Canetas emagrecedoras exigem indicação e acompanhamento médico para evitar danos à saúde dos músculos.
(Imagem: Cristian Camilo/Divulgação)
O uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento profissional pode aumentar o risco de perda de massa muscular, especialmente quando a redução de peso acontece de forma rápida e sem estratégia adequada de alimentação e exercício. O alerta vale para medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e substâncias relacionadas, usados no tratamento da obesidade e do diabetes.
Esses medicamentos podem promover perda importante de peso, mas parte dessa redução pode ocorrer às custas da chamada massa magra, que inclui músculos. Por isso, especialistas reforçam que o tratamento não deve ser encarado apenas como uma forma de baixar o número da balança.
Perda de peso não significa apenas perda de gordura
Durante qualquer processo de emagrecimento, o organismo pode perder tanto gordura quanto massa magra. Quando a redução de peso é acelerada, a proporção de músculo perdido pode se tornar mais relevante, sobretudo se houver baixa ingestão de proteínas, sedentarismo ou ausência de treino de força.
A preservação muscular é importante porque a massa magra participa da força, da mobilidade, do equilíbrio e do metabolismo. Em pessoas mais velhas, a perda excessiva também pode agravar o risco de sarcopenia e de redução da autonomia.
Acompanhamento ajuda a reduzir riscos
O tratamento com medicamentos para obesidade deve ser individualizado e acompanhado por profissional habilitado. A avaliação considera fatores como peso, composição corporal, presença de outras doenças, alimentação, nível de atividade física e resposta ao medicamento.
Além do seguimento médico, a orientação nutricional pode ajudar a garantir ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais. A prática regular de exercícios resistidos, como musculação ou outras atividades de força, também é considerada uma das principais estratégias para preservar massa muscular durante o emagrecimento.
Uso por conta própria traz outros perigos
O uso sem supervisão também pode aumentar o risco de outros efeitos adversos. Náusea, vômitos, diarreia, constipação e desconforto gastrointestinal estão entre os eventos mais conhecidos dessa classe de medicamentos. Casos mais graves exigem avaliação médica imediata.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem reforçado que esses medicamentos devem ser usados dentro das indicações aprovadas e com prescrição. A compra por canais informais ou o uso de produtos sem procedência conhecida também pode expor o paciente a falsificações, doses incorretas e substâncias não autorizadas.
Tratamento da obesidade deve ser de longo prazo
A obesidade é uma doença crônica e seu tratamento pode envolver mudanças de hábitos, acompanhamento multiprofissional e, em alguns casos, medicamentos. A escolha da terapia depende da avaliação clínica de cada pessoa.
Interromper o medicamento por conta própria ou usar doses diferentes das prescritas pode comprometer os resultados e aumentar riscos. Também não há uma estratégia única que funcione da mesma forma para todos os pacientes.
Especialistas recomendam que o objetivo do tratamento seja melhorar a saúde global, e não apenas acelerar a perda de peso. Preservar músculos, manter alimentação equilibrada e desenvolver uma rotina de atividade física são partes importantes desse processo.