Professora em sala de aula.
(Imagem: de Drazen Zigic no Freepik)
Projeções oficiais indicam que o Fundeb deve bater recorde em 2026, ultrapassando a marca de R$ 370 bilhões, o maior volume de recursos desde a criação do fundo. O avanço reforça o papel do mecanismo como principal motor de financiamento da educação pública no Brasil e reacende o debate sobre o reajuste do piso salarial dos professores.
Maior volume de recursos da história
Se confirmadas as estimativas, o Fundeb chegará ao seu patamar mais alto já registrado, impactando diretamente redes de ensino municipais e estaduais. Na prática, o crescimento do fundo pode abrir margem para novos investimentos em escolas, ampliação de programas educacionais e, principalmente, valorização dos profissionais da educação.
O aumento expressivo, porém, não garante automaticamente um reajuste maior no piso dos professores. Pela legislação, o cálculo do aumento anual do piso é baseado na variação do Valor Anual Mínimo por Aluno (VAAF), indicador que reflete quanto o Fundeb assegura por estudante matriculado.
O que esperar do piso salarial em 2026
Em 2024, o piso nacional estava fixado em R$ 4.580,57. No início de 2025, subiu cerca de 3,62%, chegando a aproximadamente R$ 4.745. Considerando o comportamento recente do VAAF e o crescimento do fundo, especialistas projetam para 2026 um reajuste entre 2% e 4%.
Isso significa que o piso pode ficar entre R$ 4.850 e R$ 4.935, caso não haja mudança na fórmula legal. A projeção média mais citada por técnicos e gestores coloca o valor em torno de R$ 4.880, sinalizando um aumento modesto, porém dentro do esperado diante do ritmo da economia e do próprio Fundeb.
Impacto direto em estados e municípios
O reajuste do piso tem efeito imediato sobre os orçamentos municipais e estaduais, que precisam se adequar para garantir o pagamento aos profissionais da educação. Em muitas cidades, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, o impacto é significativo e pode exigir ajustes fiscais até o segundo semestre de 2026.
Além do debate sobre salários, a alta do Fundeb reacende discussões sobre concursos públicos na educação. Com mais recursos em caixa, redes de ensino estudam recompor quadros de professores, reduzir contratações temporárias e fortalecer equipes pedagógicas. O movimento tende a se consolidar como parte de uma estratégia mais ampla de valorização da educação básica no país.
Por que isso importa agora
Em um ano marcado por disputas orçamentárias e expectativas eleitorais, o resultado do Fundeb em 2026 será determinante para o futuro das políticas educacionais. O fundo não apenas sustenta 40% das matrículas da rede pública, como define o ritmo da valorização docente e a capacidade de estados e municípios em expandir a oferta de ensino com qualidade.
Com o Fundeb prestes a alcançar o maior valor da história, a pauta da educação volta ao centro das decisões econômicas e políticas do país e os professores, mais uma vez, são protagonistas dessa nova fase.