não substitui as duas doses previstas no calendário regular.

Copa do Mundo eleva o risco

O cenário ganha um componente adicional de risco com a aproximação da Copa do Mundo de Futebol de 2026, marcada para junho e julho. Os três países que sediarão o torneio, Estados Unidos, México e Canadá são exatamente os que concentram o maior número de casos de sarampo no continente. A Opas já emitiu orientações específicas para que os países reforcem a vacinação antes do evento, inclusive com a adoção da "dose zero" em nações com surtos ativos.

O Brasil, que deve enviar grande contingente de torcedores ao Mundial, está entre os países que precisam intensificar a comunicação sobre a importância da imunização. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a publicar alertas sobre vacinação em aeroportos e portos. Internamente, regiões turísticas como o litoral, a Amazônia, o Pantanal e Foz do Iguaçu e as cidades de fronteira são apontadas como áreas de atenção prioritária pelo Ministério da Saúde.

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